
Quem é Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, deve usar uma prótese na perna e pode precisar de cirurgia plástica após ficar gravemente ferido em ataques dos Estados Unidos e de Israel, segundo reportagem do jornal “The New York Times”.
Khamenei foi escolhido por um conselho de clérigos após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, que comandava o país desde 1989 e foi morto em um bombardeio dos EUA e Israel em 28 de fevereiro. Desde então, o novo líder não fez aparições públicas.
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Atualmente, ele está escondido e sob cuidados médicos, com acesso extremamente restrito. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, que também é cirurgião cardíaco, e o ministro da Saúde participam do tratamento, de acordo com o jornal.
Ele teve uma das pernas operada três vezes e aguarda uma prótese. Também passou por cirurgia em uma das mãos e está recuperando os movimentos. Queimaduras no rosto e nos lábios dificultam a fala, e ele pode precisar de cirurgia plástica.
Apesar dos ferimentos, autoridades iranianas afirmam que Khamenei está lúcido e participa das decisões.
Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã, em foto de outubro de 2024
Hamed Jafarnejad/ISNA/WANA/Reuters
Por questões de segurança, mensagens chegam até ele por meio de uma cadeia de mensageiros, que transportam bilhetes escritos à mão até seu esconderijo, segundo o The New York Times. Suas orientações retornam pelo mesmo caminho.
O significa ser o líder supremo no Irã: No sistema teocrático iraniano, concentra o poder máximo do Estado. O cargo é ocupado por um clérigo xiita escolhido por uma assembleia de 88 aiatolás. O líder supervisiona o presidente eleito e comanda instituições paralelas, incluindo a Guarda Revolucionária.
Militares ganham poder
A combinação de preocupações com a segurança, os ferimentos e a dificuldade de acesso levou Mojtaba Khamenei a delegar decisões aos generais, de acordo com o jornal.
Na prática, segundo o New York Times, o poder está concentrado em uma ala militar linha-dura, enquanto a influência dos clérigos diminui.
De acordo com o veículo, facções reformistas e ultraconservadoras continuam participando de discussões políticas, mas analistas dizem que os laços próximos de Khamenei com os militares — com quem lutou na guerra Irã-Iraque quando jovem — os tornaram a força dominante.
“Mojtaba ainda não tem controle total”, disse Sanam Vakil, diretora do programa para o Oriente Médio e Norte da África da Chatham House ao The New York Times “Há deferência a ele, ele participa formalmente das decisões, mas neste momento recebe decisões praticamente já tomadas.”
Segundo o jornal, a Guarda Revolucionária do Irã, criada para proteger a Revolução Islâmica de 1979, atualmente, exerce várias funções no comando do país.
“Mojtaba não é ‘supremo’ como o pai”, disse Ali Vaez, do International Crisis Group. “Ele depende da Guarda Revolucionária, pois deve sua posição e a sobrevivência do sistema a ela.”
Os generais da Guarda Revolucionária passaram a liderar decisões estratégicas e o uso de recursos. Eles também usaram os ganhos militares com o fechamento do Estreito de Ormuz para fortalecer a sua posição.
Foram eles que definiram a estratégia de ataques, o fechamento do estreito, o cessar-fogo temporário e a retomada de negociações com os EUA.
Segundo o jornal, o presidente e o governo civil foram relegados a funções administrativas, como garantir abastecimento.
G1
Novo líder do Irã receberá prótese na perna e deve passar por cirurgia plástica no futuro, diz jornal
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