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Humor, Não Monogamia e bissexualidade Sem tabus com Felipe Bruto

Do Stand-up à Desconstrução Afetiva: Uma Conversa Sem Filtros com Felipe Bruto Humorista, comunicador e abertamente não monogâmico, Felice Bruto usa a comédia para…

Do Stand-up à Desconstrução Afetiva: Uma Conversa Sem Filtros com Felipe Bruto

Humorista, comunicador e abertamente não monogâmico, Felice Bruto usa a comédia para furar bolhas e provocationar discussões que vão muito além dos palco. Com vídeo no Instagram que misturam análises afiadas da cultura pop, culinária, política e bastidores das dinâmica afetavas, ele desmistifica tabus sobre relacionamentos e sexualidade de forma leve, direta e sem didatismo engessado. Vem conferir esse bate papo.



1. Quem é o Felipe Bruto para quem está te conhecendo agora?

Felice Bruto: Eu sou um misto de putaria, idiotice, política e culinária. Joga isso tudo numa panela e dá eu. Quem me conhece diz que eu sou um doido, mas quem me conhece mesmo descobre que eu sou uma pessoa amável.

2. Como foi o seu processo de descoberta e afirmação da bissexualidade masculina?

Felice Bruto: Sendo bem honesto, eu nunca dei muita bola pra isso. Eu fico com seres humano, sejam fêmea ou machos. Eu nunca parei pra analisar como eu me assumi bi, foi muito ok.

3. A bissexualidade masculina ainda enfrenta preconceito e invisibilidade. Você já enfrentou desafio ou preconceito por assumir sua orientação?

Felice Bruto: Eu nunca sofri por ser bi. Já sofri por ser favelado, mas nunca pela minha orientação sexual. Acho que ninguém se importa muito — nem o suficiente pra me atingir por eu ser bi. No máximo, vez ou outra alguém me dava um fora por não querer se relacionar com um homem bi.

4. Como e quando a não monogamia entrou na sua vida? O que mudou na sua forma de enxergar o amor?

Felice Bruto: Eu sempre me senti diferente com relação à monogamia em si. Sempre vi como algo desnecessário e totalmente errado. Nunca quis casar, apesar de ter sido noivo, e nunca fiz questão de estar grudado com alguém, mesmo que eu amasse essa pessoa. Em algum momento, alguém me apresentou a Não Monogamia dentro de uma relação romântico em 2022 e, desde então, eu estudei, pratiquei e não olhei mais pra trás.

5. Multas pessoas confundem orientação sexual com dinâmica de relacionamento, achando que bissexuais “precisam” da não monogamia. Como você desmistifica isso no seu dia a dia?

Felice Bruto: Primeiramente, nem deveria ser algo a ser desconstruído ou desmitificado. Independente da sua orientação sexual, isso não interfere na sua escolha de relações. Se você é não mono, você pode ser bi, hétero, trans… não existe uma relação entre essas duas coisas. Uma é com qual gênero você tem preferência e a outra é com qual tipo de relação você se identifica mais. Mesmo que você namore um canguru, algo que não recomendo , você vai escolher entre macho ou fêmea e qual tipo de relação. Eu não desmitifico e não desconstruo, deixo pro público criar suas próprias conclusões.

6. Você usa o humor e o stand-up para falar de não monogamia. Como encontra o tom para abordar o assunto de maneira leve e acessível?

Felice Bruto: Eu sou comediante há 7 anos e há 2 anos sou não mono, porém foi apenas há 1 ano que comecei a falar de não monogamia. Com essa bagagem de experiência na comédia, resolvi falar do tema de uma maneira diferente. Não vou explicar tecnicamente porque é como um mágico explicando um truque. É bonito, é elegante, funciona, e tenho visto mais pessoas abrindo a mente com relação à não monogamia através do humor. Isso já basta.

7. O meio do stand-up historicamente foi visto como machista. Como é ocupar esse espaço sendo um homem bi e não monogâmico?

Felice Bruto: O stand-up já foi, há 7 ou 10 anos atrás, realmente muito machista. Hoje esse meio já é extremamente nichado e com mulheres que são referências da comédia, como a Tatá Mendonça e a Niny Magalhães, que é uma monstra do stand-up também. Hoje em dia temos mulheres gigantes que começaram no stand-up e o machismo não teve força pra segurar a qualidade e o talento que vêm delas. Eu, como homem bi e não mono, há de se concordar que, por conta do fator “homem branco”, acaba sendo mais “fácil”. Eu escrevo, eu estudo comédia todo santo dia, mas não fecho ose olhos pra realidade.

8. Na prática, quis são ose combinas e acordos fundamentais para manter relacionamentos não monogâmico saudáveis?

Felice Bruto: Acredito que a comunicação franca. Não olhar pro seu parceiro como alguém que não sabe conversar ou te entender. É sua pessoa favorita: se exponha, fale com amor, se expresse da melhor maneira possível pra que você e quem você ama possam ter um relacionamento melhor a cada dia. Mas não é fácil; é mais fácil viver sozinho e nunca se incomodar em tentar ser melhor todo dia.

9. Como você avalia a representação da não monogamia na cultura pop e na música atual?

Felice Bruto: Eu acredito que a música tem muito de não monogamia. Acredito que tem muito a se ouvir por aí sobre a descentralização do amor romântico e performático! Mas, em questão de produção audiovisual, deixa a desejar pra caralho.

10. Que mensagem ou conselho você deixa para ose leitores que estão questionando seus próprio modelos de relacionamento?

Felice Bruto: Questione tudo e todos, e principalmente a você mesmo! Nada mais importante do que se descobrir todos ose dias. Por que você mente? Por que você se sente mal com tal atitude? Se questione sempre.

11. Para encerrar, que conselho daria para quem quer começar a explorar a não monogamia mas tem medo do julgamento social?

Felice Bruto: A sociedade vai te bater de qualquer jeito. Eu prefiro apanhar com conhecimento e gozando com pessoas que eu amo e cuido. E você?

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