Evolução e resistência: República Democrática do Congo retorna à Copa do Mundo após 52 anos

Portal Inhaí
5 Min Read


Por Sofia Ricardo – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

A República Democrática do Congo se classificou para a Copa do Mundo de 2026 após ficar em segundo no seu grupo das Eliminatórias Africanas, atrás apenas de Senegal, e depois enfrentar as seleções de Camarões e Nigéria na repescagem continental, e a Jamaica, na mundial. Isso tudo após 52 anos, já que a primeira participação foi em 1974, quando o país ainda se chamava Zaire.

O retorno ao Mundial não foi fácil. Em 2018 e 2022, a RD Congo ficou perto de se classificar, mas não conseguiu. Na Copa Africana de Nações de 2024, o país mostrou uma evolução e alcançou a quarta colocação, seu melhor resultado recente em competições continentais, acumulando nove vitórias, dois empates e duas derrotas.

Luta dentro e fora de campo

Em 1974, a seleção se tornou a primeira da África Subsaariana a disputar uma Copa do Mundo, abrindo caminhos para outras equipes da região nos anos seguintes. Naquela edição, disputada na Alemanha Ocidental, ficaram no grupo com Brasil, Escócia e Iugoslávia. O time perdeu os três jogos, sendo um deles uma goleada por 9 a 0 para a antiga Iugoslávia, não marcou gols e sofreu 14, terminando na última posição da chave. 

Naquele período, Zaire vivia uma ditadura, com Mobutu Seko usando o futebol como instrumento de propaganda política para promover o nacionalismo. Devido ao momento político, a Copa não foi apenas sobre jogar pelo país e celebrar. O ditador prometeu diferentes recompensas aos jogadores. Porém, após a goleada sofrida para o país dos Balcãs, os prêmios não foram entregues, gerando uma revolta nos atletas, que ameaçaram não entrar em campo. Em resposta, Seko ameaçou os jogadores e suas famílias de morte caso perdessem por mais de três gols o último jogo da fase de grupos, contra o Brasil.

A seleção de Zaire entrou em campo aterrorizada e viu os brasileiros dominarem o duelo. Aos 33 minutos do segundo tempo, o Brasil vencia por três gols e se preparava para cobrar uma falta perigosa. Para evitar o quarto gol, antes da cobrança, o zagueiro Mwepu Ilunga saiu correndo da barreira e chutou a bola longe. Na sequência, o árbitro Nicolae Rainea interrompeu a partida, dando um cartão amarelo ao defensor.

Apesar de não entenderem na época, anos depois, historiadores e o próprio zagueiro revelaram que o ato ocorreu em função de salvar sua própria vida e a do time.

É bastante comum a confusão entre nomes, já que existe a República Democrática do Congo, que está participando da Copa do Mundo de 2026, e a República do Congo. Mas os dois apresentam um contexto histórico diferente.

O nome Congo é por causa do antigo reino do Congo. Com a chegada dos europeus e a colonização, a colônia francesa deu início à República do Congo, enquanto a belga virou a República Democrática do Congo. A independência foi conquistada na década de 60, e assim, mantiveram a referência ao nome do antigo reino.

Resistência

Ao contrário da edição de 1974, a equipe chega à Copa de 2026 vivendo um contexto social diferente e, dentro de campo, apresenta um desempenho distinto.

Em sua primeira participação sob o nome de República Democrática do Congo, a seleção ganhou mais um motivo para celebrar após a evolução técnica. Na partida de estreia, a equipe fez história e segurou um empate importante contra Portugal, com gol de Yoane Wissa nos minutos finais.

A participação no Mundial deste ano evidencia não apenas o crescimento do futebol no país, mas também carrega a memória daqueles que resistiram a um período de censura e lutaram por décadas para levar a RD Congo ao topo.



Por Midia Ninja

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *