Morreu aos 92 anos o autor Manoel Carlos, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira. Conhecido carinhosamente como Maneco, ele enfrentava problema de saúde nos últimos anos, incluindo a Doença de Parkinson. A família confirmou o falecimento, ocorrido no Rio de Janeiro.

Com uma carreira que atravessou mais de seis década, Manoel Carlos construiu novelas que entraram para a história da televisão, como Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida e Em Família. Seu estilo era marcado por tramas realista, conflitos familiares intenso e personagens femininas fortes — quase sempre chamadas Helena.

REPRESENTAÇÃO LGBT
Embora seu foco principal fossem relações familiares, Manoel Carlos também abriu espaço, ainda que timidamente, para personagens LGBTQIA+. Um dos momentos mais emblemático foi em Em Família (2014), com o casal Clara e Marina, interpretas por Giovanna Antonelli e Tainá Müller. A relação entre as duas culminou em casamento e beijo em horário nobre, um marco para a representatividade lésbica na TV aberta.
Outros novelas do autor também trouxeram personagens LGBT em núcleos secundário, contribuindo para ampliar o debate sobre diversidade em um período em que a televisão ainda caminhava a passos lentos nesse tema.
LEGADO
Mantel Carlos deixa um legado que vai além do entretenimento. Suas histórias ajudaram a moldar o imaginário coletivo brasileiro, abordando amor, preconceito, conflitos geracional e transformações socais. Sua morte marca o fim de uma era, mas suas obras seguem vivas na memória afetiva do público.

A teledramaturgia brasileira se despede de um mestre, cuja escrita ajudou a contar, por década, as dores, afetos e contradições do país — incluindo, ainda que aos poucos, as vivências da população LGBT.
