Israel e Líbano retomam negociações nesta quinta nos EUA, um dia após ataque matar jornalista libanesa

Portal Inhaí
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Jornalista, Amal Khalil foi morta nesta quarta-feira (22) no sul do Líbano
Mohammed Zaatari / AP
Uma nova rodada de negociações em Washington entre os embaixadores do Líbano e de Israel está prevista para ocorrer nesta quinta-feira (23). O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deve participar da reunião, que ocorre um dia após ataque israelense matar a jornalista libanesa Amal Khalil no sul do Líbano.
O ataque também feriu uma fotógrafa que acompanhava Khalil, segundo um alto oficial militar libanês e o empregador da jornalista, o jornal Al-Akhbar.
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que a embaixadora libanesa em Washington, Nada Moawad, pedirá a extensão do cessar-fogo e o fim das demolições realizadas por Israel em vilarejos do sul.
➡️ Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo de dez dias em 16 de abril. O anúncio foi feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Um funcionário libanês disse que Beirute quer a extensão da trégua como pré-condição para ampliar as negociações além do nível de embaixadores, avançando para uma próxima fase em que o Líbano pressionaria pela:
Retirada israelense
Devolução de libaneses detidos em Israel
Definição da fronteira terrestre.
Donald Trump anuncia cessar-fogo entre Israel e Líbano
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse em discurso que o país tomou uma “decisão histórica de negociar diretamente com o Líbano após mais de 40 anos”, ao mesmo tempo em que chamou o país de “Estado falido”.
“Vamos trabalhar juntos contra o Estado terrorista que o Hezbollah construiu em seu território”, disse Saar, dirigindo-se ao Líbano.
Líbano e Israel permanecem oficialmente em estado de guerra desde a criação de Israel, em 1948.
A principal autoridade xiita do Estado libanês, o presidente do Parlamento Nabih Berri, é contra negociações diretas com Israel, afirmando que Beirute poderia negociar de forma indireta.
O principal líder político druso do Líbano, Walid Jumblatt, disse na terça-feira que o máximo que o país pode oferecer é uma atualização do acordo de armistício de 1949 com Israel.
Israel e Hezbollah vão cumprir o cessar-fogo?
Ataque que matou jornalista
Não houve comentário imediato do Exército israelense sobre a morte de Khalil. Mais cedo, os militares israelenses afirmaram em um comunicado que haviam recebido relatos de que dois jornalistas ficaram feridos como resultado de seus ataques.
A morte de Khalil, de 43 anos, elevou o número de mortos nesta quarta-feira para cinco pessoas. Foi o dia mais letal desde que um cessar-fogo de 10 dias foi anunciado em 16 de abril para interromper as hostilidades entre Israel e o grupo armado libanês Hezbollah.
Khalil e a fotógrafa freelancer Zeinab Faraj cobriam os acontecimentos perto da cidade de al-Tayri quando um ataque israelense atingiu o veículo à frente delas. Elas correram para uma casa próxima, que também foi alvo de um ataque israelense, segundo o Ministério da Saúde do Líbano, o alto oficial militar libanês e defensores da imprensa.
Socorristas libaneses conseguiram resgatar Faraj, que sofreu um ferimento na cabeça, de acordo com Elsy Moufarrej, responsável pelo Sindicato dos Jornalistas no Líbano.
Quando os socorristas retornaram para ajudar Khalil, o Exército israelense lançou uma granada de efeito sonoro, impedindo o acesso ao prédio danificado, disseram Moufarrej e o alto oficial militar.
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou que o ataque a jornalistas e a obstrução dos esforços de resgate constituem “crimes de guerra”.
“O Líbano não poupará esforços para levar esses crimes às instâncias internacionais competentes”, disse ele na rede X.
O Ministério da Saúde afirmou que o Exército israelense “impediu a conclusão da missão humanitária ao disparar uma granada de efeito sonoro e munição real contra a ambulância”.
Os socorristas conseguiram retornar ao local cerca de quatro horas após o ataque inicial. Após mais três horas de buscas entre os escombros, conseguiram recuperar o corpo sem vida da jornalista, disse o alto oficial militar.
O Al-Akhbar anunciou a morte em seu site. Em comunicado anterior, o Exército israelense negou ter impedido as equipes de resgate de chegar à área.
Carros cruzaram linha de defesa do Hezbollah, diz Israel
O Exército israelense disse ter identificado dois veículos que deixaram uma estrutura militar usada pelo grupo armado libanês Hezbollah e cruzaram a “linha avançada de defesa”, termo usado pelos militares israelenses para se referir à delimitação da área do sul do Líbano ocupada por suas tropas.
Segundo os militares, os carros “se aproximaram das tropas de forma que representava uma ameaça imediata à sua segurança”, e por isso um dos veículos foi atingido, seguido de um prédio próximo. O Exército israelense afirmou que não tem como alvo jornalistas.
Duas pessoas morreram no primeiro ataque ao carro, informou a mídia estatal libanesa.
Em março, um ataque aéreo israelense matou três jornalistas no sul do Líbano, com os militares israelenses afirmando que haviam atingido um dos repórteres.
Ataque aéreo israelense mata jornalistas no Líbano
Mais de 2,4 mil pessoas foram mortas no Líbano desde que Israel lançou uma ofensiva em resposta ao ataque do Hezbollah em 2 de março, segundo autoridades libanesas.
Israel tomou uma faixa de território na fronteira onde suas tropas permanecem, afirmando que busca criar uma zona de amortecimento para proteger o norte de Israel de ataques do Hezbollah, que disparou centenas de foguetes contra o país durante o conflito.
*Com informações da Reuters.



G1

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