O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja da Silva receberam, nesta segunda-feira (10), no Cine Alvorada, dirigentes e integrantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), familiares de Honestino Guimarães e integrantes da equipe do filme “Honestino”. A sessão especial antecede a chegada do longa-metragem ao circuito comercial, marcada para 13 de agosto em cinemas de todo o país.
Dirigido por Aurélio Michiles e estrelado por Bruno Gagliasso, “Honestino” combina documentário e ficção para reconstruir a trajetória de um dos principais nomes do movimento estudantil brasileiro durante a ditadura militar. Honestino Guimarães foi líder estudantil da geração de 1968, presidente da UNE e estudante da Universidade de Brasília (UnB).
Militante contra o regime militar, Honestino foi preso cinco vezes. Em 1973, aos 26 anos, foi sequestrado pela ditadura e passou a integrar a lista de desaparecidos políticos do período. Seus restos mortais nunca foram encontrados.
A narrativa do filme é construída a partir de cartas, poemas e imagens de arquivo do próprio Honestino, além de depoimentos de familiares, amigos e companheiros de militância. Entre os entrevistados estão Almino Afonso, Jorge Bodanzky e Franklin Martins. As passagens dramatizadas são interpretadas por Bruno Gagliasso, que dá vida ao líder estudantil.
A presença dos familiares de Honestino, de representantes da UNE e da equipe do longa na sessão no Cine Alvorada reforçou o caráter de memória e homenagem da pré-estreia. O encontro reuniu diferentes gerações em torno da trajetória de um personagem que se tornou símbolo da resistência estudantil à ditadura militar brasileira.
Para Bianca Borges, presidenta da UNE, a chegada do filme aos cinemas também representa uma oportunidade de recuperar a história da entidade e de seus militantes. “A UNE nasceu na era Vargas e chegou à maioridade na luta contra a ditadura militar. Honestino representa coragem para enfrentar o autoritarismo e recusa ao silêncio”, afirma.
Segundo Borges, preservar essa trajetória também é uma forma de enfrentar o apagamento histórico. “A memória é uma arma política”, declarou a presidenta da UNE.
Antes de chegar ao circuito comercial, “Honestino” percorreu importantes festivais brasileiros. O longa foi exibido no Festival do Rio, onde recebeu o Troféu Redentor de Melhor Montagem, e também integrou a programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O filme é uma produção da Mercado Filmes, produtora independente sediada em Brasília e atuante desde 1999. A empresa tem entre seus trabalhos os longas “O Pastor e o Guerrilheiro”, de José Eduardo Belmonte, e “O Outro Lado do Paraíso”, de André Ristum, além de séries como “Brasil Clássico Caipira”, “Impressões do Brasil” e “Impressões do Mundo”.
Nascido em Manaus, em 1952, Aurélio Michiles atua no cinema e na televisão desde os anos 1980. O diretor estudou no Instituto de Artes e Arquitetura da Universidade de Brasília e, posteriormente, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro.
Ao longo da carreira, Michiles dirigiu documentários para a televisão e realizou trabalhos para diferentes emissoras. Entre seus filmes está “O Cineasta da Selva”, de 1997, longa que recebeu prêmios nacionais e internacionais e aborda a trajetória do cineasta português Silvino Santos na Amazônia.
Outro destaque de sua filmografia é “Segredos do Putumayo”, lançado em 2022. O documentário recebeu, entre outros reconhecimentos, o Prêmio APCA, o Prêmio de Melhor Filme do Sesc e o Prix du Public de Melhor Filme no Festival de Nice.
Em “Honestino”, o diretor volta a utilizar o cinema como ferramenta de investigação histórica e de preservação da memória. A combinação entre documentos de arquivo, testemunhos e dramatização busca aproximar o público da trajetória pessoal e política do líder estudantil.






