Por João Silvino – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
Os últimos meses de preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2026 foram cercados pela polêmica da possível convocação de Neymar, e se ela deveria ocorrer ou não. 24 anos depois que Felipão contrariou até o presidente da República ao não levar Romário para a Copa de 2002, a história se repetiu com o craque maior da atual geração. Por dias a fio, ocorreram dezenas de discussões por cada esquina e em diversas bolhas de rede social, todas rodando em círculos: “a qualidade do camisa 10 é indiscutível”; “mas ele ainda tem condições de jogar uma Copa?”; “não joga com frequência nem no Santos”; “ainda faz a diferença na Seleção?”. Além disso, a baixa nos jogos contra Marrocos e Haiti, onde o Brasil não teve atuação unânime, gerou munição para os dois lados da moeda.
Porém, entre imparcialidade, clubismo e até fanatismo, ninguém se preocupou em pautar o verdadeiro problema do futebol brasileiro, e que não é antigo: o declínio precoce dos nossos craques por diversos motivos, que, para alguns deles, acabou com a longevidade dentro da Seleção.
Neymar não fugiu dessa sina, vindo em baixa constante desde a mudança do Barcelona para o PSG, em 2017. Nos últimos meses, é bem verdade que ele se esforçou para justificar uma ida à Copa, mas é evidente que a convocação foi uma consequência direta da relevância e tamanho que possui fora do campo, reforçada por um simples fato: nunca existiu uma “Ronaldinho Dependência”, ou uma “Kaká Dependência” na Seleção, diferente do que já ocorreu com Neymar no passado.
Aos 34 anos, o camisa 10 do Santos pode disputar uma Copa do Mundo em uma idade que jogadores históricos como Ronaldinho, Ronaldo Fenômeno, Kaká e Adriano Imperador, além de outros destaques como Luis Fabiano e Juninho Pernambucano, se não à beira da aposentadoria, já passavam por um considerável declínio de suas carreiras e distantes da Seleção Brasileira. Nem mesmo eventuais bons momentos, como ocorreu com Adriano e Ronaldo em 2009, foram suficientes para reverter a situação.
Para começar essa reflexão, vamos passar pelos quatro principais nomes mencionados acima, que, neste século, poderiam ter disputado ao menos uma Copa do Mundo além de sua última. Relembrando o ponto inicial e primeiros sinais de seus declínios, explorando motivos claros ou possíveis que minaram a possibilidade de aposentadorias.
Adriano Imperador

O primeiro deles é justamente Adriano Imperador, em um caso lamentado por diversos apaixonados pelo futebol. Revelado pelo Flamengo no ano 2000, o Didico precisou de apenas um ano para chamar atenção da Inter de Milão. A primeira passagem pela equipe não deu certo e Adriano explodiu atuando pelo Parma entre 2002 e 2004, anotando 26 gols em 45 jogos. De volta à Inter, ganhou o apelido de Imperador e marcou 59 gols em 107 jogos até o fim da temporada 2005/06. Nesse período, começou a aparecer na Seleção Brasileira, cravando a artilharia na Copa América de 2004 (7 gols), onde foi herói do título com um gol no último lance, e também na Copa das Confederações de 2005. Porém, um inimigo tratado na época, e até hoje, por alguns, como “frescura”, seria responsável por derrubar a carreira de Adriano: a depressão.
Pouco depois de retornar à Inter, Adriano recebeu a notícia da morte de seu pai por meio de um telefonema. O lateral Javier Zanetti, ídolo da equipe italiana, falou sobre o momento em uma entrevista. “Eu o vi chorar muito, ele desligou o telefone e começou a gritar dizendo que não era possível […] Após este dia, Adriano não foi mais o mesmo”, relatou.
O fracasso da Seleção Brasileira na Copa de 2006, tendo o Imperador como um de seus rostos, foi o pontapé inicial da decadência. Pela Inter, nunca mais marcou 10 gols em uma temporada e, no início de 2009, rescindiu seu contrato após desaparecer e se isolar em uma favela do Rio de Janeiro, sem qualquer aviso prévio.
Adriano ainda brilhou no São Paulo na primeira metade de 2008 e no Flamengo em 2009, sendo o principal nome do título brasileiro conquistado pelo Rubro-Negro, o que reabriu as portas da Seleção e o colocou como opção forte para a Copa de 2010. No entanto, o Imperador caiu em má fase e polêmicas nos últimos meses antes da convocação, faltando em um treino que seria observado pelo auxiliar Jorginho, e sendo fotografado com uma metralhadora em uma favela. A partir daí, o Imperador nunca mais se encontrou, tendo passagens desastrosas por Roma, Corinthians, Athletico Paranaense e Miami United, onde encerrou sua carreira em 2016, aos 34 anos. Entre elas, teve um terceiro retorno ao Flamengo em 2012, onde sequer entrou em campo.

