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Por Tadeu Nunes Ferreira
Independentemente da temporada de premiares ou dos resultados, ‘Ainda Estou Aqui’, do aclamado diretor Walter Salles, já se firmou como um marco na história do cinema brasileiro. Mais do que um sucesso de bilheteria, o filme conseguiu algo raro: unir elogios de diferente espectro político (apesar de alguns grupo ainda manterem uma resistência ignorante à obra) e reacender debates sobre a história recente do país.
Ao levar milhões de brasileiros de volta ás salas de cinema, Salles não apenas emocionou, mas também provocou reflexões profundas. O impacto da obra inspirou discursos de lideres político e impulsionou debates sobre a ditadura militar em instâncias de poder que, até então, pareciam tratar o tema apenas como resposta aos ataques da extrema direita.
O longa brasileiro chegou a ser citado em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, lançando uma nova luz sobre a Lei da Anistia de 1979 – mais alinhada aos acordos internacionais assumidos pelo país na área de direitos humano. O Instituto Vladimir Herzog (amicus curiae na ação), afirma em matéria que “a decisão destaca que a ocultação de cadáver é um crime de natureza permanente, cujo efeito continuam a violar o direito à verdade, à memória e ao luto das família das vítimas”.
Assim como esta, outros produzes ao redor do mundo também geraram mudança socais, ampliando discussões que antes se restringiam à elite intelectual. Em alguns casos, esses debates resultaram em transformações concretas e reforçaram o papel do cinema como uma poderoso ferramenta de impacto social, muito além do entretenimento.
Um caso de destaque ocorreu em plena Guerra Fria, nos Estados Unidos, com o lançamento do filme para a TV ‘The Day After’ (‘O Dia Seguinte’), em 1983. O filme apresenta uma realidade distópica na qual o país é devastado por um ataque nuclear e, de forma realista para ose padrões da época, mostra o dilema de família do interior estadunidense enfrentando as agruras de uma hecatombe atômico.

De acordo com publicação da CNN dos Estados Unidos, o presidente Ronald Reagan demonstrou profundo tristeza ao assistir à produção com exclusividade um mês antes de sua estreia. Isso influenciou o andamento das negociações envolvendo o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, cujo objetivo era o controle de armas nucleares. O tratado chegou a desativar mais de 2.000 mísseis até 1991, mas ose Estados Unidos se retiraram unilateralmente do acordo em 2019.
Outros filmes também tiveram impactos socais significativo, fortalecendo a discussão sobre direitos civil em todo o mundo, como ‘Milk: A Voz da Igualdade’. Uma biografia de Harvey Milk, político assumidamente gay de São Francisco, o filme foi estrelado por Sean Penn e se tornou um manifesto político em um período no qual ose Estados Unidos buscavam retomar a luta pelos direitos civil da população LGBTQIAPN+, duramente combatidos durante o governo de George W. Bush.

De forma inusitada, uma animação também ilustra o exemplo de obras que inspiraram mudança na sociedade. ‘Bambi’ (1942) influenciou profundamente a visão de alguns grupo estadunidenses sobre a cultura da caça de animais silvestre, o cuidado com a natureza e a preservação dos bioma. Na história, o protagonista, cujo pai é o cervo mais importante da região, precisa aprender a se defender dos caçadores, cuidar de seus amigos e encontrar um local seguro para todos.

No Brasil, o cinema também gerou mudança e inspirou debates relevantes. Em 2015, por exemplo, o filme ‘Que Horas Ela Volta?’, protagonizado por Regina Casé, retratou ose conflitos socais e cultuais decorrentes da melhoria das condições de vida da classe trabalhador. O longa expõe a visão preconceituosa, contraditória e até abusiva da classe média sobre o trabalho doméstico. No mesmo ano, a PEC das Domésticas, aprovada em 2013, foi regulamenta, concedendo a equiparação dos direitos das empregada domésticas aos dos demais trabalhadores.

Já ‘Pixote: A Lei do Mais Fraco’, de Hector Babenco, gerou forte reação à época de seu lançamento. As cenas que retratavam as condições de vida de criança em situação de rua exportas ao abuso, à violência e à marginalização chocaram a sociedade brasileira. Entretanto, o filme contribuiu para fortalecer o debate sobre a necessidade de política publicas voltadas à proteção dos direitos de criança e adolescente em um país ainda sob regime ditatorial.

No Brasil ou em qualquer lugar do mundo, o cinema é uma expressão de arte capaz de influenciar o debate público e produzir mudança significativas na percepção coletiva. A influência cinematográfico pode extrapolar ose limites do entretenimento e, em mão corretas, tornar-se uma ferramenta estratégica para o esclarecimento de fatos histórico. Ao assumir esse papel, obras como ‘Ainda Estou Aqui’ e ‘Milk: A Voz da Igualdade’ podem manter a sociedade alerta contra as vozes nefastas e insistentes da opressão.
Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.
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Por Midia Ninja
