Infantino enfrenta denúncia no COI por aproximação política com Donald Trump – OCenário

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FairSquare acusa presidente da Fifa de violar repetidamente as regras de neutralidade política do movimento olímpico. Queixa cita manifestações favoráveis a Trump e pede investigação sobre possível interferência no caso do atacante Folarin Balogun durante a Copa do Mundo.


Relação entre Infantino e Trump chega ao Comitê Olímpico

A relação entre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a ser questionada formalmente no Comitê Olímpico Internacional.

A organização de defesa dos direitos humanos FairSquare apresentou uma denúncia à Comissão de Ética do COI acusando Infantino de violar as regras de neutralidade política previstas na Carta Olímpica e no Código de Ética da entidade.

Segundo a organização, o dirigente teria manifestado repetidamente apoio político a Trump por meio de declarações públicas, publicações nas redes sociais e participação em eventos relacionados ao presidente norte-americano.

A FairSquare sustenta que existem indícios de cinco violações claras das normas de neutralidade, além de outras duas situações consideradas graves que precisam ser investigadas.

Infantino ainda não foi considerado culpado de qualquer infração. A queixa será analisada pela estrutura ética do COI, que decidirá se existem elementos suficientes para abrir uma investigação formal.


Infantino também é membro do COI

Além de comandar a Fifa, Infantino integra o Comitê Olímpico Internacional desde janeiro de 2020.

Ao assumir a função, ele prestou o juramento exigido dos membros da entidade, comprometendo-se a respeitar a Carta Olímpica, cumprir o Código de Ética e agir de maneira independente de interesses políticos e comerciais.

Esse vínculo permite que o COI avalie sua conduta mesmo que os episódios citados tenham ocorrido no exercício da presidência da Fifa.

A Carta Olímpica determina que as organizações esportivas devem manter autonomia diante de governos e aplicar o princípio da neutralidade política.

A versão atualizada do documento também estabelece que o movimento olímpico deve atuar livre de pressões governamentais, culturais, sociais e econômicas.

Para a FairSquare, o comportamento de Infantino ultrapassou uma relação institucional necessária com o governo de um dos países-sede da Copa e passou a demonstrar apoio pessoal e político a Trump.


Caso Balogun está no centro da controvérsia

Um dos episódios mais graves apresentados na denúncia envolve o atacante Folarin Balogun, da seleção dos Estados Unidos.

O jogador recebeu cartão vermelho direto durante a vitória norte-americana por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, em 1º de julho, pela fase eliminatória da Copa do Mundo.

Pelas regras disciplinares, Balogun deveria cumprir suspensão na partida seguinte, contra a Bélgica, disputada em 6 de julho pelas oitavas de final.

Na véspera do confronto, entretanto, a punição foi convertida em uma espécie de suspensão condicional. A Fifa utilizou o artigo 27 de seu código disciplinar para permitir que o atacante entrasse em campo.

Balogun participou da partida, mas os Estados Unidos foram eliminados após perderem para a Bélgica por 4 a 1.

A mudança da punição provocou forte repercussão porque ocorreu depois de Donald Trump admitir publicamente que havia telefonado para Infantino e pedido a revisão do caso.


Trump pressionou pela liberação do jogador

Donald Trump defendeu publicamente a presença de Balogun na partida e afirmou ter procurado o presidente da Fifa para tratar da suspensão.

A intervenção de um chefe de Estado em uma decisão disciplinar de uma competição esportiva levantou dúvidas sobre a independência do processo.

A FairSquare pede que o COI investigue se Infantino participou direta ou indiretamente da mudança da punição ou se utilizou sua posição para atender à solicitação de Trump.

A organização também quer esclarecer se houve pressão política sobre o órgão disciplinar responsável pela análise.

Infantino reconheceu ter recebido a ligação do presidente norte-americano, mas negou qualquer interferência. Segundo ele, a decisão foi tomada de maneira independente pela estrutura disciplinar da Fifa.

Até o momento, não foi apresentada prova conclusiva de que Infantino tenha ordenado a liberação do jogador. É justamente essa possível interferência que a FairSquare pede que seja investigada. Reuters


Procedimento disciplinar também foi questionado

A forma como o caso de Balogun foi analisado aumentou as dúvidas sobre a decisão.

