Por Sé Souza
O cineasta Kleber Mendonça Filho revelou o título e novos detalhes de seu próximo longa-metragem durante uma coletiva de imprensa na 36ª edição do Cine Ceará, em Fortaleza. Intitulado “O Correspondente Estrangeiro”, o projeto será ambientado nos anos 1930 e tem Wagner Moura como o ator com quem o diretor deseja voltar a trabalhar após a parceria em “O Agente Secreto”. A produção ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento.
A história terá como cenário o Recife durante o governo de Getúlio Vargas e abordará a chegada de alemães à capital pernambucana com o objetivo de disseminar propaganda nazista na região. O recorte histórico aproxima o novo trabalho de temas como autoritarismo, política e a circulação de ideologias extremistas no Brasil.
Durante a conversa, Kleber contou que está mergulhado na pesquisa histórica para desenvolver o roteiro. O cineasta brincou que, diferentemente dos anos 1970, período retratado em seu filme mais recente, não possui lembranças pessoais dos anos 1930. Para construir a narrativa, já separou uma bibliografia de 14 livros que pretende ler e investigar, e manifestou o desejo de contar novamente com Wagner Moura no elenco.
“Eu preciso ler muito, eu estou neste momento com uma pilha de 14 livros que eu preciso ler e investigar. Eu quero fazer com o Wagner”, afirmou.
O diretor também explicou que chegou a interromper a escrita do roteiro em agosto, em um momento de grande preocupação com o cenário político brasileiro. A apreensão estava relacionada às eleições presidenciais de 2026, especialmente à possibilidade de Lula perder a disputa no segundo turno e o fascismo chegar ao poder. O contexto eleitoral afetou seu processo criativo e fez com que ele não conseguisse avançar na escrita naquele período.
“Eu estava preocupado com o Brasil”, afirmou. Em seguida, explicou que havia chegado a um ponto em que não conseguia mais escrever o roteiro.
Além de “O Correspondente Estrangeiro”, o cineasta revelou que desenvolve outro projeto, desta vez um documentário de arquivo sobre o Recife dos anos 1990. A década, segundo ele, foi fundamental para sua formação pessoal e artística. O trabalho parte da investigação de imagens e registros históricos do período, em um processo que tem despertado seu entusiasmo.
“Eu estou trabalhando num outro filme, que é um filme de arquivo sobre os anos 90 no Recife, que é uma década que foi muito formadora para mim como pessoa e como artista. E quanto mais eu procuro o arquivo, eu acho. É incrível trabalhar com arquivo”, contou.
Kleber também destacou a importância da preservação da memória audiovisual brasileira e a necessidade de ampliar a consciência sobre a conservação desses materiais. O documentário ainda está em desenvolvimento e, conforme o próprio diretor descreveu, atravessa uma fase de descobertas e experimentações criativas.
A revelação dos projetos aconteceu durante a 36ª edição do Cine Ceará, que segue até 13 de novembro, em Fortaleza. Homenageado na cerimônia de abertura ao lado da produtora Emilie Lesclaux, Kleber Mendonça Filho recebeu o Troféu Eusélio Oliveira em reconhecimento à sua contribuição para o cinema brasileiro.
Fonte: Mídia Ninja.
