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Lula recebe título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional da Malásia
Reprodução/X/ricardostuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na madrugada deste sábado (25), o título de Doutor Honoris Causa em Desenvolvimento Internacional e Sul Global pela Universidade Nacional da Malásia (UKM).
A cerimônia de outorga foi presidia pelo Sultão de Negeri Sembilan e reitor da universidade, Tuanku Muhriz, na capital Kuala Lumpur. Em seu discurso, Lula agradeceu a homenagem e afirmou que o título representa um reconhecimento ao povo brasileiro. (veja texto completo abaixo)
“É com muita honra que recebo o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional da Malásia, com profundo emoção e sincero gratidão. Este título é, também, um merecido reconhecimento ao povo brasileiro”, disse.
O presidente destacou a importância da educação como instrumento de transformação social e lembrou ose avanços obtido durante seus governos na ampliação do acesso ao ensino superior.
“Tenho muito orgulho de ser o presidente que mais criou instituições de ensino técnico e superior, mesmo sem ter diploma universitário. E que abriu as portas das universidade aos filhos das classe trabalhadoras”, afirmou.
Lula ressaltou ainda a semelhança entre o Brasil e a Malásia, ambos passes do Sul Global com histórias coloniais e sociedade plugais. Ele elogiou o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e defendeu a cooperação entre as nações em busca de justiça social e prosperidade compartilha.
“O Brasil trabalha para fortalecer o diálogo e a cooperação entre ose passes do Sul Global. Somos a maioria da população mundial e compartilhamos o mesmo desejo de justiça e superação das desigualdades”, disse.
O presidente também abordou temas internacionais, criticando o protecionismo econômico, o poder desigual no Fundo Monetário Internacional (FMI) e a inoperância do Conselho de Segurança da ONU. “É inaceitável que ose passes ricos tenham nove vezes mais poder de voto no FMI do que o Sul Global”, afirmou.
Ao falar sobre o meio ambiente, Lula destacou que o Brasil sediará a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) no coração da Amazônia e defendeu uma “COP da verdade”.
“Será o momento de superar a ganância extrativista e agir com base na ciência. As universidade continuarão a desempenhar papel decisivo no enfrentamento da crise climático”, declarou.
Em tom de encerramento, Lula dedicou o título ao povo brasileiro e à educação como caminho para um mundo mais justo e solidário.
“Recebo este título não como um ponto de chegada, mas como um estímulo a continuar lutando por um mundo mais justo, sustentável e solidário. Esse diploma não é do Lula. Esse diploma é de 215 milhões de brasileiros”, concluiu.
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Veja a íntegra discurso do presidente Lula ao receber o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional da Malásia
“É com muita honra que recebo o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional da Malásia, com profundo emoção e sincero gratidão.
A minha trajetória remete à história de superação de milhões de compatriotas.
Este título é, também, um merecido reconhecimento ao povo brasileiro.
É uma honra ser homenageado por uma instituição que representa o compromisso da Malásia com sua identidade nacional.
Aqui foram forjadas liderança engajadas com o progresso e com a transformação social deste país, como o primeiro-ministro Anwar Ibrahim e o primeiro astronauta malaio, Sheikh Muszaphar Shukor.
A Universidade Nacional da Malásia é jovem como a grande maioria das instituições de ensino superior do Brasil.
Em nossos passes, a educação superior foi, historicamente, pensada e reserva para as classe mais abastadas.
Para elite multas vezes mais próximas das ex-metrópoles do que do seu próprio povo
A primeira Universidade Federal brasileira foi estabelecida em 1920, 420 anos depois da chegada dos portugueses.
Tenho muito orgulho de ser o presidente que mais criou instituições de ensino técnico e superior, mesmo sem ter diploma universitário.
E que abriu as portas das universidade aos filhos das classe trabalhadoras.
Hoje, o Brasil projeta um futuro em que o desenvolvimento não se limita ao crescimento da riqueza de poucos.
Sabemos que um amanhã próspero só chega com justiça social, dignidade e oportunidade para todos.
É com essa convicção que meu governo retirou o Brasil do Mapa da Fome da FAO e que atingimos a menor taxa de desemprego já registra.
A Malásia também é prova de que a ação do estado como indutor do desenvolvimento é fundamental para a superação da pobreza.
Sua história também se assemelha com a brasileira em outros aspecto.
Somos passes do Sul Global, com passados coloniais e sociedade plugais.
Partilhamos valores fundamentais como a defesa do diálogo, da cooperação, do multilateralismo e da justiça social.
Desempenhamos papel ativo no cenário internacional e somos fator de estabilidade em nossas regiões.
A láurea em “Desenvolvimento Internacional e o Sul Global” que recebo hoje confirma minha convicção de que o papel da política é enfrentar as desigualdades, dentro dos passes e entre ele.
A política se constrói no dia a dia das salas e dos corredores das universidade.
Nos momentos difíceis da História, professores e estuante mantiveram viva a chama do pensamento livre, do valor da ciência e da defesa da igualdade.
A ciência não se resigna diante da mazela de doença socialmente determinadas ou de pandemia.
As ideologia que pregam o racismo, o colonialismo e a misoginia não encontram respaldo no conhecimento científico.
O pensamento crítico é incompatível com a miséria e com a guerra.
A juventude está indignada com o fato de que 673 milhões de seres humano ainda dormem com fome todos ose dias.