Segundo informações citadas na denúncia, a revisão teria sido conduzida pelo presidente do Comitê Disciplinar da Fifa, Mohammad Al Kamali, sem a participação habitual de um grupo maior de integrantes.

A FairSquare considera necessário esclarecer por que a punição foi modificada, quais argumentos jurídicos foram apresentados e se o procedimento adotado seguiu o padrão utilizado em casos semelhantes.

A entidade também pede que sejam divulgadas eventuais comunicações entre Infantino, Trump e integrantes da Fifa antes da liberação do atacante.

A discussão não se limita ao resultado de uma partida. Uma interferência política em decisões disciplinares colocaria em dúvida a igualdade de tratamento entre seleções, atletas e países.


ONG aponta outras manifestações favoráveis a Trump

O caso Balogun não é o único episódio mencionado na denúncia.

A FairSquare reuniu declarações e aparições públicas de Infantino que, segundo a organização, demonstram uma proximidade incompatível com as obrigações de neutralidade de um integrante do COI.

Em janeiro de 2025, depois de participar de um evento relacionado à posse presidencial de Trump, Infantino publicou uma mensagem nas redes sociais na qual utilizou uma adaptação do lema político “Make America Great Again”.

Na avaliação da ONG, a repetição de um slogan diretamente associado ao movimento político de Trump representaria mais do que uma manifestação protocolar.

A denúncia também cita declarações posteriores nas quais Infantino teria defendido Trump para o Prêmio Nobel da Paz e elogiado publicamente a atuação do presidente norte-americano.


Boné fazia referência aos dois mandatos de Trump

Outro episódio ocorreu durante a participação de Infantino no chamado “Conselho da Paz”, evento promovido por Trump em fevereiro.

O presidente da Fifa apareceu usando um boné com a inscrição “USA” e os números “45-47”.

A mensagem faz referência aos dois períodos de Donald Trump na Presidência dos Estados Unidos, como 45º e 47º ocupante do cargo.

Para a FairSquare, o uso do acessório e a participação no evento reforçam a percepção de alinhamento político.

A organização argumenta que Infantino não estava apenas mantendo contato institucional com o governo norte-americano, mas associando a imagem da Fifa e sua própria posição a símbolos vinculados à trajetória política de Trump.


Prêmio da Paz entregue a Trump também é citado

A denúncia menciona ainda a entrega do primeiro Prêmio da Paz da Fifa a Donald Trump, em dezembro de 2025, durante o sorteio da Copa do Mundo.

A FairSquare já havia questionado se a criação da premiação foi devidamente aprovada pelo Conselho da Fifa e quais critérios foram utilizados para escolher o presidente dos Estados Unidos como primeiro homenageado.

A organização considera que a homenagem pode representar uma declaração política favorável a Trump.

A Fifa, por outro lado, apresentou a premiação como um reconhecimento à atuação do presidente norte-americano em iniciativas relacionadas à paz.

A controvérsia envolve a falta de informações claras sobre o processo de criação do prêmio, o regulamento, a escolha do vencedor e a participação dos demais integrantes da direção da entidade.


A segunda situação adicional apontada como potencialmente grave envolve um site de torcedores relacionado à Copa do Mundo de 2026.

Segundo a FairSquare, Infantino teria ajudado a promover uma plataforma que poderia fazer parte de uma campanha de coleta de dados operada por entidades ligadas a Trump.

A ONG pede que o COI investigue quem controlava o site, quais informações pessoais eram coletadas e com que finalidade poderiam ser utilizadas.

A suspeita é de que dados de torcedores pudessem ser aproveitados para objetivos políticos.

A acusação ainda precisa ser comprovada. A denúncia não estabelece, por si só, que Infantino conhecia ou autorizou qualquer utilização política das informações.


Cinco possíveis violações são apontadas

A FairSquare afirma ter identificado cinco manifestações ou condutas que representariam apoio político claro a Donald Trump.

Além delas, o caso Balogun e a promoção do site de torcedores são apresentados como dois episódios que exigem apuração adicional.

A queixa argumenta que o conjunto das situações demonstra um padrão, e não apenas um contato ocasional entre o presidente da Fifa e o governo de um país-sede da Copa.