Com o mundo de hoje, um pouco mais evoluído, a história de Adriano dentro do futebol poderia ter sido salva. Nos anos 2000, era inadmissível que um atleta de alto nível falasse em saúde mental e depressão, o que lhe impôs uma luta quase solitária, mesmo com o apoio de Massimo Moratti, presidente da Inter, e Zanetti, que completou na mesma entrevista: “Desde esse dia, Massimo Moratti e eu o tratamos como um irmão mais novo. […] Mas depois daquela ligação, nada foi igual como antes. Não conseguimos tirar Adriano do túnel da depressão e essa foi a minha maior derrota, me senti impotente.”
Um filme bem diferente do que foi visto em 2021, quando Simone Biles desistiu de finais nos jogos olímpicos de Tóquio e recebeu grande apoio. No mundo ideal, a convocação de Adriano para a Copa de 2010 não deveria nem ser discutida, no auge de seus 28 anos. Podemos falar ainda na Copa do Mundo de 2014, onde o Imperador com certeza faria a diferença, e, forçando um pouco a corda, pensar até em uma convocação para o Mundial de 2018, aos 36 anos. É raro ver jogadores disputando uma Copa nessa idade, mas existem casos, permitindo a abertura dessa hipótese.
Ronaldinho Gaúcho

O fracasso da Seleção Brasileira na Copa de 2006 teve vários rostos, e, sem dúvidas, Ronaldinho Gaúcho saiu como o maior deles. Em sua carreira, o bruxo só não fez chover em praticamente todos os clubes por onde passou e, em seu auge no Barcelona, foi eleito duas vezes o melhor do mundo. Porém, ainda pelo clube catalão, começou a sofrer questionamentos: na temporada 2006/07, seguia nas convocações da Seleção, mas, após tirar a camisa em um jogo do Barça, apareceu em páginas da imprensa espanhola sendo questionado pela forma física, com acusações de faltas em treinamentos e abuso no consumo de álcool. Ao final da temporada, ainda conseguiu entregar números positivos, anotando 24 gols em 49 partidas.
Contudo, a temporada 2007/08 daria início à decadência de Ronaldinho, com uma idade superior à de Adriano, mas ainda precoce, aos 28 anos. Sofrendo com lesões, fez apenas 26 jogos e não se destacou, sendo vendido posteriormente ao Milan. Em quase três anos pelo clube rossonero, nunca foi unanimidade e viveu altos e baixos, chegando a ser expulso de uma boate por torcedores em 2009. Ronaldinho saiu da Itália em janeiro de 2011 com destino ao Flamengo, e a volta ao Brasil representou o último brilho em sua carreira, apesar da saída conturbada do rubro-negro. No Atlético Mineiro, o bruxo foi importante para a conquista da inédita Libertadores em 2013 e, mesmo com rumores sobre seu extracampo e uma queda de desempenho nos últimos meses, deixou o clube com moral na metade de 2014, antes de encerrar a carreira em passagens apagadas por Querétaro e Fluminense.

