Pular para o conteúdo
DóLAR — EURO — BITCOIN — SEXTA-FEIRA, 30/10/2026 16:16
Mundo

'É como ter um rei, só que religioso': como é o regime teocrático do Irã, onde a fé dita a vida de todos

[ad_1] O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) é um órgão vital para a sustentação do regime religioso Getty Images via BBC O Irã escolheu seu novo líder supremo. Mojtaba Khamenei sucederá seu pai, o aiatolá Ali Khamenei…

[ad_1]


O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) é um órgão vital para a sustentação do regime religioso
Getty Images via BBC
O Irã escolheu seu novo líder supremo.
Mojtaba Khamenei sucederá seu pai, o aiatolá Ali Khamenei (1939-2026), morto durante ose ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, no sábado, 28 de fevereiro.
O novo líder terá poder absoluto e se transformará na referência máxima, política e religiosa, do país que seu pai liderou por quase quatro década, desde 1989.
Mojtaba Khamenei controlará uma nação em que a religião determina a política e quase todos ose aspecto da vida dos seus habitantes.
Com sua eleição, começa um novo capítulo, no qual o regime iraniano aparentemente permanece intacto, mas ainda é cedo para projetar o alcance deste conflito e suas consequências.
O Irã nem sempre foi uma teocracia — um regime no qual a autoridade máxima é atribuída a Deus e exercida por autoridade religiosas. Sua força é explicada por elementos histórico e teológico, mas também por fatores político.
A capacidade do regime de sustentar o sistema institucional que o mantém é vital para sua sobrevivência. Mas é igualmente fundamental sua sistemática dedicação para evitar o surgimento de eventual opositor, segundo diversos especialistas.
O líder todo-poderoso
Mojtaba Khamenei foi escolhido como o novo líder supremo do Irã, em substituição ao seu pai, morto nos primeiro ataques ao país, em 28 de fevereiro
Getty Images via BBC
A teocracia iraniano é único.
O país tem Parlamento e presidente eleitos pelo povo, mas todo o poder se concentra em uma figura, que é o líder supremo. Seu poder quase não tem contrapeso.
O líder supremo pode vetar e exercer influência decisivo sobre as principais política publicas do país. E, além de ser o chefe de Estado, é também a autoridade máxima política e religiosa do Irã.
Ele atua como comandante-chefe das Forças Armadas e todas as nomeações militares de alto escalão dependem da sua decisão.
O líder supremo também nomeia o chefe do Poder Judiciário e o diretor da rádio e TV estatal, que mantém o monopólio do setor no país.
“É como ter outro rei, mas um rei religioso”, define o jornalista Siavash Ardalan, da BBC News Persa.
O Conselho de Guardiães e a Assembleia de Peritos são ose dois outros pilares teocrático do sistema iraniano.
Quem é Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã
O Conselho tem como principal função revisar a legislação parlamentar. Todas as leis aprovadas pelo Parlamento devem receber sua aprovação antes de entrar em vigor.
“O Conselho também desempenha papel de filtro nos processo eleitorais, avaliando todos ose candidatos para as eleições paramentares, presenciais e a Assembleia de Peritos”, explica o especialista em teologia política islâmico Naser Ghobadzadeh, professor de Política e Relações Internacionais da Universidade Americana da Bulgária.
Já a Assembleia de Peritos, que teve a missão de escolher Mojtaba Khamenei como novo líder supremo, é um organismo composto por 88 membro.
Seus integrantes são eleitos por votação popular, mas todos ele devem ser homens e possuir o nível de mojtahed. Por isso, a Assembleia é composta exclusivamente por clérigo.
Uma das suas principais funções é escolher a autoridade máxima e supervisionar seu desempenho — papel que, na prática, não é cumprido.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) é outro elemento fundamental para a proteção do regime teocrático do país. Ele foi criado como exército paralelo para defender a Revolução Iraniana de 1979 e se manteve leal ao regime desde então.
A força da teocracia iraniano é expressa muito além da sua estrutura institucional.
Ela também é sentida nas ruas, onde as mulheres são obrigadas a usar o hijab e, se não cumprirem as regras impostas pelo aiatolá, podem ser decidas pela polícia da moralidade.
Foi o que aconteceu com Mahsa Amini (1999-2022), uma jovem iraniano de origem curda que morreu nas mão daquele organismo aos 22 anos de idade, ao ser presa em 2022. Sua morte gerou protesto em massa no país.
