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Cinema

Crítica | Avatar: Sete Refúgios – 1X04 a 06: os Sem-Rosto / Aquele Deixado para Trás / a Noite dos Afligidos

Conhecendo o primeiro refúgio. O post Crítica | Avatar: Sete Refúgios – 1X04 a 06: Os Sem-Rosto / Aquele Deixado para Trás / A Noite dos Afligidos apareceu primeiro em Plano Crítico.

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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas de todos os episódios da série e, aqui, de todo nosso material do universo Avatar.

Dando continuidade ao bom início de Avatar: Os Sete Refúgios, a nova trinca de episódios demonstra mais interesse em explorar as consequências sociais de seu mundo pós-apocalíptico do que simplesmente reproduzir a jornada tradicional de um Avatar aprendendo os quatro elementos. Particularmente, gosto dessa direção, ainda que permaneçam algumas ressalvas em relação à animação, ao ritmo e à construção de sua mitologia. A grande diferença em relação aos três primeiros capítulos é que Ellora começa a ganhar maior complexidade para além de sua bela arquitetura, com uma sociedade atravessada por escassez, conflitos políticos, radicalização e uma crescente desconfiança de suas próprias autoridades.

O quarto episódio trabalha justamente essa ampliação, começando com os ataques de um grupo de saqueadores mascarados aos estoques de alimentos da cidade. É uma premissa relativamente simples, mas funcional para demonstrar que a sobrevivência dos refúgios depende de um equilíbrio bastante frágil. A introdução da equipe de Jae, formada por dobradores de diferentes elementos, também ajuda a estabelecer melhor a dinâmica da Brigada de Dobra, que até então parecia existir mais como informação de mundo do que como instituição verdadeiramente presente.

Em termos de ação, o episódio encontra boas oportunidades no confronto com os Sem-Rosto, principalmente ao trabalhar a defesa dos portões de Ellora e a tentativa de Pavi e Nisha de impedir o sequestro dos camodilos. Gosto dessa variedade de objetivos dentro de uma mesma sequência, com os confrontos não se resumindo à tradicional troca de golpes entre dobradores. Há uma preocupação em utilizar diferentes espaços e obstáculos para organizar a ação. Ainda assim, continuo sentindo falta de uma fluidez maior na animação e de melhores ideias na composição das cenas, com a movimentação corporal permanecendo menos expressiva do que nos melhores momentos de A Lenda de Korra.

Vemos também uma boa progressão em termos dramáticos. A investigação de Pavi e Nisha sobre suas origens ganha novos elementos com a descoberta do esconderijo de Karthik e dos artefatos preservados do mundo antigo. Gosto particularmente dessa ideia de uma espécie de cápsula de memória civilizacional, com objetos que não apenas carregam pistas pessoais, mas também remetem a um passado aparentemente perdido. É uma maneira relativamente elegante de alimentar a curiosidade sobre os acontecimentos posteriores a Korra sem recorrer imediatamente a grandes exposições sobre o cataclismo.

A descoberta da pulseira de Nisha, semelhante ao broche de Pavi, também fortalece a relação entre as irmãs. A revelação de que Karthik encontrou apenas Nisha após uma tempestade de areia, sem conseguir localizar seus pais, introduz um conflito de abandono que ajuda a desenvolver a personagem para além de sua personalidade mais impetuosa, ainda que tudo encoste no clichê. Até aqui, Pavi continua sendo minha favorita, principalmente pelo contraste entre sua natureza compassiva e a dimensão da responsabilidade que lhe foi atribuída, mas Nisha ganha novas camadas neste capítulo. A diferença entre as duas deixa de ser apenas uma oposição comportamental e passa a envolver experiências bastante distintas de solidão, proteção e pertencimento.

Karthik, por sua vez, começa a ganhar uma ambiguidade interessante. Seu comportamento protetor possui uma dimensão genuinamente afetiva, mas também está atravessado por segredos, omissões e decisões tomadas em nome de pessoas que não tiveram oportunidade de escolher. É uma variação de um conflito bastante conhecido da franquia, especialmente quando pensamos em figuras como Tenzin, mas que funciona justamente porque coloca em dúvida a legitimidade de uma autoridade supostamente benevolente.

Paralelamente, a crise política de Ellora é uma das melhores construções desses episódios. A disseminação de mensagens contrárias ao Avatar, a desconfiança dentro da Brigada e a pressão sobre a chanceler Kayoko demonstram como a própria narrativa oficial construída contra o Avatar acaba se voltando contra seus governantes. A relação de Jae com Datu também se torna mais interessante dentro desse conflito, apesar de ainda considerar que alguns desses coadjuvantes precisam de maior desenvolvimento. Espero que a série comece a conectá-los a problemas que vão além da aventura das protagonistas.

O último episódio da semana tem um conjunto bacana na integração entre ameaça sobrenatural e conflito social. A entidade avermelhada apresentada anteriormente passa a contaminar os moradores por meio de cristais e manifestações de medo, transformando o hospital em um ambiente de paranoia coletiva. A sequência no hospital funciona bem como bloco de tensão simples nesse sentido, apesar de sentir a falta de um senso de urgência maior nos perigos da série até aqui.

O confronto das irmãs com a entidade, culminando em uma manifestação conjunta de dobra de energia e em uma visão de seus pais, também dá continuidade ao grande mistério da temporada. Ainda não estou totalmente convencido de que a ideia de duas Avatares será desenvolvida de maneira satisfatória, mas há uma construção coerente de complementaridade entre Pavi e Nisha. É algo que parece buscar inspiração na filosofia de equilíbrio que sempre sustentou a franquia, agora materializada em duas pessoas diferentes que precisam aprender a agir como uma unidade.

No saldo, considero esses três episódios uma boa continuidade, talvez mais interessantes pelo aprofundamento dos personagens e das questões políticas de Ellora do que pela aventura propriamente dita. A série começa a justificar melhor seu mundo pós-apocalíptico, constrói conflitos sociais que dialogam com a rejeição ao Avatar e encontra em Pavi e Nisha um núcleo emocional promissor, além de várias situações mais cômicas espalhadas pelos conflitos. Até o momento, sinto falta de uma expansão geográfica maior, mas talvez esteja me apressando demais.

Avatar: Sete Refúgios – 1X04 a 06: Os Sem-Rosto / Aquele Deixado para Trás / A Noite dos Afligidos (Avatar: Seven Havens – 1X04 a 06: The Faceless / The One Left Behind / Night of the Afflicted) | EUA, 16 de outubro de 2026
Criação: Bryan Konietzko, Michael Dante DiMartino
Direção: Kenji Ono, Jen Bennett
Roteiro: Lauren Bradley, Jennifer Cho Suhr, Peter H. Lee
Elenco: Saheli Khan, Aishu Devan, Akshay Khanna, Major Curda, Sakina Jaffrey, Darren Barnet, Dianne Doan, Dee Bradley Baker
Duração: 20 min. aprox. (cada)

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Fonte: Plano Critico.

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