No meio desse caminho, a presença de Ronaldinho não era questionada dentro da Seleção Brasileira até o pedido de dispensa da Copa América de 2007. A situação teria queimado o meia com Dunga, que só voltou a chamá-lo nos Jogos Olímpicos de 2008, onde o Brasil caiu na semifinal contra a Argentina e ficou com a medalha de bronze. O bruxo foi convocado até o início de 2009, quando foi descartado e ficou fora da Copa de 2010, mesmo com forte clamor popular.
Com Mano Menezes, Ronaldinho voltou a ser lembrado no último amistoso daquele ano e, após ficar fora do fiasco na Copa América de 2011, foi presença em cinco dos oito amistosos seguintes. Em 2012, foi convocado apenas para o jogo contra a Bósnia, em fevereiro, e só retornou à seleção no início de 2013, já com Felipão. Porém, o ciclo com a camisa amarela e as chances de disputar a Copa do Mundo de 2014 foram sepultados antes do amistoso contra o Chile, em abril, quando Ronaldinho se apresentou com atraso e com sinais de consumo de bebida alcoólica.
Diferente de Adriano Imperador, Ronaldinho foi seu próprio inimigo e, mesmo que seu tamanho no futebol não tenha sido abalado, é inegável que poderia ter sido ainda maior. Uma convocação para a Copa do Mundo de 2010 era tão natural quanto a presença do Brasil em cada edição do torneio, e poderia ser discutida também para 2014. Por sinal, a ausência do bruxo na África do Sul é lamentada por torcedores e analistas, por ser considerada uma das razões do insucesso na campanha, devido a um problema que será abordado a seguir.
Kaká

Mesmo não correspondendo à expectativa na Copa de 2010, onde chegou como líder e referência técnica, Kaká não pode ser questionado ou diminuído em sua história e relevância para o futebol, especialmente na última era vencedora do Milan nos anos 2000. Revelado pelo São Paulo, o meia estourou rapidamente para o futebol, sendo vendido ao clube italiano em 2003 e tomando a titularidade nos primeiros jogos. Com 307 partidas e quase 100 gols marcados, Kaká esbanjava qualidade técnica, força e velocidade, chegando ao ápice em 2007, quando venceu a Bola de Ouro e o prêmio de melhor do mundo da Fifa. Porém, antes mesmo de encerrar a vitoriosa passagem no Milan, começou a ser assombrado por lesões.
Segundo o fisiologista Turíbio Leite de Barros, em entrevista para o UOL no final de 2010, o último ano de Kaká em condições plenas havia sido em 2008. E, pouco após a chegada bombástica no Real Madrid para a temporada 2009/10, as contusões se empilharam, com problemas no quadril e, na véspera da Copa de 2010, no músculo adutor. Após o Mundial, realizou uma cirurgia no joelho esquerdo para correção de um problema no menisco e na cartilagem, que se somavam a uma pubalgia. Em 2013, chegou a retornar ao Milan e, após uma passagem sem brilho, fechou na metade de 2014 com o Orlando City, que o emprestou ao São Paulo até o fim do ano.
Em meio a todo esse contexto de lesões, Kaká ainda seguiu como presença certa na Seleção por um período. Após o penta como reserva, virou protagonista na Copa das Confederações de 2005 e disputou os Mundiais de 2006 e 2010, mas, em ambos, não chegou nas melhores condições. E, exatamente por conta disso, a ausência de Ronaldinho em 2010 é lamentada, pela falta de um substituto mais próximo de Kaká em matéria de qualidade técnica.
Após o insucesso na África do Sul, Kaká só retornou para a Seleção em outubro de 2012, marcando um gol na vitória de 6 x 0 sobre o Iraque e disputando mais 4 jogos até março de 2013, quando Felipão o descartou do ciclo para o Mundial. Após o fiasco do 7 x 1, Kaká foi convocado por Dunga para dois amistosos no fim daquele ano e ainda recebeu mais três chamados em 2015 para amistosos e dois períodos de eliminatórias, entrando em campo contra a Venezuela. Em 2016, foi lembrado duas vezes por Dunga, em março, nas eliminatórias, e em junho, para a Copa América Centenário, mas, em ambas, acabou cortado por lesão. Após isso, não foi mais chamado por Tite e se aposentou no fim de 2017, aos 35 anos.
Até aqui, falamos de saúde mental e um declínio técnico provocado por escolhas. O caso de Kaká talvez seja o mais injusto dentre todos, o que se prova pela continuidade em convocações, mesmo atuando nos Estados Unidos e em idade avançada para o futebol. Com os mesmos 34 anos de Neymar em 2026, Kaká poderia ter disputado um torneio oficial e de ponta como a Copa América. O melhor do mundo em 2007 continuou prezando por sua carreira até o último dia e, dentro do possível, se destacando após deixar a Europa. Mesmo com limitações causadas pelas lesões, Kaká foi um dos pilares do São Paulo vice-campeão brasileiro de 2014 e, sem tantas contusões, não há dúvida de que seria convocado para a Copa do Mundo do Brasil. E, quem sabe, poderia estar até na Rússia, em 2018.
Ronaldo Fenômeno