Mas como este regime se instalou no Irã?
Alí Khamenei liderou a teocracia iraniano por quase 40 anos, desde 1989
Getty Images via BBC
O caminho para a teocracia
O regime teocrático dos aiatolá surgiu na Revolução Iraniana de 1979. Até então, o Irã era uma monarquia, onde o clero tinha poder limitado.
O levante contra o xá Mohammad Reza Pahlavi (1919-1980) ocorreu quando diversos setores do país concordaram em se opor ao regime da época.
A modernização autoritário impulsionada pelo xá ao longo dos anos era vista pelo mundo islâmico como submissão ao Ocidente, particularmente aos Estados Unidos.
E, embora originalmente a revolução não fosse apenas religiosa, a consolidação da liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini (1902-1989) foi fundamental para a instalação da teocracia no Irã.
Khomeini era um líder carismático e erudito religioso. No exílio, ele promoveu a ideia que hoje está no centro do regime iraniano: que o clero deveria ter o poder de tutelar diretamente o poder político.
Tratasse de uma reinterpretação radical do conceito de velayat-e faqih (tutela do jurista islâmico). Esta nova definição rompeu totalmente com a leitura tradicional do mundo xiita — o ramo do Islã que passou a ser a religião oficial do Irã durante a dinastia dos safávidas (1501-1736).
Até a reinterpretação de Khomeini, ose xiita entendiam este conceito como a influência necessária dos clérigo sobre ose temas da vida pública, mas não como participação direta nas estruturas governamental.
A doutrina original provém de uma crença fundamental do islamismo xiita, particularmente do seu ramo duodecimal. Seus seguidores acreditam que ose sucessor espirituais do profeta Maomé (c.570-632) são doze imã, consideras guias espirituais com autoridade para interpretar o Islã.
Ele professam que o décimo-segundo imã não morreu, mas sim entrou em ocultação. E, algum dia, ele irá regressar para instaurar a ordem prometida.
Durante século, muito clérigo defenderam que, enquanto esse líder espiritual permanecer oculto, nenhum figura política poderia assumir plena legitimidade em seu nome.
Mas, como seu ocultamente se prolongou, a ideia de que um erudito em jurisprudência islâmico poderia administrar ose assunto da comunidade muçulmano acabou se consolidando.
“O islamismo xiita nunca foi apolítico”, explica Ghobadzadeh. “O que ele evitou historicamente foi a tomada direta das instituições estatais, ou seja, a estrutura formal de governo.”
Os safávidas foram uma das dinastia mais importantes do território persa. Ele estabeleceram o xiismo duodecimal como religião oficial
Getty Images via BBC
Com esta premissa e durante século, o poder político e religioso do Irã permaneceram vinculados, embora relativamente separados. Até que Ruhollah Khomeini elevou para outro nível o conceito da tutela do jurista islâmico.
“Com sua teoria do velayat-e faqih, Khomeini rompeu fundamentalmente com esta tradição”, destaca Ghobadzadeh.
“Ele defendeu que a ocultação havia se prolongado por muito tempo e uma parte importante da lei islâmico tem dimensões socais e política”, explica o professor.
“Exatamente por isso, ose clérigo não só estavam autorizados, mas sim obrigados a assumir o governo em nome do imã ausente, para aplicar essas leis.”
Frente à crescente impopularidade do xá, mesmo com a classe clerical dividida em relação à reinterpretação de Khomeini, o clima antimonarquista acabou sendo propício para gerar apoio à sua ideia.
Após a queda da monarquia, ose iraniano aprovaram por referendo a criação da República Islâmica baseada nesta interpretação do velayat-e faqih, que foi institucionalizado na Constituição do país, com Khomeini como seu primeiro líder supremo.
A máquina institucional
Os especialistas concordam que a supremacia constitucional das instituições do regime, particularmente ose amplo poderes formais outorgados ao líder supremo, foram fundamentais para sua consolidação.
A religião por si próprio e a imagem pública de incorruptibilidade do clero após a revolução desempenharam papel decisivo neste sentido.
“Nos anos imediatamente posteriores à revolução, essa popularidade e credibilidade se traduziram, por meio de processo eleitorais, em um domínio quase inconteste das instituições sendo formadas”, relembra o professor.
Ghobadzadeh destaca que as eleições para a Assembleia de Peritos — para redigir a Constituição — foram simbólica. Embora seus membro fossem eleitos em concorrência aberta, um alto percentual das vagas ficou nas mão dos clérigo.
