
A menopausa não deveria ser um período de sofrimento, como muitas mulheres relatam. No entanto, diversos fatores contribuem para que essa fase seja desafiadora: alimentação inadequada, sedentarismo e, acima de tudo, a influência da nossa cultura. Desde muito cedo, as mulheres são ensinadas a ver seus ciclos como um problema, e isso impacta diretamente a maneira como vivenciam o climatério e a menopausa. Apesar das dificuldades, há formas naturais e eficazes de passar por esse período com mais equilíbrio e saúde.
Compreendendo a menopausa e a saúde através da Naturopatia
O Dr. Áureo e a enfermeira Maria Helena, do Vale do Capão – Bahia, trazem uma visão integrativa e naturopática sobre a menopausa. Segundo eles, a média de idade em que as mulheres entram no climatério e na menopausa é de 45 anos. Mas, mais do que entender apenas o aspecto biológico dessa fase, é essencial empoderar as mulheres sobre sua própria saúde e incentivá-las a cuidar do próprio corpo. Afinal, cada pessoa deve ser responsável pelo seu bem-estar.
Compreendendo a menopausa e o climatério
A menopausa marca a última menstruação e só é confirmada após um ano sem ciclos menstruais. Antes disso, o corpo passa por uma fase chamada climatério, caracterizada por menstruações irregulares e diversas mudanças hormonais. O estrogênio, hormônio essencial para o corpo feminino, não deixa de ser produzido completamente, mas sua quantidade reduz progressivamente. Para compensar essa mudança, o organismo utiliza mecanismos naturais, como a conversão da testosterona em estrona pela glândula suprarrenal e pelos ovários.
Mulheres com maior percentual de gordura corporal tendem a sentir menos os sintomas da menopausa, pois a gordura facilita essa conversão hormonal. Já mulheres muito magras podem sofrer mais, pois seu corpo tem menos reserva para essa transformação.
A influência da cultura e do estilo de vida
O sofrimento associado à menopausa não é apenas biológico, mas também cultural. A sociedade patriarcal criou estigmas sobre os ciclos femininos, rotulando as mulheres como “loucas” ou “descontroladas” durante as variações hormonais. Isso faz com que muitas rejeitem sua própria natureza cíclica.
Além disso, padrões econômicos, como a ideia de jornadas de trabalho exaustivas, ignoram os ritmos naturais do corpo humano, impondo um modelo de produtividade que desconsidera a necessidade de descanso e regeneração.
No entanto, culturas onde as mulheres são muito oprimidas durante a fase fértil demonstram que, ao chegarem à menopausa, elas ganham mais liberdade. Isso acontece em países como Índia e Península Arábica, onde, após essa fase, muitas mulheres são isentas de obrigações sociais impostas durante a juventude. Isso sugere que a forma como a menopausa é vivida está profundamente ligada às construções sociais e culturais.
A importância da alimentação e da naturopatia
A naturopatia propõe um olhar integral para a menopausa, valorizando a alimentação como uma ferramenta essencial para manter o equilíbrio hormonal e reduzir sintomas. Estudos mostram que mulheres vegetarianas possuem maior quantidade de fitoestrógenos na urina, o que contribui para uma transição mais suave.
Alimentos ricos em fitoesteróides, como tahine, gergelim, abacate, banana, nozes, pistache, sementes de girassol, soja, aveia, leguminosas, hortaliças, azeite cru e maracujá, são altamente recomendados. Esses compostos vegetais ajudam a modular os hormônios naturalmente, reduzindo os sintomas da menopausa.
Outras recomendações importantes incluem:
- Preferir alimentos integrais e naturais.
- Evitar o consumo excessivo de carne, pois pode gerar inflamação.
- Moderar o consumo de laticínios e priorizar queijos curados e leites vegetais.
- Evitar líquidos junto com refeições, preferindo beber antes ou depois.
- Priorizar frutas e sementes no café da manhã, acompanhadas de alimentos ricos em fibras.
- Controlar a suplementação, pois o excesso de vitaminas e minerais pode ser prejudicial.
Plantas medicinais e terapias naturais
A naturopatia também recomenda o uso de plantas que modulam os hormônios e oferecem suporte ao organismo durante essa fase. Algumas das mais eficazes incluem:
- Alcaçuz: antioxidante e anti-inflamatório, não indicado para hipertensos.
- Alfafa: regula a tireoide, a prolactina e o colesterol.
- Agnocasto: ajuda no equilíbrio hormonal, reduz fogachos e ansiedade.
- Sálvia: rica em fitoestrógenos, alivia suores noturnos e melhora a digestão.
- Trevo vermelho: previne osteoporose, reduz fogachos e ansiedade.
- Maca peruana: estimula a produção hormonal e melhora a energia e o bem-estar.
Além das ervas medicinais, terapias naturais como hidroterapia e geoterapia também são recomendadas. Métodos como banhos vitais, banhos de assento, cataplasmas de argila e lavagens intestinais auxiliam na regulação do organismo e no alívio dos sintomas.
A relação entre emoções e menopausa
A forma como a mulher encara essa fase também influencia sua experiência. Mulheres com autoestima elevada e que se sentem realizadas, mesmo sem uma alimentação perfeita ou prática intensa de exercícios, podem passar pelo climatério sem grandes dificuldades. Isso demonstra que o emocional, o físico e o espiritual estão profundamente conectados.
Estudos indicam que mulheres religiosas rígidas em relação à sexualidade apresentam mais problemas ginecológicos, enquanto freiras que não praticam sexo não apresentam sintomas da menopausa. Isso sugere que um único padrão de comportamento não determina a saúde feminina.
A medicina convencional e a indústria farmacêutica
Muitos estudos médicos são financiados pela indústria farmacêutica, o que direciona a pesquisa para o desenvolvimento de medicamentos em vez de explorar os benefícios de uma alimentação saudável e terapias naturais. A medicina convencional se baseia, em grande parte, na lógica do tratamento da doença, enquanto a naturopatia busca a prevenção e o equilíbrio do organismo.
Os hospitais, clínicas e planos de saúde dependem de pessoas doentes para manterem seu funcionamento. Assim, o estilo de vida moderno, caracterizado por uma alimentação inadequada e rotinas exaustivas, acaba favorecendo o adoecimento da população.
Algumas reflexões
A menopausa não precisa ser encarada como um período de sofrimento. Através da naturopatia, da alimentação equilibrada e do respeito ao corpo, é possível viver essa fase de maneira mais leve e saudável. Além disso, é fundamental questionarmos os padrões culturais que influenciam negativamente a experiência da menopausa, promovendo um olhar mais natural e respeitoso para o ciclo feminino.
Ouvir os mais velhos, valorizar a sabedoria ancestral e integrar práticas naturais ao nosso dia a dia pode transformar não apenas a menopausa, mas toda a nossa relação com a saúde e o bem-estar. Afinal, corpo, mente e espírito são uma coisa só.r por esse período com saúde e bem-estar, sem precisar recorrer a tratamentos agressivos ou artificiais. O segredo está em respeitar os ciclos naturais e viver essa transição de forma consciente e harmoniosa.