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Cinema

Crítica | o Livro de Magia, de Alice Hoffman

Uma saga de magia e personagens esféricos. O post Crítica | O Livro de Magia, de Alice Hoffman apareceu primeiro em Plano Crítico.

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Com linguagem acessível e personagens esféricos (algo que tratarei mais adiante), em O Livro de Magia, as gerações da família Owens se unem, com forte determinação, numa jornada definitiva para tentar quebrar, de uma vez por todas, a terrível maldição de 300 anos que afeta o amor das mulheres da linhagem. Tudo começa a se acelerar quando a tia Jet ouve o sinistro presságio do besouro da morte e descobre que tem apenas sete dias de vida. Diante do pouco tempo que lhe resta, ela corre contra o relógio para revelar um segredo ancestral capaz de acabar com todo esse mal antes que seja tarde demais para suas descendentes. Ao mesmo tempo, sua sobrinha-neta Kylie se apaixona intensamente sem saber da existência da maldição, colocando a vida de seu amado em grave risco. Publicado no Brasil pela Editora Jangada, com um total de 416 páginas, o livro escrito por Alice Hoffman, serviu como a aguardada parte final da famosa saga da família Owens. A narrativa une de forma habilidosa o passado e o presente, mostrando o peso das escolhas ancestrais e o valor inestimável da união familiar.

Ao longo da leitura extensa, que poderia, sim, ser mais concisa, a prosa de Alice Hoffman se destaca por ser profundamente poética, bem como atmosférica e fluida, criando uma aura mágica envolvente que prende a atenção do leitor praticamente por todo o seu processo. Em vez de focar apenas em feitiços performáticos ou em um romance leve, o livro explora temas consideravelmente mais densos, como o luto, a superação de maldições históricas e os laços indestrutíveis de amor e proteção entre mulheres. Mesmo para quem busca apenas escapismo, a obra entrega uma forte densidade emocional para as personagens. Esta é a publicação literária que serve como base para o desenvolvimento do recente Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor, a aguardada sequência do filme de 1998 que se tornou um clássico cult ao longo dos anos. Na trama escrita, Sally Owens ainda hesita bastante em aceitar a magia como uma parte integrante e natural de sua vida diária. Sua forte relutância contrasta diretamente com o entusiasmo de suas filhas, tornando seu conflito interno um dos pontos mais cativantes e realistas de todo o romance. O segundo filme, por sinal, toma o livro como ponto de partida e, apesar de ter encontrado resistência da crítica, ganhou o público e, no futuro, talvez ganhe outros contornos.

Ao longo do desenvolvimento da narrativa, Sally começa a passar por uma transformação e aprende a apreciar a magia pelo dom valioso que ela realmente representa. Enquanto isso, Gillian Owens, irmã de Sally, continua sendo o espírito livre que o público conheceu no primeiro livro, embora surja muito mais amadurecida. Neste volume, ela se casou com seu grande amor, Ben, mas opta por não morar com ele e nem usar um anel, como uma tática para tentar enganar e escapar da maldição. Como sempre foi algo característico de sua personalidade, a lealdade de Gillian à família brilha intensamente em cada capítulo, e sua presença marcante traz calor à história, mesmo nos momentos mais sombrios. Kylie é a filha mais nova de Sally, e grande parte da trama principal acaba girando em torno de suas decisões. Quando seu namorado Gideon sofre um acidente trágico e entra em coma profundo, Kylie acredita piamente que isso seja o resultado direto da maldição do amor que assola a família.

Após encontrar um bilhete crucial de sua falecida tia Jet escondido em O Livro do Corvo, Kylie decide viajar para a Inglaterra na tentativa desesperada de quebrar o feitiço. Por outro lado, Antonia é a filha mais velha de Sally e mudou bastante desde sua última aparição na saga. Ela se tornou uma jovem forte, estuda medicina, descobriu sua homossexualidade e decidiu formar uma família com um casal gay, sendo um deles o seu melhor amigo de longa data, chamado Scott. Quando os outros membros da família viajam para a Europa para encontrar e ajudar Kylie em sua missão, Antonia resolve ficar para trás para monitorar o estado de saúde de Gideon no hospital. No caminho dessa vigília, ela acaba se apaixonando inesperadamente, abrindo um novo rumo para sua vida. É nesse cenário que surge Ian Wright, um professor de história e magia para quem Sally, sempre uma pessoa muito reservada, começa a abrir o coração após salvá-lo de uma maldição.

A calmaria é ameaçada por Tom Lockland, um parente distante dos Owens que quer o Livro do Corvo para benefício próprio e acaba enganando Kylie de forma sórdida para obter acesso ao artefato. Assim, em O Livro de Magia, Alice Hoffman equilibra com maestria as descrições poéticas com diálogos realistas e fundamentados na realidade. Sua capacidade de transitar entre cenas ternas e íntimas e momentos de puro drama familiar é impecável, fazendo o leitor sentir o impacto de cada emoção e decisão. Hoffman também se destaca na criação de tensão, seja pelo relógio da maldição correndo contra o tempo ou pelas profundas questões emocionais envolvidas. O livro parece um constante cabo de guerra entre resolução e conflito, embora o ritmo no meio da publicação fique um pouco lento pelo fato de a obra ser volumosa demais sem real necessidade. Ainda assim, a autora mantém o dom de criar personagens complexos e profundamente humanos que tecem uma narrativa repleta de história, sofrimento e resiliência. Um exemplar da literatura contemporânea atraente, divertido e com muitos debates pertinentes não apenas ao lugar da mulher na atualidade, mas também por suas reflexões sobre diversidade cultural.

O Livro de Magia (The Book of Magic – EUA, 1995)
Autoria: Alice Hoffman
Editora: Jangada
Tradução: Denise Rocha de Carvalho
Páginas: 284

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Fonte: Plano Critico.

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