O asfalto treme e as luzes de neon piscam no compasso de 170 BPM. No epicentro dessa explosão sonora, surge uma figura que desafia rótulos e redefine o que significa ser um “mandrake” hoje. Zumbicore, o autointitulado Príncipe do Mandelão, está reescrevendo as regras do funk paulista, provando que o grave mais pesado da periferia também pode ser um hino de liberdade e diversidade.
Do Underground ao Trono Digital
A trajetória de Zumbicore é uma lição de autenticidade. Transitando entre a estética Cybercore e a nostalgia dos anos 2000, o artista não apenas canta o funk; ele o projeta. Com um passado ligado à gastronomia e uma visão aguçada para o audiovisual, ele transformou seus clipes em verdadeiras peças de arte pop periférica.
Desde 2021, sua ascensão foi meteórica. Ao misturar as batidas secas do Mandelão com influências que vão do Rock à música eletrônica, ele furou a bolha dos fluxos e conquistou centenas de milhares de ouvintes mensais.

A Força do Coletivo: Parcerias que Fazem História
Ninguém governa um reino sozinho, e a força de Zumbicore reside na sua conexão com a cena Funk Queer. Ele entende que a representatividade não é um ato isolado, mas uma construção coletiva. Suas parcerias são pilares fundamentais dessa nova era:
- Com Dornelles e Christopher Luz: No hit “Putífero Pro Max”, ele uniu forças com outros expoentes da cena para criar um hino que celebra a liberdade sexual sem pedir licença.
- Nos Trios Elétricos: Sua liderança no Trio Bissexual na Parada do Orgulho de São Paulo não foi apenas uma performance, mas um marco político, levando a estética do “fluxo” para o coração da maior manifestação LGBTQIAPN+ do mundo.
- Conexão Periférica: Zumbicore colabora constantemente com dançarinos e produtores das comunidades, garantindo que o seu som mantenha a digital da rua, enquanto abre portas para que outros artistas dissidentes ocupem os mesmos espaços.
“A importância de Zumbicore está em mostrar que o corpo bissexual e LGBTQ+ não é apenas um convidado no funk, mas um protagonista que dita tendências.”
O Hit do Momento: “Picolé”
Se 2025 foi o ano da consolidação, 2026 começa com o pé no acelerador. Seu mais recente lançamento, “Picolé”, é a prova viva de sua versatilidade. A faixa é um Mandelão puro: agressivo, dançante e feito para os paredões.

O single mantém a tradição da “putaria” de forma lúdica e estética, acompanhado de um visual que reafirma Zumbicore como um ícone da moda urbana brasileira. É o som perfeito para o verão, unindo a malandragem paulistana com a sofisticação de um artista que sabe exatamente onde quer chegar.
O Futuro é Agora
Zumbicore não está apenas ocupando um espaço; ele está expandindo os horizontes de um gênero inteiro. Ao levar a pauta da bissexualidade e da diversidade para dentro dos fluxos, ele quebra preconceitos com a força de um kick de bateria. O Príncipe do Mandelão segue coroado, e seu reino é cada vez mais inclusivo.

