
Tensão militar entre Paquistão e Afeganistão aumenta com ataques e mortes na fronteira
O Paquistão e o Afeganistão estão em conflito. Após semanas de tensão na fronteira entre eles, os dois países vêm trocando ataques intensos, no que governo paquistanês chamou de uma “guerra aberta”, desde esta quinta-feira (26).
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Paquistão bombardeia Cabul após declarar ‘guerra aberta’ contra o Afeganistão; Talibã responde com ataque de drones
Mas o que motivou a escalada dos confrontos?
Paquistão divulga imagens de bombardeio a Cabul, capital do Afeganistão, em 27 de fevereiro de 2026.
Forças Armadas do Paquistão via Reuters
Aliados históricos em confronto
O Paquistão tem sido o aliado mais próximo do Talibã afegão por décadas e ajudou a dar origem ao regime no início dos anos 1990 – como forma de conferir ao país “profundidade estratégica” em sua rivalidade com a Índia.
No entanto, desde que o Talibã retomou o poder em 2021 – volta que foi saudada pelo então primeiro-ministro paquistanês -, os dois países vêm enfrentando questões.
A aproximação diplomática do Afeganistão com o governo indiano, que começou com o envio de ajuda humanitária ao país a partir de 2022 e culminou com um encontro e anúncio de parcerias em outubro de 2025, não é vista com bons olhos pelo Paquistão.
A atuação do grupo terrorista Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), responsável por vários atentados no território paquistanês, também é constante causa de troca de acusações.
Refúgio para terroristas?
O TTP trava uma guerra contra o Estado paquistanês desde 2007. O objetivo dos militantes é impor seu rígido modelo de governo islâmico, similar ao Talibã afegão, à nação predominantemente muçulmana.
Nos últimos meses, o grupo intensificou os ataques realizados. No começo deste mês, 31 pessoas morreram e outras 130 ficaram feridas em um atentado suicida a uma mesquita xiita em Islamabad.
Em novembro, após três anos sem ataques à capital, outro homem-bomba deixou 12 mortos e 27 feridos em frente a um tribunal.
O Paquistão afirma que a liderança do grupo militante Tehreek-e-Taliban Pakistan e muitos de seus combatentes estão baseados no Afeganistão, e que insurgentes armados que buscam a independência da província de Baluchistão , no sudoeste do Paquistão, também usam o país como refúgio.
Cabul nega repetidamente permitir que militantes usem o território afegão para lançar ataques no Paquistão e, por sua vez, acusa o país vizinho de abrigar combatentes de seu inimigo, o Estado Islâmico, o que Islamabad nega.
O TTP é conhecido como o Talibã do Paquistão. Além dos atentados realizados contra o Estado paquistanês, o grupo lutou ao lado do regime afegão contra as forças lideradas pelos EUA no Afeganistão e foi responsável pelo ataque contra a então estudante Malala Yousafzai , que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 2012.
Novos ataques terroristas escalaram conflito
Ataques realizados na última semana foram o estopim para a escalada do conflito atual.
No sábado (21), o Paquistão realizou ataques aéreos no Afeganistão contra alvos que, segundo o país, eram militantes responsáveis por uma série de atentados suicidas recentes em território paquistanês.
Cabul e as Nações Unidas afirmaram que pelo menos 13 civis morreram e um porta-voz do governo talibã chamou o ataque de “ato terrorista” e falou sobre violação de soberania. Fontes de segurança do Paquistão disseram que o ataque matou pelo menos 70 terroristas.
Na terça-feira (24), militantes emboscaram um veículo policial e um homem-bomba atacou um posto de controle em atentados separados no Paquistão. Ambos foram reivindicados pelo TTP e mataram sete policiais e dois civis.
Na semana passada, outro ataque realizado por um afegão ligado ao TTP matou 11 membros das forças de segurança paquistanesas e dois civis no distrito de Bajaur.
Em outubro, um cessar-fogo
G1
De aliado a inimigo: o que está por trás do conflito entre Paquistão e Afeganistão?
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