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Na Globo, Lula se destaca e rebate mentiras e ofensas de Flávio Bolsonaro no último debate

Presidente confrontou declarações do adversário e defendeu políticas públicas em debate marcado por ataques pessoais e informações falsas O post Na Globo, Lula se destaca e rebate mentiras e ofensas de Flávio Bolsonaro no último debate apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Vinicius Francisco

Flávio Bolsonaro (PL) tentou colocar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na defensiva durante o último debate presidencial, realizado pela TV Globo na sexta-feira (23). Mas, ao longo da noite, foi o senador quem precisou dar explicações sobre votações, declarações antigas e acusações envolvendo sua atuação política. Lula aproveitou os questionamentos para defender políticas públicas e confrontar informações apresentadas pelo adversário.

O debate passou por temas centrais da campanha, como custo de vida, endividamento das famílias, saúde, segurança pública e programas sociais. Flávio insistiu nas críticas à economia e prometeu melhorar o poder de compra da população. Lula rebateu com dados sobre seus governos e cobrou detalhes das propostas do candidato do PL.

A discussão esquentou quando Flávio chamou Lula de “nove dedos”, numa referência à perda de um dedo da mão esquerda em um acidente de trabalho. O presidente se indignou e lembrou que começou a trabalhar ainda adolescente. Disse que o senador desconhece a realidade de quem precisa ganhar a vida desde cedo e cobrou respeito aos milhões de brasileiros que sofreram acidentes profissionais.

Lula também criticou o adversário por ter começado sua trajetória política com o apoio do pai, Jair Bolsonaro. Pressionado, Flávio pediu desculpas pela expressão, embora tenha retomado as críticas ao presidente logo depois.

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Quando o assunto foi o Bolsa Família, Lula recuperou uma antiga declaração de Flávio, que já havia chamado o programa de “bolsa-farelo”. O senador tentou defender o legado do pai, afirmando que Jair Bolsonaro havia elevado o benefício para R$ 600. O aumento realmente ocorreu em agosto de 2022, mas tinha validade somente até dezembro daquele ano. A proposta de Orçamento para 2023 enviada pelo próprio governo Bolsonaro previa um benefício médio de R$ 405,21. O piso de R$ 600 foi estabelecido no novo Bolsa Família pela Lei nº 14.601, sancionada por Lula em junho de 2023.

Outra cobrança envolveu o voto de Flávio contra a ampliação da licença-maternidade das servidoras públicas do Rio de Janeiro. Em 2009, quando era deputado estadual, ele foi o único parlamentar a votar contra a proposta que aumentava o período de quatro para seis meses. Questionado por Lula, reconheceu que estava errado e disse que hoje votaria de outra maneira.

O senador ainda prometeu criar a Casa da Mulher Brasileira, iniciativa que já existe há mais de uma década. O programa foi criado em 2013, durante o governo Dilma Rousseff, e a primeira unidade foi inaugurada em 2015, em Campo Grande (MS). O serviço reúne atendimento psicológico, assistência social, segurança pública e Justiça para mulheres em situação de violência. Em agosto de 2026, o país contava com 13 unidades em funcionamento, segundo o Ministério das Mulheres.

Na segurança pública, Lula questionou a relação de Flávio com o policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de envolvimento na morte de Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, atingida por um disparo de fuzil em Niterói, no Rio de Janeiro, em 2021. O senador atuou na defesa do policial, que nega a acusação. Não há condenação definitiva que permita tratá-lo como culpado.

Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, estava na plateia. Ao tentar se dirigir a ela, Flávio confundiu seu nome com o da filha morta e a chamou de “senhora Ana Clara”. Cristiane reagiu, emocionada, e gritou que a menina havia morrido. Também chamou o candidato de mentiroso.

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Flávio também tentou associar Lula ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho, sem apresentar provas de que o presidente apoie organizações criminosas. A acusação ignora uma distinção importante: o governo brasileiro se opõe à classificação dessas facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos, mas defende o combate ao crime organizado.

Na entrevista ao Jornal Nacional, em 15 de outubro, Lula afirmou que o PCC e o Comando Vermelho aterrorizam comunidades brasileiras. Defendeu a cooperação internacional contra o tráfico, sem abrir mão da legislação e da soberania do país. Em 8 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral determinou a remoção de publicações de Flávio que associavam o presidente às facções sem fundamento factual mínimo. O senador ainda afirmou que Lula havia levado o Comando Vermelho ao Nordeste. A facção, porém, já atuava na região antes do atual governo. No Ceará, disputas envolvendo organizações criminosas foram registradas desde 2015 e 2016.

