No Brasil, país que há 16 anos consecutivos lidera o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, essas vulnerabilidades também se refletem na relação com os serviços de saúde. Para pessoas, dificuldades para acessar de forma segura e adequada cuidados como a terapia hormonal trans podem afetar o bem-estar e a saúde mental, especialmente quando o atendimento não considera suas necessidades específicas. Diante do aumento da demanda, o desafio passa por ampliar a capacidade de atendimento nos diferentes territórios e garantir que políticas nacionais de saúde sejam efetivamente implementadas pelas redes estaduais e municipais.
Entre a política nacional e a realidade dos territórios: os desafios do cuidado à população trans
A espera prolongada e a peregrinação por serviços institucionais nos estados e municípios intensificam o sofrimento psíquico, gerando picos de ansiedade e agravando quadros depressivos. Quando o acesso ao cuidado afirmativo demora ou encontra barreiras logísticas, o indivíduo permanece em um estado de vulnerabilidade contínua, o que prejudica severamente seu bem-estar geral e a avaliação que faz da própria vida.
O processo transexualizador foi instituído no SUS em 2008 e ampliado pela Portaria nº 2.803/2013, e representa um avanço histórico ao estabelecer o direito ao atendimento integral à saúde da população trans. A disponibilidade desse cuidado na rede pública é uma conquista inegável. Contudo, passados quase 20 anos desde as primeiras normativas, o sistema ainda não atende completamente às necessidades da população.
Parte dos desafios está relacionada à capacidade de estados e municípios de estruturar e ampliar suas redes de atenção, formar profissionais e organizar fluxos de encaminhamento que permitam o acesso ao cuidado de maneira contínua. A concentração de serviços especializados em determinadas regiões também pode obrigar pacientes de outras localidades a percorrer longas distâncias em busca de atendimento, enquanto a demanda crescente pressiona os serviços já existentes.
Na prática, o acolhimento e abordagem inicial frequentemente esbarram em limitações estruturais persistentes. Além da superlotação e das longas filas geradas pela alta demanda, há uma notável falta de profissionais devidamente capacitados para lidar com as especificidades da saúde trans, um déficit que se agrava em regiões distantes dos grandes centros urbanos. A elaboração do projeto terapêutico singular (PTS) – que articula as ações de saúde conforme as necessidades subjetivas de cada paciente – acaba prejudicada por esses vazios assistenciais e, por vezes, por protocolos que ainda carregam viés patologizante, como a imposição de longos períodos de psicoterapia compulsória.
Esses gargalos impactam severamente a saúde mental. A espera prolongada e a peregrinação por serviços institucionais acabam intensificando quadros de ansiedade e depressão. Diante dessas limitações no sistema público, opções alternativas despontam como rotas de cuidado complementares para quem possui recursos e não pode aguardar.
Quais são os pilares clínicos e regulatórios da terapia hormonal afirmativa?
A administração supervisionada de hormônios aliada à estrita adesão às normativas do Conselho Federal de Medicina (CFM) sustentam a segurança e a eficácia desse tratamento. Essas bases garantem que a transição ocorra com acompanhamento especializado, reduzindo os riscos físicos da automedicação e promovendo a adequação corporal por meio de protocolos validados cientificamente.
Para assegurar a integridade do paciente, é indispensável seguir as Diretrizes do CFM, especialmente a Resolução CFM nº 2.265/2019, que regulamenta o cuidado às pessoas com incongruência de gênero. O acompanhamento foca em necessidades estritamente individuais, compreendendo as seguintes abordagens:
No Brasil, o atendimento a pessoas com incongruência ou disforia de gênero é orientado por diferentes normas e políticas de saúde. No âmbito do Conselho Federal de Medicina (CFM), a Resolução CFM nº 2.427/2025 atualmente estabelece critérios éticos e técnicos para a assistência médica a essa população, substituindo a Resolução CFM nº 2.265/2019. A norma prevê que o atendimento deve considerar as necessidades individuais, com informações claras sobre possibilidades terapêuticas, riscos, limitações e potenciais efeitos adversos, além de acompanhamento por equipes multidisciplinares.
Na terapia hormonal, os protocolos clínicos podem envolver diferentes medicamentos, definidos de acordo com os objetivos e as condições de saúde de cada pessoa:
- Masculinização: Utiliza-se a prescrição de Testosterona para desenvolver características secundárias masculinas, promovendo o aumento da massa muscular, a mudança do tom de voz e o crescimento de pelos faciais e corporais.
- Feminização: Envolve a aplicação cuidadosa de Estrógenos e Antiandrógenos, visando mudanças físicas que afirmam a identidade, como a redistribuição da gordura corporal e o desenvolvimento mamário.
Seguir essas normas éticas e fisiológicas é o que confere seriedade e segurança ao processo, protegendo quem busca a afirmação de suas identidades.
Como serviços de telemedicina podem ajudar a traçar um plano de hormonização personalizado e seguro?
O atendimento médico remoto rompe barreiras geográficas e agiliza intervenções, conectando pacientes a especialistas independentemente de onde vivam. Essa dinâmica tecnológica permite formular terapias continuadas e monitorar a saúde de perto, figurando como uma alternativa resolutiva e altamente cômoda para suprir eventuais lacunas de acesso presencial.
Impulsionada nos últimos anos e consolidada de forma permanente pela resolução CFM nº 2.314/2022, o modelo de teleconsulta garante que a medicina mediada por comunicação audiovisual seja exercida com o mesmo rigor ético, privacidade e registro em prontuário que a modalidade convencional. Além de avaliar o quadro, o profissional elabora condutas seguras e pode emitir receitas digitais validadas com assinatura ICP-Brasil, o que assegura a continuidade do tratamento sem entraves de locomoção.
É nesse cenário de modernização digital que iniciativas especializadas ganham protagonismo. A Vivuna, healthtech britânica que atua no Brasil desde 2025, ilustra bem essa evolução ao oferecer um acesso descomplicado, seguro e humano à terapia hormonal de afirmação de gênero. Aliando inovação tecnológica à empatia e ao rigor clínico, a telessaúde funciona como uma ferramenta essencial de democratização, servindo como uma opção valiosa para complementar a rede de saúde e devolver a qualidade de vida à população trans.
Fonte: Mídia Ninja.
