O endividamento deixou de ser uma ferramenta para ter acesso à casa própria, comprar um carro ou reformar a casa: para milhões de argentinos, contrair dívidas se tornou uma forma de complementar uma renda que já não é suficiente para cobrir as necessidades básicas.
A organização Endeudados Organizados alerta que essa realidade atinge mais de 20 milhões de pessoas. “O crédito que se toma hoje é para complementar a renda salarial”, explicou Vanesa Bittoco, representante da organização. Os empréstimos são usados para comprar alimentos e medicamentos, renovar ou pagar o aluguel, além de cobrir serviços e impostos. “Não é uma televisão nem um carro. Hoje estamos apenas tentando sustentar tudo com arame”, afirmou.
A essa situação se somam as condições de financiamento. Bittoco alertou que algumas carteiras digitais aplicam taxas que, dependendo da pessoa e de seu scoring, podem variar de 30% a 1.370%.



Fotos: Shok Argentina
Na semana passada, a reivindicação chegou novamente ao Congresso, em uma jornada que reuniu diferentes setores afetados pelas políticas do governo de Javier Milei. “Várias lutas, várias frentes muito afetadas se uniram: pessoas com deficiência, endividados e aposentados”, explicou Bittoco. A mobilização voltou a mostrar que a deterioração da renda atravessa diferentes setores e começa a se traduzir em reivindicações articuladas nas ruas.
Esse cenário terá um novo protesto no próximo 19 de setembro, com a Marcha da Bronca, quando aposentados, trabalhadores, pessoas com deficiência, endividados e diferentes organizações sociais voltarão às ruas em defesa de seus direitos.