Outro ponto contestado pelo presidente foi a retirada de mecanismos de identificação de munições. Flávio alegou que não tinha responsabilidade pela proposta, já que a mudança havia sido incluída por um deputado na Câmara. A emenda realmente surgiu na Câmara, mas o senador defendeu a aprovação do projeto quando ele chegou ao Senado. Em março de 2022, durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça, pediu que o texto fosse votado sem as concessões negociadas com parlamentares contrários à proposta. A retirada da identificação de munições estava entre os pontos criticados por dificultar o rastreamento de balas usadas em crimes.

A noite também teve espaço para uma velha desinformação da família Bolsonaro. Flávio afirmou que Lula teria defendido o roubo de celulares para comprar cerveja, repetindo uma história desmentida por agências de checagem desde 2020. A acusação surgiu de uma montagem feita com trechos de uma entrevista de Lula em Pernambuco, em 2017. Na gravação original, o presidente relacionava a violência à falta de oportunidades econômicas. Em outro momento, usava as torcidas do Santa Cruz e do Sport para falar sobre convivência entre adversários, dizendo que poderiam tomar uma cerveja juntos depois de uma partida.

As duas falas foram editadas para dar a impressão de que Lula justificava o roubo de celulares para comprar bebida. Ele nunca fez essa afirmação. A montagem foi desmentida pela Agência Lupa, pela AFP e por outras equipes de checagem, mas voltou a ser usada na campanha.

Na saúde, Lula destacou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e criticou a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo Jair Bolsonaro. Também citou uma reportagem da revista piauí sobre a participação de Flávio, em julho de 2020, em uma festa numa lancha com pessoas ligadas às negociações da vacina Covaxin. O senador contestou as críticas.

Assista ao vídeo da Mídia NINJA: Lula defende o SUS e critica a condução da pandemia

As acusações de corrupção dominaram a parte final do confronto. Lula cobrou explicações sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro que recebeu recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Flávio afirmou que a Polícia Federal havia comprovado que todo o dinheiro repassado por Vorcaro foi investido na produção. O relatório não traz essa conclusão. A investigação identificou pelo menos US$ 12,3 milhões enviados ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, e ainda tenta esclarecer o destino dos recursos.

O fundo havia sido criado para um empreendimento imobiliário e passou a receber transferências relacionadas ao filme. Em outubro, a Polícia Federal solicitou mais 90 dias para aprofundar as perícias e obter registros financeiros no exterior. Portanto, a destinação final de todo o dinheiro ainda não foi esclarecida.

Lula também desafiou Flávio a abrir seus sigilos bancário e fiscal. O senador não aceitou a proposta durante o debate. Em outra declaração incorreta, afirmou que o presidente não havia declarado seu patrimônio à Justiça Eleitoral. Os registros públicos do TSE mostram que Lula informou aproximadamente R$ 4,77 milhões em bens para as eleições de 2026.

Após o debate, a jornalista Renata Lo Prete corrigiu uma afirmação de Flávio sobre a Amazônia. O senador havia misturado dados de queimadas com indicadores de desmatamento. Os números oficiais do Prodes mostram redução na derrubada da floresta, contrariando a comparação apresentada pelo candidato.

As declarações foram acompanhadas por diferentes iniciativas de checagem. O site Flávio Mentiu, que utiliza metodologia própria, contabilizou 75 afirmações do senador classificadas como falsas ou parcialmente falsas. O número não corresponde aos resultados das agências independentes, que analisaram conjuntos diferentes de declarações.

A Mídia NINJA também publicou vídeos e verificações no Instagram ao longo da noite, reunindo trechos do debate e informações sobre as falas dos candidatos.

No encerramento, Lula voltou à própria história. Lembrou o menino que vendia laranjas e engraxava sapatos, o trabalho como operário e o caminho até a Presidência da República. Falou sobre oportunidades para quem nasceu pobre e defendeu a continuidade das políticas públicas.

Flávio encerrou prometendo endurecer o combate ao crime e melhorar o poder de compra da população. Apesar das críticas que fez ao governo, passou boa parte do confronto respondendo a cobranças sobre seu histórico político e afirmações que não se sustentam diante dos documentos.

Lula também foi questionado sobre problemas de sua gestão, principalmente os juros, o custo de vida e o endividamento das famílias. Ainda assim, conseguiu apresentar realizações, defender suas propostas e cobrar do adversário respostas que, em vários momentos, ficaram incompletas.

O debate foi o último encontro entre os candidatos antes da votação deste domingo, 25 de outubro, quando os brasileiros escolherão o presidente da República para os próximos quatro anos.

Fonte: Mídia Ninja.

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