A mesa “Cuidado enquanto Políticas Públicas“, realizada durante o Ella Nordeste, reuniu representantes da gestão pública e do campo da cultura para discutir como o cuidado pode deixar de ser uma responsabilidade individual e passar a ocupar um lugar central nas políticas voltadas às trabalhadoras da cultura e às pessoas LGBTQIA+. O debate destacou a necessidade de construir ações públicas capazes de responder às diferentes realidades dos territórios e ampliar direitos.
A jornalista, antropóloga e assessora da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Dediane Souza, chamou atenção para a necessidade de ampliar a compreensão sobre quem cuida e quem é cuidado. Segundo ela, ainda persiste a ideia de que pessoas LGBTQIA+ ocupam apenas o lugar da vulnerabilidade, quando, na prática, também sustentam famílias, cuidam de parentes e constroem redes de apoio cotidianamente.
“Existe uma visão automática de que vivemos na solidão. Mas quantas pessoas LGBTQIA+ sustentam suas casas, cuidam dos pais, da família e fazem parte dessa rede de cuidado real?”, questionou.

Foto: Flávia Almeida
A mesa também contou com a participação de Gecíola Fonseca, secretária da Cultura do Ceará, que defendeu políticas culturais comprometidas com a inclusão, a diversidade e o acesso democrático à cultura. Já Zaneir Teixeira, doutora em Direito Público e gestora cultural, destacou que incorporar o cuidado às políticas públicas significa reconhecer as condições concretas de trabalho das mulheres que atuam no setor cultural.



Fotos: Flávia Almeida
Ao longo do encontro, as participantes defenderam que reconhecer o cuidado como uma responsabilidade coletiva é fundamental para fortalecer as redes culturais, ampliar direitos e construir instituições mais inclusivas, capazes de responder às desigualdades que atravessam mulheres e pessoas LGBTQIA+ no campo da cultura.
