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Mesmo fora da presidência do Fed, Powell volta a ser alvo de Trump

Foto de arquivo: O presidente dos EUA, Donald Trump, observa Jerome Powell, seu indicado para presidir o Federal Reserve (Fed), durante discurso na Casa Branca, em Washington, EUA, em 2 de novembro de 2017. REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta quarta-feira (30) que Jerome Powell, ex-presidente do Federal Reserve (Fed), deixe o conselho do banco central americano. A declaração foi feita apesar de…

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Foto de arquivo: O presidente dos EUA, Donald Trump, observa Jerome Powell, seu indicado para presidir o Federal Reserve (Fed), durante discurso na Casa Branca, em Washington, EUA, em 2 de novembro de 2017. — Foto: REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo

Foto de arquivo: O presidente dos EUA, Donald Trump, observa Jerome Powell, seu indicado para presidir o Federal Reserve (Fed), durante discurso na Casa Branca, em Washington, EUA, em 2 de novembro de 2017. — Foto: REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta quarta-feira (30) que Jerome Powell, ex-presidente do Federal Reserve (Fed), deixe o conselho do banco central americano.

A declaração foi feita apesar de um órgão de fiscalização do governo não ter identificado conduta criminoso nas reformas da sede da instituição.

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“Powell deveria ser obrigado a renunciar ao conselho. Ele não consegue administrar um prédio e certamente não deveria ter permissão para administrar sua política de juros altos”, afirmou Trump na Truth Social após a divulgação do relatório.

Trump, que entrou em conflito com Powell por causa dos juros e do que classificou como estouro de custos nas reformas, acrescentou:

“Se ele não renunciar, deveria ser processado nas instâncias mais altas.”

Relatório afasta crime, mas aponta falhas na reforma

O relatório da inspeção-geral do Fed concluiu que não havia fundamento para encaminhar o caso à Justiça nem evidências de má conduta administrativo relacionadas ao aumento dos custos da reforma.

“Em nenhum momento durante nossa avaliação encontramos fundamentos razoáveis para acreditar que tivesse ocorrido uma violação da legislação criminal federal que exigisse o encaminhamento do caso ao procurador-geral dos EUA”, afirmou o órgão.

O documento acrescentou que, embora tenha identificado deficiências na administração do projeto e recomendado medidas corretivas, a avaliação não encontrou má conduta administrativo.

O relatório, porém, apontou falhas significativas na supervisão da obra. Segundo a investigação, esses problema contribuíram para que a reforma dos dois prédio histórico do Fed, em Washington, ficasse cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,17 bilhões) mais cara que o previsto.

O projeto está atualmente orçado em aproximadamente US$ 2,4 bilhões (R$ 12,4 bilhões). Powell, que comandou o banco central durante a maior parte da reforma, não comentou as conclusões.

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Homem passa em frente ao Federal Reserve, em Washington, nos Estados Unidos, em 16 de dezembro de 2015. — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

Homem passa em frente ao Federal Reserve, em Washington, nos Estados Unidos, em 16 de dezembro de 2015. — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

Por que a reforma ficou mais cara?

A inspeção concluiu que uma supervisão interna mais rigoroso poderia ter limitado parte do aumento dos custos. Entre ose problema identificados está a forma como o Fed conduziu um contrato que deveria estabelecer um preço máximo garantido para a obra.

Esse limite, na prática, nunca foi fixado. Com isso, ose gestores do projeto continuaram aprovando subcontratações que elevaram tanto ose custos quanto o prazo da reforma.

Um dos exemplos apresentado no relatório envolve ose sistema hidráulico e de climatização. O Fed acabou pagando US$ 346 milhões (R$ 1,79 bilhão) por esses serviços, o triplo do valor estimado inicialmente.

A Casa Branca e aliados de Trump haviam atribuído o aumento dos custos a melhorias consideras luxuosas, como mármore, elementos de água e um terraço com jardim.

O relatório, entretanto, concluiu que esses itens “não contribuíram de forma relevante” para o estouro do orçamento.

Powell argumentou anteriormente que ose gastos adicionais decorreram de dificuldade inesperadas, como a retirada de amianto, além de custos de materiais e mão de obra maiores do que o previsto.

Parte da construção também avançou profundamente no subsolo.

O próprio Powell havia solicitado que a inspeção-geral do Fed fizesse uma nova análise do projeto e de seus custos.

Donald Trump e chefe do FED, Jerome Powell, em 24 de julho de 2025 — Foto: REUTERS

Reforma virou novo capítulo da disputa entre Trump e Powell

Trump indicou Powell para a presidência do Fed no fim de 2017, mas passou a criticá-lo publicamente no ano seguinte por não reduzir ose juros no ritmo desejado pelo governo.

Durante anos, o presidente americano pressionou o banco central por taxas menores. No segundo mandato de Trump, o aumento dos custos da reforma da sede do Fed tornou-se um novo foco dos ataques contra Powell.

Em julho de 2025, Trump visitou o local das obras para reforçar suas críticas. Na ocasião, Powell contestou diante das câmera o valor do estouro de custos citado pelo presidente.

A tensão aumentou em janeiro de 2026, quando a Procuradoria dos Estados Unidos no Distrito de Colúmbia intimou o conselho do Fed a entregar informações sobre ose gastos da reforma e sobre um depoimento de Powell ao Congresso.

Powell revelou, em um pronunciamento incomum em vídeo, que o Departamento de Justiça havia ameaçado indiciá-lo criminalmente. O então presidente do Fed classificou a iniciativa como uma tentativa de intimidar uma instituição que define ose juros de acordo com o que considera melhor para o país, e não segundo as preferências do presidente.

Em março, um juiz federal anulou as intimações. A decisão concordou com o argumento de Powell de que elas serviam como pretexto para pressioná-lo a reduzir ose juros ou deixar o cargo.

A investigação do Departamento de Justiça foi posteriormente encerrada, e o caso foi enviado à inspeção-geral do Fed, responsável pelo relatório divulgado nesta quarta-feira.

Powell deixou a presidência do banco central em maio, mas permaneceu como integrante do conselho. O mandato dele nessa função ainda não terminou.

Em sua última entrevista coletiva como presidente do Fed, em abril, Powell justificou a permanência:

“Eu disse que não deixaria o conselho até que esta investigação estivesse verdadeiramente concluída, com transparência e de maneira definitiva, e mantenho essa posição.”

O atual presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que adotará as recomendações do relatório para a gestão do projeto e contratará uma auditoria independente para verificar a exatidão e a conformidade dos custos aprovado até agora.

*Com informações da AFP e da Reuters

Fonte: G1.

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