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Ministro do Interior do Paraguai renuncia e volta ao Senado para julgar impeachment de Peña, diz imprensa paraguaia

1 de 3 Santiago Peña e Enrique Riera durante cerimônia em Assunção, em dezembro de 2025. — Foto: Daniel Duarte/AFP Santiago Peña e Enrique Riera durante cerimônia em Assunção, em dezembro de 2025. — Foto: Daniel Duarte/AFP O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise política que ameaça o mandato do presidente Santiago Peña. Com a saída do governo, Riera…

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Santiago Peña e Enrique Riera durante cerimônia em Assunção, em dezembro de 2025. — Foto: Daniel Duarte/AFP

Santiago Peña e Enrique Riera durante cerimônia em Assunção, em dezembro de 2025. — Foto: Daniel Duarte/AFP

O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise política que ameaça o mandato do presidente Santiago Peña. Com a saída do governo, Riera voltará a ocupar uma cadeira no Senado, que retoma nesta sexta-feira (6) o julgamento do processo de impeachment contra o presidente. A informação foi divulgada pela imprensa paraguaia.

    Segundo o jornal ABC Color, que teve acesso ao decreto que oficializa a mudança, Peña aceitou a renúncia de Riera e nomeou Carlos Humberto Benítez González como ministro do Interior interino.

    Benítez continuará também exercendo as funções de vice-ministro de Segurança Interna, segundo o documento.

    A renúncia ganha peso por causa do momento político no Paraguai. Riera era senador antes de assumir o Ministério do Interior e agora retorna ao Congresso justamente quando o Senado analisa se Peña deve ser afastado definitivamente da Presidência.

    Segundo o ABC Color, a saída do ministro faz parte de uma estratégia para que ele reassuma imediatamente sua cadeira no Senado e participe do julgamento político de Peña.

    Com a volta de Riera, Ramón Catalino Retamozo Delgado, que ocupava a cadeira como suplente desde que o então senador passou a integrar o governo, deixa a vaga.

    Horas antes de ter a própria renúncia confirmada, Riera também foi responsável por levar pessoalmente ao Congresso a carta em que Peña comunicava a intenção de deixar a Presidência, segundo o ABC Color.

    A tentativa do presidente de renunciar, no entanto, não encerrou a crise. O Congresso não aceitou o pedido, e Peña permaneceu no cargo enquanto o processo de impeachment avançava.

    Crise começou com quebra de banco

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    Agência do Ueno Bank fechada em Pedro Juan Caballero. — Foto: Nádia Nicolau/TV Morena

    Agência do Ueno Bank fechada em Pedro Juan Caballero. — Foto: Nádia Nicolau/TV Morena

    O Paraguai enfrenta uma profunda crise política após a quebra do Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos.

    Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação do banco após identificar insuficiência de recursos para cobrir as obrigações da instituição. O problema estava relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco.

    O Ueno tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

    Peña, que é economista, foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025.

    A crise bancária chegou ao Congresso na quinta-feira. Deputados da oposição apresentaram pedidos de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. Entre as acusações contra o presidente estão possíveis conflitos de interesse, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. A oposição também acusou o Banco Central de encobrir irregularidades.

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    Policiais em frente ao Congresso do Paraguai durante o andamento da sessão extraordinária que começou a julgar o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña — Foto: Daniel Duarte/AFP

    Policiais em frente ao Congresso do Paraguai durante o andamento da sessão extraordinária que começou a julgar o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña — Foto: Daniel Duarte/AFP

    A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo contra Peña. O pedido contra Alliana foi rejeitado.

    Horas depois, Peña anunciou que pretendia renunciar. Em um vídeo publicado nas redes sociais, pediu desculpas aos clientes prejudicados pelo colapso do banco e afirmou que havia tomado a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas.

    A renúncia precisava ser aprovada pelo Congresso. Durante a sessão, porém, parlamentares do Partido Colorado, de Peña, deixaram o plenário depois de perceberem que não havia votos suficientes para aceitar a saída do presidente. Sem quórum, a sessão foi suspensa e a renúncia não foi confirmada.

    O Senado iniciou então o julgamento do impeachment na noite de quinta-feira.

    Peña deverá comparecer ao Senado nesta sexta-feira, a partir das 10h, para apresentar sua defesa. Depois disso, os senadores devem dar continuidade ao julgamento que poderá determinar a saída definitiva do presidente do cargo.

    Fonte: G1.

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