Manifestação em Copacabana questiona patrocínio de gigantes do refrigerante à Copa do Mundo

Portal Inhaí
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Em meio à realização da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, jovens mobilizadores da Rede Não Bata, Eduque (RNBE), representantes da ACT Promoção da Saúde e ativistas promovem na quarta-feira, dia 24, a partir das 16h, uma mobilização em frente à Arena Copa, em Copacabana, para questionar o patrocínio das grandes empresas de refrigerantes aos principais eventos esportivos do planeta.

A ação integra a campanha internacional “Tirem o Refrigerante de Campo”, que expõe e questiona a presença das gigantes de bebidas açucaradas na publicidade associada a equipes, atletas e competições esportivas. O objetivo é ampliar o debate público sobre os impactos desses produtos para a saúde e para o meio ambiente, além de pressionar a FIFA a não renovar, a partir de 2030, contratos de patrocínio com empresas do setor.

Os organizadores defendem que o futebol, uma das manifestações culturais mais populares do mundo, deve estar associado à promoção da saúde, da atividade física e do bem-estar, e não à publicidade de produtos ligados ao aumento de doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, câncer e obesidade.

“Quando uma criança vê seu ídolo, seu time ou a maior competição do planeta associada a uma marca de refrigerante, ela recebe uma mensagem poderosa. Estamos aqui para lembrar que o futebol pertence aos torcedores, não às marcas. Queremos que outros jovens como nós possam fazer escolhas informadas e conscientes”, afirma Daniel Nascimento, mobilizador e comunicador da RNBE.

Segundo dados utilizados pela campanha, bebidas açucaradas estão associadas a 2,2 milhões de novos casos de diabetes tipo 2 e 1,2 milhão de casos de doenças cardíacas anualmente em todo o mundo. No Brasil, estima-se que quase 13 mil mortes por ano estejam relacionadas ao consumo desses produtos.

Além disso, aproximadamente 712 mil crianças e adolescentes brasileiros apresentam excesso de peso ou obesidade associados ao consumo de bebidas açucaradas. O refrigerante figura entre os alimentos ultraprocessados mais consumidos no ambiente escolar. “O debate não é sobre culpabilizar consumidores. É sobre compreender como estratégias sofisticadas de marketing associam produtos prejudiciais à saúde a valores positivos como esporte, sucesso e felicidade. O futebol tem enorme poder de influência social e deve refletir valores coerentes com a promoção da saúde”, destaca Viviane Tavares, especialista da ACT Promoção da Saúde.

Os organizadores apontam ainda uma contradição entre o discurso institucional da FIFA sobre bem-estar e sustentabilidade e a manutenção de contratos com empresas cujos produtos estão associados a doenças e à degradação ambiental, com excesso de uso de água, descarte de embalagens plásticas e despejo de efluentes nos corpos hídricos.

A campanha questiona ações promocionais direcionadas ao público jovem, incluindo estratégias de marketing integradas a produtos ligados à Copa do Mundo. Entre os exemplos citados está a utilização de promoção que condiciona a compra de bebidas para a aquisição de figurinhas do álbum oficial do evento, a prática de venda casada é proibida no Brasil.

Para os participantes do ato, retirar o refrigerante de campo seria um passo semelhante ao que ocorreu com a indústria do tabaco. Há quatro décadas, a FIFA deixou de exibir publicidade de cigarros em seus eventos. Agora, defendem os organizadores, é hora de revisar a associação entre futebol e bebidas prejudiciais à saúde.

A mobilização contará com intervenções artísticas, distribuição de materiais informativos e diálogo com torcedores e turistas que circulam pela orla de Copacabana.

SERVIÇO

Mobilização da campanha Tirem o Refrigerante de Campo
Data: 24/06/2026
Horário: 16h
Local: Em frente à Arena Copa, Copacabana – Rio de Janeiro
Realização: ACT Promoção da Saúde, CECIP e Rede Não Bata, Eduque (RBNE)





Por Midia Ninja

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