O acesso ao lenacapavir marcou a abertura da AIDS 2026, a primeira Conferência Mundial de HIV realizada na América do Sul

Portal Inhaí
2 Min Read


Por Alfonso Silva Santisteban

Um grupo de ativistas interrompeu a cerimônia de abertura para exigir preços justos para os antirretrovirais. A Rede Latino-Americana pelo Acesso a Medicamentos pediu que o Brasil emitisse licenças compulsórias para produzir versões genéricas do lenacapavir. O país já recorreu a esse mecanismo nos anos 2000.

O lenacapavir é um antirretroviral injetável, administrado a cada seis meses, que demonstrou eficácia próxima de 100% na prevenção da infecção pelo HIV. Sua incorporação poderia ampliar o acesso à prevenção entre as populações mais afetadas pela epidemia na região.

O medicamento foi desenvolvido pela Gilead e testado, entre 2021 e 2024, em homens gays e mulheres trans da Argentina, do Brasil, do Peru e do México. No entanto, esses países ficaram de fora das licenças voluntárias firmadas pela empresa neste ano, que preveem a oferta do medicamento por US$ 40 por pessoa ao ano em 120 países.

Na América Latina, apenas Bolívia, Honduras, Nicarágua, República Dominicana e Venezuela foram incluídos. Os demais países precisam pagar valores que chegam a milhares de dólares por pessoa ao ano.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou, em coletiva de imprensa, que não chegou a um acordo com a Gilead para a compra do medicamento devido aos “preços estratosféricos” cobrados pelo laboratório.

A América Latina segue sendo uma das poucas regiões do mundo onde as novas infecções por HIV continuam aumentando. Embora hoje existam ferramentas biomédicas capazes de conter a epidemia, o acesso ainda é condicionado pelo preço dos medicamentos mais eficazes, pelas barreiras nos serviços de saúde e pela discriminação enfrentada pelas populações mais afetadas.



Por Midia Ninja

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *