Intervenções artísticas fecham o ELLA Norte com chave de ouro

Portal Inhaí
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Por Anna R de Souza

O ELLA Norte encerra com um quê de “até logo” e deixa seu legado em intervenções artísticas de mulheres sobre mulheres. O chacoalhar das latas de Emy no graffiti em tela se misturou com o balanço do batuque liderado por Larissa Mê e sua banda. Em entrevista para a NINJA, as duas falaram dos desafios de ser mulher em meios predominantemente masculinos. 

A peça “Resistir (2026)” de Emily trouxe elementos das letras de pixo únicas da cena de Hip-Hop paraense. O graffiti é um dos cinco pilares do movimento, junto do RAP de MC, breakdance, DJ e o quinto e mais importante elemento: Conhecimento, que se trata da consciência social e política como base para os outros pilares. O relato de Emy, para inspiração da peça, trata do quinto elemento como norteador para construção não somente da peça mas de sua arte como todo: “A gente precisa resistir pra existir, nós mulheres, independente de raça. E é isso”. 

A pele roxa da “persona”, personagem no dicionário do graffiti, é sua marca registrada e leva a tatuagem das cinco regiões do Norte nas costas, colocando, literalmente, o peso do Brasil nas costas de uma mulher. 

Foto: Mark Maia

O segundo momento teve como protagonista Larissa Mê e sua banda de instrumentistas convidadas. Larissa, a vocalista, trabalha com arte há 27 anos, ela descreve a música como ar que respira mas que, infelizmente, não é sua fonte principal de renda.

Foto: Mark Maia

A arte tanto para ela quanto para Emy, são sinônimos de resistência e, no ELLA, puderam apresentar seu trabalho autoral, pensado e assinado por elas. Além de compositora, ela é percussionista e enxergou no evento a oportunidade de ser vista pela sua arte e do olhar de outras mulheres, por isso, ela é grata. 

Acompanham ela as musicistas Melina Fôro e Ruth Saldanha no violão e percussão, nessa noite. A guitarrista, Melina, enxerga o momento como potencializador, para que outras mulheres se interessem pela profissão de instrumentalista, “Aqui em Belém a gente é muito carente disso, de mulheres que tocam, a gente tá aqui em sinônimo de resistência e mostrando para os homens que a gente veio para ficar, que o nosso espaço é inegociável”, afirma.

Ruth, a percussionista, desabafa sobre a luta para que uma mulher seja reconhecida como igual por seus pares do gênero oposto, “É um presente estar aqui”, completa. 

A programação se encerra, então, em um legado de resistência, deixado pelas ancestrais e continuado por nós, representado na tinta e na música de mulheres que conhecem o peso dessa responsabilidade.



Por Midia Ninja

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