Nas palavras de Diego Armando Maradona, em 2018, Ronaldo Fenômeno seria o maior jogador da história do futebol, se não fossem as fatídicas lesões. Pode ter sido um exagero do ídolo argentino, mas é inegável que a relevância do R9 para o futebol, que já é imensa, seria ainda maior com plenas condições físicas.
Revelado pelo Cruzeiro em 1993, com apenas 17 anos, Ronaldo anotou 44 gols em 46 jogos. Em menos de um ano entre os profissionais, foi convocado para a Copa do Mundo de 1994 e, pouco antes, foi vendido ao PSV, da Holanda, onde fez a primeira cirurgia no joelho direito, em meados de 1996. Após essa primeira intercorrência, o atacante viveu seu ápice por Barcelona e Inter de Milão entre 1996 e 1998, com 81 gols em 96 jogos, e dois prêmios de melhor do mundo pela Fifa, além de uma Bola de Ouro.
Porém, após a convulsão na véspera da final do Mundial da França, Ronaldo seria assombrado por lesões a partir de 1999: em novembro daquele ano, pisou em um buraco durante um jogo e torceu o joelho, passando seis meses fora. Em 12 de abril de 2000, retornava com expectativa pela final da Copa da Itália, mas, ao tentar um drible na entrada da área, Ronaldo desabou no gramado e começou a gritar de dor. O Fenômeno havia rompido o tendão patelar do joelho, passando mais de um ano longe dos gramados. Tempos depois, o fisioterapeuta Nilton Petroni, que acompanhou a recuperação do R9, concedeu entrevista e falou do caso: “Estourou tudo no joelho na hora. É até difícil definir em palavras o que aconteceu ali no momento.”

Após a incrível superação para voltar aos gramados, Ronaldo foi bancado na Seleção Brasileira pelo técnico Felipão, contra a vontade da torcida, e se consagrou de vez com o título da Copa do Mundo em 2002, onde foi artilheiro com 8 gols. Na sequência, venceu novamente a Bola de Ouro e o prêmio de melhor do mundo da Fifa, e partiu para o Real Madrid. Em quatro anos e meio na capital espanhola, o Fenômeno viveu grandes momentos, mas, além de conviver com pequenas e recorrentes lesões, passou a sofrer com dificuldades físicas e má fase nos últimos meses, além de estar constantemente fora de forma; problemas que ficaram evidentes no fiasco da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2006, que foi a última aparição de Ronaldo com a amarelinha. Um de seus técnicos no Real Madrid, o italiano Fábio Capello, definiu o R9 como “o maior talento que treinei. E, ao mesmo tempo, foi ele quem criou mais problemas para mim no vestiário.”
No início de 2007, Ronaldo tentou a sorte no Milan, onde até teve um início promissor, com 7 gols em 14 jogos. Porém, na temporada 2007/08, duas lesões só permitiram o seu primeiro jogo em janeiro de 2008 e, com apenas seis partidas, uma nova lesão grave no joelho encerrou a discreta passagem pelo clube rossonero, onde ainda descobriu que sofria de hipotireoidismo. Após passar o restante do ano em tratamento no Flamengo, fechou com o Corinthians a partir de 2009, onde conseguiu dar a volta por cima e marcar 23 gols em 38 jogos, gerando expectativa por um retorno à Seleção, no embalo de Adriano. Porém, os fantasmas ressurgiram com força em 2010 e, apesar de 12 gols no ano, Ronaldo não conseguia se manter dentro do peso e com frequência era desfalque. No início de 2011, após a desastrosa eliminação do Corinthians na Pré-Libertadores, quando já estava nitidamente sem condições de seguir atuando, Ronaldo anunciou a aposentadoria.
Assim como Kaká, Ronaldo teve a carreira prejudicada pelas contusões e com o agravante de uma doença como o hipotireoidismo. A grande tristeza pelos últimos momentos da carreira do R9 não fica por conta apenas do declínio, mas sim pelas últimas imagens em uma partida oficial, na derrota do Corinthians contra o Tolima, que não representavam nem a sombra do grande talento que foi o Fenômeno. Ao menos, em 7 de junho de 2011, Ronaldo voltou a campo por 15 minutos para ter uma despedida feliz, tanto do futebol como da Seleção Brasileira, em amistoso contra a Romênia.
Pensando em futuro com a amarelinha, um Ronaldo sem tantas lesões e sem a infelicidade de sua doença ainda teria condições de disputar a Copa do Mundo em 2010, aos 33 anos, e, muito provavelmente, apenas ela. Contudo, se embarcarmos nas empolgadas palavras de Maradona, por que não imaginar o Fenômeno aos 37 anos na Copa de 2014? Agora, em 2026, vemos Messi e Cristiano Ronaldo, dois dos maiores da história, na faixa dos 40 anos e em plena atividade na Copa do Mundo. Se Ronaldo chegasse ao patamar de maior da história dito por Maradona, poderia tranquilamente repetir a proeza dos dois.
Neymar