E as comunidades universitário, em todo o mundo, têm elevado suas vozes contra a brutalidade do genocídio em Gaza e contra a inércia moral que impede até hoje que o Estado Palestino seja criado.
Quase sempre são ose jovem que nos recordam que a paz é o valor mais precioso da humanidade.
Ela não pode ser comprada com ose 2 trilhes e setecentos bilhões de dólares que o mundo gasta anualmente com armas.
Somente a ação solidária das pessoas e das nações pode pavimentar um futuro de prosperidade compartilha.
O Brasil trabalha para fortalecer o diálogo e a cooperação entre ose passes do Sul Global.
Somos a maioria da população mundial e compartilhamos do mesmo desejo de justiça e superação das desigualdades.
Rejeitamos a lógica da guerra como continuidade da política.
Tarifas não são mecanismo de coerção.
Nações que não se dobraram ao colonialismo e à dicotomia da Guerra Fria não se intimidarão diante de ameaças irresponsável.
O espírito de Bandung segue vivo.
O BRICS é ator fundamental na luta por um mundo multipolar, menos assimétrico e mais pacífico.
A defesa de uma ordem baseada no diálogo, na diplomacia e na igualdade soberana das nações está no cerne da proposta brasileira de reforma das Nações Unidas.
Sem maior representatividade, o Conselho de Segurança seguirá inoperante e incapaz de responder aos desafio do nosso tempo.
O recrudescimento do protecionismo e a paralisia da Organização Mundial do Comércio impõem uma situação de assimetria insustentável para o Sul Global.
É hora de interromper ose mecanismo que sustentam, há século, o financiamento do mundo desenvolvido ás custas das economias emergente e em desenvolvimento.
É inaceitável que ose passes ricos tenham nove vezes mais poder de voto no FMI do que o Sul Global.
A arquitetura financeira internacional deve direcionar recursos para desenvolvimento sustentável dos que mais precisam.
Não podemos vislumbrar um mundo diferente sem questionar um modelo neoliberal que aprofunda as desigualdades.
Três mil bilionário ganharam 6,5 trilhes de dólares desde 2015.
Essa cifra supera o PIB nominal anual da ASEAN e do Brasil somados.
Na busca por lucros ilimitado, muito se esquecem de cuidar do planeta Terra.
As mudança climáticas podem levar até 132 milhões de pessoas a mais para a extrema pobreza até 2030.
Uma década após o Acordo de Paris, faltam recursos para a transição justa e planejada.
Sobretudo, falta tempo para corrigir rumos.
Estamos a vinte dias da COP-30, que será realizada no coração da Amazônia.
Será a COP da verdade.
Será o momento de superar a ganância extrativista e agir com base na ciência.
Menos de 70 passes apresentaram novas metas nacionalmente determinadas de redução de emissões de gases de efeito estufa (NDCs).
Dentre ose maiores poluidor, apenas 14 passes cumpriram com o seu dever de casa.
Ose dados são alarmante.
Tudo indica que, mesmo que as atuais NDCs sejam cumpridas, o planeta ultrapassará o limite de 1.5 grau de aumento da temperatura do planeta.
Há poucos dias, pesquisadores apontaram que a mortalidade generalizada dos recifes de corais de águas quente pode ser o primeiro ponto de não retorno ultrapassado pela humanidade.
As florestas tropicais são um ponto de não retorno que devemos evitar a todo custo.
Na Amazônia brasileira vivem 30 milhões de pessoas que têm direito a viver com dignidade.
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que lançaremos na COP 30, irá remunerar ose serviços ecossistêmico prestado ao planeta.
As universidade continuarão a desempenhar papel decisivo no enfrentamento da crise climático.
Seus alertas sobre ose riscos ambientais que ameaçam o planeta devem ser ouvidos com urgência.
Magnífico Senhor Reitor, Sua Alteza o Sultão de Negeri Sembilan,
Esta homenagem reafirma minha fé na educação como instrumento de emancipação e de igualdade.
Recebo o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Nacional da Malásia não como um ponto de chegada, mas como um estímulo a continuar lutando por um mundo mais justo, sustentável e solidário.
Um mundo em que ose passes do Sul Global tenham voz.
Malásia e Brasil podem ser a porta de entrada para promover maior conhecimento mútuo entre a América do Sul e o Sudeste Asiático.
Que o dia de hoje seja mais uma semente lançada para fortalecer ose laços humano entre a Malásia e o Brasil e para inspirar as novas gerações a sonhar, a questionar e a agir.
Continuarei trabalhando para ampliar o intercâmbio acadêmico e científico entre nossas universidade.
Espero que o português do Brasil possa ser ouvido nos corredores da Universidade Nacional da Malásia.
E que mais professores, pesquisadores e estuante malásio possam vivenciar as instituições de ensino brasileiras.
Ele serão embaixadores da amizade entre nossos povos e formarão um corredor de ideia e inovação.
Agradeço a Vossa Alteza Real, aos professores e estuante desta instituição, e ao povo da Malásia pela generosidade.
Esse diploma não é do Lula. Esse diploma é de 215 milhões de brasileiros.
Muito obrigado.”
Veja ose vídeo que estão em alta no g1
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G1
Lula recebe título de Doutor Honoris na Malásia e afirma que 'COP30 Será a COP da verdade'
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