
Ronaldo Salgado, filho de Lorenzo Salgado, o mexicano morto pelo ICE
Danielle Villasana / Getty Images
Ronaldo e Lorenzo Salgado, filhos do motorista Lorenzo Salgado Araujo, ainda tentam digerir a morte do pai, baleado por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) na semana passada. Os irmãos afirmaram, em entrevista à TV americana CBS, que o choque ainda não passou.
Ronaldo, o filho mais velho, disse que carrega um sentimento de culpa por não ter chegado ao local antes do confronto. Já Lorenzo afirmou que ainda não sabe se conseguirá aceitar a morte do pai. O mexicano vivia nos Estados Unidos havia 35 anos.
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“Eu não sabia o que fazer. Ninguém nunca está preparado para algo assim. Senti raiva, é claro: meu pai foi tirado de mim”, afirmou Ronaldo. “Eu me sinto muito culpado por não estar lá. Eu poderia salvá-lo, ou, pelo menos, vê-lo por uma última vez”, disse, em lágrimas.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que Lorenzo estava em situação irregular nos Estados Unidos. O órgão admitiu, porém, que a operação tinha como alvo outra pessoa e que os agentes encontraram o mexicano durante a ação.
Já o ICE alega que ele tentou fugir durante uma operação de fiscalização em uma abordagem em Houston, no Texas, em 7 de julho. De acordo com a polícia migratória, o agente disparou após Salgado usar a van que dirigia para tentar atropelar os policiais. A família contesta essa versão e diz que ele nunca ofereceria risco aos agentes nem a ninguém.
🔎 Desde o início de seu novo governo, em janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou em prática ações de caça e prisão de imigrantes que vivem nos EUA. Durante a campanha eleitoral, ele prometeu expulsar do país todos os estrangeiros em situação irregular no país.
Ao longo dos últimos cinco dias de junho, os agentes do ICE detiveram 10 mil pessoas, de acordo com um levantamento feito pela agência de notícias norte-americana Associated Press e pelo jornal “The New York Times” com base em dados do Departamento de Segurança Interna.
Proporcionalmente, o número é o maior desde que as batidas contra imigrantes do governo de Donald Trump começaram, segundo a Associated Press — neste ano, a média de detenções era de 30 mil por mês.
Americanos protestam contra o ICE após morte de colombiano
Abordagens a carros suspensas
No início da semana, os EUA registraram mais uma morte similar à do motorista mexicano.
Na última segunda-feira (13), um cidadão colombiano também foi baleado e morto por um agente de imigração em Biddeford, uma pequena cidade no sul do Maine. Ele estava com a situação migratória em dia.
As duas mortes levaram o governo dos EUA a orientar na última terça (14) que os agentes da polícia migratória parassem de fazer abordagens a carros. A medida valeira para os agentes do ICE responsáveis por prender e deportar imigrantes em situação irregular.
Pela ordem, todas as abordagens de trânsito deveriam ser suspensas, a não ser que houvesse um mandado de prisão contra alguém em um veículo. Nesses casos, a abordagem deveria ser feita com apoio de outras forças de segurança.
Na quarta, no entanto, Trump contradisse seu próprio governo e afirmou que o ICE continuará com as operações nas estradas para combater a imigração irregular.
“NÃO PODEMOS abrir mão de uma das ferramentas mais importantes e eficazes do I.C.E. contra o crime: AS BLITZES DE TRÂNSITO!”, declarou Trump em sua plataforma Truth Social.
G1
'Meu pai foi tirado de mim': o desabafo do filho do motorista mexicano morto pelo ICE
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