São Paulo celebra o Dia Estadual do Samba, instituído pela Lei 17.363/2021, e dá início à Semana Estadual do Samba, criada pela Lei 16.394/2017. Ambas são iniciativas do mandato da deputada Leci Brandão (PCdoB), que reconhecem a importância histórica, cultural e ancestral desse ritmo que moldou e segue moldando o Brasil.
O samba é a expressão popular que vive nos lares brasileiros, nos botequins, nos encontros afetivos, nas reuniões familiares e até na tradicional macarronada de domingo. Onde há afeto e convivência, o samba se faz presente. Ele é parte da família brasileira.
Sua origem remonta ao início do século XX, nas rodas de música, dança e batuques conduzidas por negros escravizados e seus descendentes. No Rio de Janeiro, onde grande parte da população negra recém-liberta se estabeleceu, o samba ganhou força nas periferias, em festas marcadas por cantos, crenças e movimentos que eram proibidos pela sociedade racista da época. Os terreiros tornaram-se refúgio e liberdade: espaços onde a cultura negra podia florescer sem perseguição.
Essa história também foi construída pela coragem de mulheres que desafiaram estruturas. Tia Ciata, mesmo sob repressão policial, manteve suas rodas vivas e abriu caminho para o que viria depois. Leci Brandão, primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira, e Dona Ivone Lara, primeira compositora do Império Serrano, romperam barreiras e pavimentaram a estrada para que tantas outras pudessem existir com reconhecimento, pertencimento e voz.
Hoje, o que antes era espaço majoritariamente masculino se transformou: as rodas de samba femininas são realidade e símbolo de resistência e autonomia.
O samba tem uma magnitude que precisa e merece sempre ser reconhecida. Ele é cura, é reza, é encantamento. É a memória viva da ancestralidade africana que sustenta a cultura brasileira.
E essa história segue se transformando. Um exemplo disso é a presença do samba nas Paradas do Orgulho LGBTQIA+. Durante anos, esse estilo não aparecia nesses eventos. A mudança começou com o trabalho de Leci Brandão Cover (Éric Tomas) em São Paulo, levando o samba às celebrações da diversidade e, depois, a outras cidades como Rio de Janeiro, Iguape, Santos, Ferraz de Vasconcelos e tantas outras. Um gesto que uniu ancestralidade, cultura e orgulho.
Hoje, ao celebrarmos o Dia e a Semana Estadual do Samba, celebramos também a resistência de quem manteve essa chama acesa.
Saravá às mulheres do samba, aos terreiros, aos tambores, às esquinas, às famílias e a todos que fazem do samba um patrimônio vivo do nosso país.
Viva o dia nacional do Samba !
