EXCLUSÃO LGBTQIA+ CUSTOU R$ 94 BILHÕES AO ANO NO BRASIL E REPOSICIONOU DEBATE SOBRE DIREITOS E ECONOMIA

Ghe Santos
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Por muito tempo, a exclusão de pessoas LGBTQIA+ do mercado de trabalho foi tratada majoritariamente como uma questão de direitos humanos. Com a divulgação recente de uma pesquisa inédita, esse enquadramento passou a se ampliar — e os números ajudaram a dimensionar o problema.

O estudo estimou que a exclusão dessa população gerou um impacto de R$ 94,4 bilhões por ano, o equivalente a cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

Mais do que um dado isolado, o levantamento reposicionou o debate: a desigualdade deixou de ser vista apenas como injustiça social e passou a ser reconhecida também como entrave ao desenvolvimento econômico.


Quando a exclusão se traduz em perda econômica

Além do impacto direto no PIB, a pesquisa indicou perdas fiscais de aproximadamente R$ 14,6 bilhões anuais, resultado da combinação entre menor arrecadação tributária e maior pressão sobre políticas públicas.

Na prática, isso significou que a exclusão:

  • reduziu a participação produtiva de uma parcela significativa da população
  • limitou a circulação de renda
  • e ampliou custos sociais evitáveis

O que se evidenciou foi que a LGBTfobia não opera apenas no campo simbólico — ela produz efeitos concretos na estrutura econômica.


Mercado de trabalho reproduziu desigualdades

Os dados também mostraram como essa exclusão se materializou no cotidiano.

A taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIA+ chegou a 15,2%, aproximadamente o dobro da média nacional à época da pesquisa. Esse cenário foi associado a fatores como:

  • discriminação em processos seletivos
  • ambientes de trabalho hostis
  • ausência de políticas efetivas de inclusão
  • evasão escolar decorrente de violências estruturais

O efeito foi cumulativo: menos acesso ao trabalho formal, maior precarização e redução da capacidade de geração de renda ao longo da vida.


Impactos que ultrapassam as estatísticas

Embora os números tenham sido expressivos, o estudo também reforçou que os efeitos da LGBTfobia não se limitaram ao campo econômico.

Eles atravessaram trajetórias individuais e coletivas, impactando:

  • acesso a direitos básicos
  • estabilidade financeira
  • saúde mental
  • e possibilidades de mobilidade social

Nesse contexto, a exclusão deixou de ser um episódio isolado e passou a operar como mecanismo contínuo de produção de desigualdade.


Produção de dados e atuação territorial

A pesquisa reuniu informações de mais de 11 mil pessoas em todo o território nacional e contou com a participação de organizações da sociedade civil, entre elas a Casa Neon Cunha, responsável pela coleta de dados na região Sudeste.

No cotidiano, a organização atuou diretamente com pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade, oferecendo:

  • moradia temporária
  • segurança alimentar
  • atendimento psicossocial
  • assessoria jurídica
  • formação profissional e inserção no trabalho

Essa atuação evidenciou a distância entre o diagnóstico produzido pelos dados e a realidade vivida por grande parte da população.


Do diagnóstico à necessidade de ação

Com os dados consolidados, o desafio passou a ser outro: transformar evidência em política pública.

O estudo reforçou a necessidade de:

  • estratégias estruturadas de inclusão no mercado de trabalho
  • políticas intersetoriais de proteção
  • articulação entre Estado, empresas e sociedade civil
  • e mecanismos efetivos de combate à discriminação

Sem esse movimento, o custo da exclusão tende a se manter — tanto no campo social quanto econômico.


Debate público e construção coletiva

O lançamento regional da pesquisa em São Paulo ocorreu nesta semana, no Sindsep (Centro Histórico), reunindo lideranças políticas, organizações da sociedade civil e movimentos sociais.

Mais do que apresentar números, o encontro funcionou como espaço de articulação e leitura coletiva sobre os caminhos possíveis para enfrentar a exclusão LGBTQIA+ no mercado de trabalho.

A centralidade do debate não esteve apenas no diagnóstico — já evidente nos dados —, mas na construção de respostas concretas.


Entre custo e responsabilidade

Os dados ajudaram a responder quanto custou excluir.

Mas, diante do cenário apresentado, outra pergunta se impôs:

não se tratava apenas de medir o impacto —
mas de entender quem esteve disposto a assumir a responsabilidade de enfrentá-lo.

Porque a exclusão não é inevitável.

Ela é produzida — e, portanto, pode ser transformada.


Confira a pesquisa completa:
https://custodaexclusaolgbti.com.br/

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