De volta ao presente, vemos um Neymar quebrando essa maldição, em partes, já que a convocação em 2026 lhe garantiu presença em todas as Copas do Mundo que parecem possíveis para sua carreira, considerando que o camisa 10 do Santos e da Seleção terá 38 anos no Mundial de 2030, e talvez já esteja aposentado dos gramados.
Contudo, os últimos anos de Neymar se comparam a uma mistura de Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, sendo prejudicado tanto por lesões como por escolhas de carreira e polêmicas extracampo. Em 2018, teve a sua principal Copa do Mundo prejudicada pela fratura no metatarso, não conseguindo desempenhar o que se esperava. Em 2019, foi cortado da Copa América após romper os ligamentos do tornozelo, onde teria uma nova lesão em 2022, já durante a Copa do Qatar, mas, dessa vez, sem o rompimento.
Até que em outubro de 2023, atuando pela Seleção Brasileira, teve a mais grave das lesões, rompendo o ligamento cruzado anterior do joelho, a mesma contusão que tirou Rodrygo do Mundial, no início de 2026.

Fazendo um comparativo, vemos que Kaká perdeu espaço na Seleção de uma maneira até injusta, considerando que nenhuma de suas tantas lesões repetiu a gravidade da ocorrida com Neymar em 2023. Isso reforça que, apesar do esforço, o craque marcou presença na lista final de Carlo Ancelotti contando muito com sua força midiática e relevância de seu nome.
E uma última prova final pode ser tirada em 1998, quando relembramos o corte do atacante Romário da Copa: o baixinho se contundiu atuando no Flamengo no dia 6 de maio, mas a lesão não parecia grave, e ele não só foi convocado, como chegou a viajar com a delegação para a França. Contudo, o corte foi anunciado a 9 dias da estreia, após exames detectarem uma lesão mais séria.
O caso de Neymar repetiu o filme, com o Santos informando apenas um edema na véspera da convocação, após o craque sair lesionado do jogo contra o Coritiba. Contudo, os exames realizados pela Seleção apontaram uma lesão de grau 2. Mesmo assim, o craque não foi facilmente descartado como outros jogadores de renome e história com a camisa verde-amarela.
No fim das contas, fica a prova de que Neymar não foi o primeiro craque a ter sua passagem na Seleção abreviada ou mesmo questionada por conta de lesões e declínio na carreira. Infelizmente, a falta de longevidade dos principais nomes do nosso futebol é recorrente e fica a expectativa para que esse cenário mude nos próximos anos, e não atinja nomes como Vinícius Júnior e Endrick.
