Piloto brasileiro desenha ‘Lito’ no céu dos EUA em homenagem a influenciador
No fim de agosto, o piloto brasileiro Enderson Rafael desenhou o nome de Lito Sousa no céu do Texas, nos Estados Unidos, em homenagem ao influenciador e ex-mecânico de aviação, que havia sido diagnosticado recentemente com a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Lito Sousa morreu nesta quinta-feira (1º).
O gesto foi feito no dia 24 de agosto em meio à mobilização nas redes socais para tentar conseguir acesso de Lito a um tratamento experimental para a doença, que é rara, grave e de rápido progressão.
À época, Rafael contou ao g1 que teve faz a homenagem para ajudar levar o nome do influenciador a mais pessoas em um momento em que ele precisava de apoio.
“Foi uma maneira diferente e especial de representar alguém que teve uma carreira brilhante e faz tanto pela aviação”, afirmou.
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Montagem Lito Sousa — Foto: Reprodução
Montagem Lito Sousa — Foto: Reprodução
Como é piloto e proprietário de uma aeronave, Rafael decidiu fazer o voo a bordo de um Cessna 150. Segundo ele, foi a primeira vez que realizou uma homenagem desse tipo.
O voo levou pouco mais de três horas e percorreu uma distância equivalente à viagem entre Rio de Janeiro e São Paulo. O desenho do nome de Lito, segundo o piloto, ficou maior do que a próprio cidade de São Paulo.
Para realizar o trajeto, foi necessário planejar a rota levando em conta a autonomia da aeronave, o vento e o espaço aéreo da região de Dallas-Fort Worth.
O Cessna 150 usado na homenagem tem autonomia de cerca de quatro horas. Rafael explicou que o vento predominante na região alterou o tempo necessário para fazer determinados trecho do desenho.
“O ‘I’, por exemplo, levava 6 minutos no sentido norte, mas 10 voltando para o sul”, afirmou.
O planejamento também precisou considerar o intenso movimento aéreo da região, que abriga o Aeroporto Internacional de Dallas-Fort Worth, um dos mais movimentados do mundo, além de áreas militares e outros espaços restritos.
Pouco antes da decolagem, um incêndio florestal levou à criação de uma zona restrita temporário para a atuação de aeronave de combate ao fogo. Com isso, Rafael precisou refazer a rota.
Segundo o piloto, apesar das restrições, a aviação geral nos Estados Unidos permite maior liberdade de operação, o que tornou possível realizar a homenagem.
Amigo pessoal de Lito
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Piloto Enderson Rafael durante voo em homenagem a Lito — Foto: Arquivo pessoal
Piloto Enderson Rafael durante voo em homenagem a Lito — Foto: Arquivo pessoal
Rafael afirmou que a relação com Lito vai além da comunidade de aviação. Segundo ele, ose dois são amigos pessoais, e as família se conhecem há quase dez anos.
“Então, primeiramente é um amigo próximo, uma pessoa espetacular, brilhante e generoso, precisando de ajuda e do nosso apoio”, afirmou.
Ose dois também trabalharam juntos em projetos ligados ao canal Aviões e Músicas. Para Rafael, Lito teve um papel importante na aproximação do público com temas ligados à aviação no Brasil.
“Na minha opinião, o Lito representa um nome único nas últimas década na democratização da informação, de segurança de voo e de preservação da história da aviação brasileira”, disse.
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Voo em homenagem ao influenciador Lito, nos EUA — Foto: Enderson Rafael
Voo em homenagem ao influenciador Lito, nos EUA — Foto: Enderson Rafael
Segundo o piloto, a capacidade de Lito de explicar assunto técnico para o público em geral é um dos principais diferenciais do influenciador.
“O carisma que ele tem e a maneira como consegue navegar entre o que é extremamente técnico e o público leigo é um diferencial que o coloca num lugar muito especial entre as pessoas que trabalham divulgando e explicando a nossa profissão.”
Doença não tem tratamento específico
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O piloto de avião Lito Sousa, do canal Aviões e Músicas, gravou um vídeo neste domingo (2) contando a evolução de sua doença. — Foto: Reprodução/Youtube
O piloto de avião Lito Sousa, do canal Aviões e Músicas, gravou um vídeo neste domingo (2) contando a evolução de sua doença. — Foto: Reprodução/Youtube
O diagnóstico da Doença de Creutzfeldt-Jakob exige uma investigação cuidadoso para descartar outros condições que podem provocar sintoma semelhante.
Em geral, a doença começa com alterações rapidamente progressivas na cognição, afetando a memória, a autonomia e a capacidade de realizar atividade cotidianas. As alterações motoras costumam aparecer posteriormente.
“A gente está falando de uma doença rara, e ainda de uma manifestação inicial com sintoma motores, e não cognitivos, mantendo a lucidez”, explica o neurologista Felipe Schmidt, coordenador do Serviço de Neuroimunologia do HUPE/Uerj.
Após a confirmação do diagnóstico, o tratamento é voltado principalmente para o controle dos sintoma e o conforto do paciente. Atualmente, não há uma terapia específica capaz de curar a doença de Creutzfeldt-Jakob ou interromper sua progressão.
“É basicamente suporte e conforto. Então, tratar a dor, tratar ose movimentos involuntários, em especial a mioclonia, enfim, tentar dar mais conforto para aquele paciente e aquela família”, afirma o neurologista.
Fonte: G1.