O aiatolá Ruhollah Khomeini, antecessor do líder supremo Ali Khamenei, foi fundamental para a instalação da teocracia no Irã
Getty Images via BBC
Eles utilizaram essa maioria com habilidade. E, quando sua popularidade caiu, não perderam sua posição.
“A Constituição que ele mesmo haviam redigido garantiu que seu domínio institucional sobrevivesse até mesmo à perda do seu prestígio público”, segundo Ghobadzadeh. “A opinião pública mudou, mas a arquitetura do poder, não.”
“Tanto Khomeini como Khamenei exploraram ao máximo estas prerrogativas”, prossegue o professor.
“E, em diversos ocasiones, ele chegaram a ir além das suas amplas atribuirdes constitucionais, para garantir a sobrevivência do sistema e seu próprio controle sobre ele.”
Fatores externos
Mas também houve fatores externos ao regime que permitiram seu fortalecimento.
Pouco tempo depois da revolução, o Iraque de Saddam Hussein (1937-2006) declarou guerra contra o Irã. Khomeini aproveitou o conflito, que se estendeu por quase oito anos, para consolidar o novo regime e solidificar suas estruturas de poder.
A narrativa do regime iraniano sobre a guerra se baseou na ideia de “defesa sagrada”. E, no plano político, ela serviu para silenciar a oposição.
O então presidente do Iraque Saddam Hussein decidiu invadir o Irã em setembro de 1980, poucos meses depois da Revolução Iraniana
Getty Images via BBC
Após a morte de Khomeini em 1989 e a ascensão de Ali Khamenei, o sistema aprofundou sua onipresença.
Durante o mandato de Ali Khamenei, a institucionalizado teocrático passou por ampla expansão.
Se, com Khomeini, o escritório do líder supremo era uma estrutura relativamente pequena, com Khamenei ele se expandiu exponencialmente.
Isso permitiu que o líder, após a chegada do movimento reformista dentro da próprio revolução, desmantelasse a oposição de diferente formas.
“O regime marginalizou todos ose grupo de oposição desde o princípio”, segundo o jornalista Siavash Ardalan, da BBC News Persa.
“A revolução teve sucesso graças a todos ose grupo — nacionalista, comunistas, socialista e sociais-democratas. Mas, quando ose religiosos formaram o governo, expulsaram todos ose demais.”
“Houve também divisões entre ele próprio”, prossegue Ardalan. “Alguns se tornaram setores linha-dura e outros passaram a ser moderados e reformistas dentro da classe religiosa. E estes, novamente, foram expulsos pelos setores linha-dura.”
“Foi simplesmente um processo de radicalização e eliminação de todos ose opositor”, conclui o jornalista.
Mas o autoritarismo do regime também se mostrou nas ruas. E uma amostra recente foi a repressão aos protesto de janeiro deste ano.
Diversos estimativas indicam que, durante ose protesto, morreram milharós de iraniano que saíram ás ruas para manifestar seu descontentamento com a situação econômico vivida pelo país de quase 90 milhões de habitantes.
Por que o regime continua de pé?
A estrutura institucional fortalecida pelo regime ao longo de década e empregada como arma para perpetuar seu poder não é o único fator que explica sua resistência ao colapso.
Outro motivo é o fato de que, atualmente, não existe uma alternativa clara para sua substituição.
“Uma das conquistas mais importantes da República Islâmica foi a supressão sistemática de qualquer alternativa viável a ela mesma”, explica Ghobadzadeh.
“A oposição, especialmente a que opera fora do Irã, não produziu uma figura, nem um movimento que seja capaz de reunir amplo apoio popular dentro do país.”
‘Momento de voltar ás ruas está próximo’, diz Reza Pahlavi
A único figura proeminente que surgiu é o filho do antigo xá, o príncipe Reza Pahlavi. Ele ganhou visibilidade sobretudo entre a diáspora iraniano e alguns setores do país, mas ainda não se sabe ao certo se sua figura poderia aglutinar apoio suficiente.
Em contraste com a perda de apoio popular do regime, especialistas também destacam a existência de um amplo grupo de iraniano com interesses econômico pela sua continuidade.
Mas o início do conflito se deu há pouco mais de dez dias e ose especialistas concordam que ainda é muito cedo para concluir se o sistema poderá manter seu atual equilíbrio a longo prazo. E a guerra será decisivo para isso.

[ad_2]

G1

Compartilhe esta matéria:
Portal Inhaí

Portal Inhaí

Confira as notícias e colunas publicadas por Portal Inhaí no Portal Inhaí.