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Política

Fuga de Flávio engrossa lista de bolsonaristas que deixaram o país

Eduardo Bolsonaro, Zambelli e Ramagem estão entre os que foram para o exterior após reveses judiciais. Aliados da família Bolsonaro receberam informação de que senador fugiu para os EUA com esposa e filhas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A possível fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aumenta a lista de bolsonaristas que tentaram deixar o país. Aliados do núcleo mais próximo da família Bolsonaro receberam nesta terça-feira (27) a informação de que o senador fugiu para a Flórida, nos Estados Unidos, com a mulher, Fernanda, e as duas filhas.

 

Flávio Bolsonaro teria saído do Brasil menos de 48 horas após ser derrotado nas eleições pelo presidente Lula (PT).

Na manhã desta terça, a Polícia Federal informou que está fazendo rastreamento de pontos da fronteira do país para verificar se a informação de fuga é verdadeira. O órgão investiga se ele saiu do país via Argentina ou se está voando para Caracas, na Venezuela, hoje país sob controle dos EUA, e de lá para Miami.

Na madrugada desta terça, o site argentino Infobae, o maior de notícias da Argentina, publicou que o senador teria cruzado a fronteira com seu documento nacional de identidade. Desde Porto Iguaçu, ele pegaria um avião Gulfstream rumo aos EUA.

A assessoria de Flávio não se pronunciou. A possível fuga de Flávio ocorre menos de 24 horas após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) cancelar todos os passaportes emitidos em nome do senador, proibindo-o de deixar o país.

Caso tenha de fato deixado o país, Flávio, que perdeu as eleições no domingo (25), terá repetido estratégia do irmão, Eduardo Bolsonaro, além de outros aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que fugiram para o exterior após reveses judiciais, como a ex-deputada Carla Zambelli, o ex-deputado e ex-diretor-geral da Abin Alexandre Ramagem e o ex-diretor da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Silvinei Vasques. Relembre.

EDUARDO BOLSONARO

O filho 03 do ex-presidente foi o primeiro. Eduardo partiu para os Estados Unidos em março de 2025, na tentativa de convencer o governo de Donald Trump a pressionar e punir o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Meses depois, os EUA cancelaram os vistos de ministros do Supremo e incluíram o nome de Moraes na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, aplicada contra corruptos e violadores de direitos humanos. O magistrado já foi retirado do rol.

Em novembro, a Primeira Turma do STF já havia decidido receber uma denúncia contra o ex-deputado federal e torná-lo réu sob a acusação de coação por atuar nos EUA para suspender o processo contra seu pai pela trama golpista.

Em dezembro do ano passado, a Câmara dos Deputados cancelou o passaporte diplomático de Eduardo, documento com o qual ele teria entrado no país estrangeiro. A medida ocorreu um dia depois da cassação do mandato do filho do ex-presidente.

Conforme mostrou a Folha de S. Paulo, Eduardo Bolsonaro cogitou concorrer como como suplente de André do Prado (PL) na disputa ao Senado por São Paulo neste ano, mas acabou desistindo ao avaliar que sua candidatura seria seria impugnada pela Justiça Eleitoral, já que está inelegível.

A ideia era que, com uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial deste ano, Prado abrisse mão do cargo de senador, caso também fosse eleito, para assumir outro posto no governo, como um ministério, o que abriria caminho para Eduardo retornar ao Brasil e ocupar um assento no Senado.

CARLA ZAMBELLI

A ex-deputada Carla Zambelli também decidiu ir para o exterior. Ela deixou o país após ser condenada por planejar um ataque hacker a sistemas institucionais do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para emitir falsos alvarás de soltura e mandados de prisão.

Mais tarde, os ministros do Supremo também a condenaram pelo episódio em que ela apontou uma arma para um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

Zambelli foi presa na Itália após ação da Polícia Federal brasileira em parceria com policiais italianos. A prisão ocorreu no apartamento onde ela vivia desde que chegou ao país.

Depois de um vaivém na Câmara sobre seu mandato, ela renunciou ao cargo. A ex-deputada agora aguarda a Justiça italiana decidir sobre sua extradição. Ela segue presa.

A justiça italiana decide nesta terça-feira (27) se Zambelli será extraditada ao Brasil apra cumprir pena de 5 anos e 3 meses de prisão.

ALEXANDRE RAMAGEM

O ex-deputado federal também foi para os Estados Unidos. Segundo informações da PF, ele saiu clandestinamente pela fronteira com a Guiana. Uma investigação tenta identificar quem o ajudou na fuga.

O ex-delegado da PF foi condenado no processo do núcleo principal da trama golpista pelo STF, com o ex-presidente Bolsonaro. Na última semana, Moraes reabriu o processo contra ele. O julgamento de alguns de seus crimes tinha sido suspenso pela Câmara.

Agora, no entanto, a Casa cassou o mandato de Ramagem. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também o demitiu da Polícia Federal.

Ele deixou o Brasil em setembro de 2025, antes de começar a cumprir a pena, e passou a viver nos Estados Unidos.

No domingo (25), antes de Flávio Bolsonaro ser derrotado nas urnas, Ramagem afirmou que desejava voltar ao Brasil em caso de vitória do senador. Disse ainda que esperava conseguir uma anistia ou a revisão de sua condenação pelo STF.

SILVINEI VASQUES

Em dezembro do ano passado, o ex-diretor da PRF (Polícia Rodoviária Federal) condenado pelo STF em julgamento da trama golpista, Silvinei Vasques foi preso no Paraguai.

Segundo a Polícia Federal, Silvinei foi detido no aeroporto de Assunção ao tentar embarcar para El Salvador. Ele teria rompido a tornozeleira eletrônica em Santa Catarina, o que levou a PF a monitorar seus deslocamentos.

A tentativa de fuga ocorreu após a Primeira Turma do STF condenar o ex-diretor da PRF a 24 anos e seis meses de prisão por articular medidas para viabilizar um golpe de Estado. Entre as acusações, está a tentativa de dificultar o voto de eleitores do Nordeste nas eleições de 2022.

Vasques utilizou o passaporte de outra pessoa e apresentou o bilhete alegando que tinha câncer na cabeça e, por isso, não conseguia falar para evitar ser identificado. Atualmente, ele cumpre pena na Papudinha, ala especial do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Vasques utilizou o passaporte de outra pessoa e apresentou o bilhete alegando que tinha câncer na cabeça e, por isso, não conseguia falar para evitar ser identificado. Atualmente, ele cumpre pena na Papudinha, ala especial do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Fonte: Noticias Minuto.

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