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Saúde

Exames de sangue e imagem ampliam as opções para avaliar a Saúde do fígado

Pesquisas analisaram métodos capazes de identificar cicatrizes e cirrose hepática, reduzindo a necessidade de biópsias em determinadas situações

Estudos internacionais avaliaram exames de sangue, ressonância magnética e ultrassom como alternativas menos invasivas para investigar doenças do fígado

Dois estudos internacionais trouxeram novas evidências sobre o uso de exames de sangue e técnicas de imagem para diagnosticar e avaliar a gravidade de doenças do fígado. As pesquisas fazem parte do programa LITMUS, que reuniu instituições de diferentes países para comparar métodos não invasivos com os resultados obtidos por biópsias hepáticas.

Um dos trabalhos, publicado na revista The Lancet, avaliou mais de 1.500 pacientes. O outro, divulgado na Nature Medicine, investigou técnicas avançadas de ressonância magnética e elastografia em mais de 350 participantes.

Métodos podem identificar danos e cicatrizes no fígado

O foco das pesquisas foi a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, conhecida pela sigla MASLD. A condição, anteriormente chamada de esteatose hepática não alcoólica, é caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado e pode evoluir para inflamação e danos progressivos ao órgão.

Uma das formas mais graves é a MASH, quando o acúmulo de gordura está acompanhado de inflamação e lesões nas células hepáticas. Em alguns pacientes, a evolução pode provocar fibrose, caracterizada pela formação de cicatrizes, e até cirrose.

Para avaliar a extensão desses danos, a biópsia costuma ser utilizada como referência. O procedimento envolve a retirada de uma pequena amostra do fígado para análise em laboratório. Embora seja importante em determinadas situações, é invasivo e pode causar desconforto, além de apresentar riscos.

Pesquisadores compararam técnicas de imagem com resultados de biópsias

Os novos estudos investigaram alternativas capazes de fornecer informações relevantes sem a necessidade de retirar tecido do órgão.

Exames de sangue podem ajudar a identificar quem precisa de acompanhamento

A pesquisa publicada na The Lancet analisou diferentes marcadores presentes no sangue e medições da rigidez do fígado feitas por ultrassom.

Entre os resultados, um exame de sangue que mede a enzima gama-GT apresentou desempenho superior ao índice FIB-4, frequentemente utilizado na avaliação inicial de pacientes com suspeita de doença hepática.

Os pesquisadores apontam que esse teste, relativamente simples e de baixo custo, pode funcionar como primeira etapa de uma investigação. Quando necessário, a avaliação poderia avançar para exames como ELF ou FibroScan, capazes de fornecer informações adicionais sobre a condição do fígado.

A proposta é organizar uma sequência de exames para identificar pessoas que precisam de avaliação especializada, evitando procedimentos mais complexos para todos os pacientes.

O estudo também destacou o desempenho de um painel de proteínas chamado SOMAScan, que apresentou resultados relevantes na identificação de casos de maior risco. A tecnologia ainda precisa avançar antes de ser incorporada de forma ampla à rotina clínica.

Ressonância magnética e elastografia mostram bons resultados

O segundo trabalho, publicado na Nature Medicine, avaliou métodos de imagem em 357 participantes com dados de exames e biópsias disponíveis para comparação.

Entre as técnicas analisadas estava a elastografia por ressonância magnética, que mede a rigidez do tecido hepático. O FibroScan, por sua vez, utiliza ondas de ultrassom para estimar essa característica.

Os resultados foram especialmente positivos na identificação de fibrose avançada e cirrose. A elastografia por ressonância magnética alcançou índice de precisão de 0,91 na identificação de fibrose avançada e também de 0,91 para cirrose, em uma escala estatística que vai de zero a um.

Esses resultados indicam uma capacidade elevada de distinguir pacientes com essas condições daqueles que não apresentam os mesmos danos.

Entretanto, o desempenho foi mais limitado para identificar a MASH em atividade. Nenhum dos métodos de imagem avaliados atingiu o nível de precisão estabelecido pelos pesquisadores para essa finalidade.

Biópsia ainda tem papel importante em alguns diagnósticos

Apesar dos avanços, os resultados não significam que a biópsia possa ser dispensada em todos os casos. A identificação de inflamação ativa e de determinadas formas da doença continua sendo um desafio para os métodos não invasivos.

Os pesquisadores ressaltam que a biópsia ainda deve ser necessária, por enquanto, para confirmar determinados casos de MASH em pacientes que pretendem participar de estudos clínicos em fases avançadas.

Bruna Valle
jornalista

Tags

  • Saúde
  • tecnologia

Fonte: Antena 1.

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