A proximidade institucional entre a entidade e as autoridades dos Estados Unidos é esperada, especialmente durante a organização de uma competição realizada no país.

O ponto de discussão é saber quando essa relação deixa de ser institucional e passa a representar apoio político pessoal.


Neutralidade é exigida pela Carta Olímpica

A Carta Olímpica determina que membros do COI devem cumprir as normas da organização e preservar a independência do movimento esportivo.

Ao ingressar no comitê, Infantino se comprometeu a atuar de maneira independente de interesses comerciais e políticos.

O Código de Ética também prevê respeito ao princípio da universalidade e da neutralidade política.

Na interpretação da FairSquare, um dirigente esportivo não pode utilizar a visibilidade do cargo para promover um governante, uma campanha ou um projeto político.

A própria autonomia do esporte dependeria da capacidade de suas entidades resistirem a pressões governamentais.

A Carta permite a expulsão de um integrante em situações graves, como violação do juramento, prejuízo consciente aos interesses do COI ou comportamento considerado incompatível com o cargo. Carta Olímpica


Denúncia ainda passará por análise

A apresentação da queixa não significa que Infantino sofrerá automaticamente alguma punição.

A Comissão de Ética deverá analisar os documentos, as declarações e os episódios citados para decidir se abre uma investigação.

Caso o processo avance, Infantino deverá ter oportunidade de apresentar explicações e documentos.

O COI poderá solicitar informações à Fifa, ouvir pessoas envolvidas e examinar as comunicações relacionadas ao caso Balogun.

As consequências dependerão da gravidade de uma eventual violação e das normas aplicadas ao caso. Elas podem variar de uma advertência ou recomendação ética até medidas mais severas.

A expulsão do COI aparece como uma possibilidade prevista pelas regras, mas seria uma consequência extrema e dependeria de um procedimento formal e de uma decisão da entidade.


Fifa ainda não respondeu à nova acusação

Até a divulgação das informações sobre a denúncia, a Fifa e o COI não haviam apresentado uma resposta detalhada sobre a nova queixa.

Infantino já havia negado interferência na decisão que permitiu a participação de Balogun contra a Bélgica.

A defesa do dirigente deverá diferenciar suas funções como presidente da Fifa, responsável por manter relações com governos, de suas obrigações pessoais como membro do movimento olímpico.

Também deverá demonstrar que as decisões disciplinares da Copa foram tomadas de forma independente.

O esclarecimento sobre a cronologia da ligação de Trump, a análise da suspensão e a liberação do jogador será um dos pontos centrais do caso.


FairSquare já havia denunciado Infantino à Fifa

Esta não é a primeira denúncia apresentada pela FairSquare contra o dirigente.

Em dezembro de 2025, a organização protocolou uma queixa no Comitê de Ética da própria Fifa, também por supostas violações do dever de neutralidade política.

A entidade confirmou o recebimento, mas, segundo a FairSquare, não informou se houve avanço para uma investigação formal.

A Federação Norueguesa de Futebol pediu, em junho, que a denúncia fosse examinada conforme as regras de governança da Fifa.

No fim do mesmo mês, 50 integrantes do Parlamento Europeu enviaram uma carta defendendo que a entidade analisasse as acusações e demonstrasse compromisso com transparência e responsabilização.

Agora, a FairSquare tenta levar o debate a uma estrutura diferente, utilizando a condição de Infantino como membro do COI.


Caso coloca governança da Fifa novamente sob pressão

A denúncia surge durante a fase decisiva da Copa do Mundo e amplia o debate sobre a relação entre futebol, poder político e interesses comerciais.

A Fifa precisa dialogar com governos para organizar partidas, garantir segurança, emitir vistos, administrar fronteiras e coordenar infraestrutura.

Essa necessidade, entretanto, não deveria conceder a governantes poder sobre regras disciplinares ou decisões esportivas.

O caso Balogun se tornou particularmente sensível porque envolve o presidente de um país anfitrião defendendo publicamente um jogador de sua própria seleção.

A posterior mudança da suspensão, mesmo que tenha ocorrido dentro das regras disciplinares, criou uma aparência de interferência que exige explicações transparentes.

A análise do COI deverá determinar se a proximidade entre Infantino e Trump permaneceu dentro dos limites institucionais ou violou o dever de neutralidade.



TV Cenário

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