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Cinema

Crítica | Motel Diabólico (1980)

Um lugar de descanso... para a eternidade? O post Crítica | Motel Diabólico (1980) apareceu primeiro em Plano Crítico.

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Lançado em 1980, antes que a febre dos slashers dominasse completamente a década, Motel Diabólico, dirigido por Kevin Connor, é uma narrativa concebida (sem dúvida alguma) sob a influência de O Massacre da Serra Elétrica. O filme traz para a tela a improvável, mas de certa maneira, fascinante parceria entre Rory Calhoun, uma lenda dos faroestes, e Nancy Parsons, conhecida por suas atuações em comédias. Juntos, eles dão vida a dois irmãos bizarros que gerenciam o Motel Hello e escondem um segredo macabro por trás de suas famosas e disputadas carnes defumadas: o uso de carne humana colhida de hóspedes incautos. Embora no passado tenha sido encarado como uma sátira divertida e bizarra, uma revisão contemporânea de seus 102 minutos deixa um sabor mais amargo. O que poderia ser uma paródia visceral e ágil do subgênero acaba se perdendo em um ritmo que se arrasta excessivamente, diluindo o impacto de sua premissa excêntrica. Ao transitar entre o horror e o humor de forma desequilibrada, a trama desperdiça o potencial de seus elementos clássicos de Tobe Hooper, transformando o que deveria ser entretenimento puro em frequentes momentos de tédio para o espectador atual.

Durante o dia, Vincent (Rory Calhoun) projeta a imagem de um homem matuto e amável do interior, mas a queda do sol revela sua face como um psicopata implacável que, sob uma máscara de porco e empunhando a sua motosserra, executa crimes atrozes. Ele encontra em sua irmã, Ida (Nancy Parsons), a cúmplice ideal: uma mulher insana e sarcástica que serve como a verdadeira força motriz de sua loucura. Juntos, eles alimentam um negócio macabro para obter o ingrediente secreto de suas carnes defumadas. A direção de arte de Joseph M. Altadonna pontua essa perversidade com ironias visuais, como o letreiro de neon defeituoso onde a letra “o” apagada transforma o motel “Hello” no sinistro “Hell”. O brilho vermelho e oscilante do letreiro, que ainda anuncia “há vagas”, prepara o espectador para uma atmosfera indigesta, perigosa e profundamente nociva. Mas, apesar da premissa criativa, o filme se embrenha em subtramas perturbadoras, como a rede de sedução que Vincent tece ao redor da jovem Terry (Nina Axelrod), uma garota acidentada que demonstra uma atração por homens mais velhos.

Essa dinâmica doentia se soma à caótica relação familiar entre Vincent e seus irmãos, Ida e Bruce Smith, formando uma unidade de pura insanidade. Embora o slasher tente equilibrar um humor bizarro com uma narrativa perversa, a trama nem sempre consegue sustentar o fôlego necessário para ir além de seu choque inicial. É preciso acompanhar a jornada até o desfecho para compreender a extensão da loucura dessa dinâmica familiar, que encerra a obra com um tom decididamente perturbador e doentio. O roteiro de Robert Jaffe e Steven-Charles Jaffe, embora marcado por certas imprecisões e um ritmo que por vezes se arrasta, consegue estabelecer uma atmosfera de cinismo e sarcasmo que define a obra. Existe um charme inegável na imprevisibilidade de sua trama, que serviu de inspiração para as perversões cinematográficas de diversos cineastas nas décadas seguintes. Esse ambiente de perturbação psicológica é reforçado pela trilha sonora de Lance Rubin, que foge de sustos fáceis e sons estridentes, e pela fotografia de Thomas Del Ruth, que mapeia com precisão os espaços labirínticos onde vítimas e algozes se cruzam. É aquele filme interessante, curioso, mas que “envelheceu sem saúde”.

Relançado recentemente em mídia física no Brasil, Motel Diabólico é um mosaico de depravação, unindo canibalismo, plantações humanas, serras elétricas e personagens usando cabeças de porco em uma mistura de mau gosto proposital, sujeira e comédia pastelão. Em meio a esse cenário de horror e críticas ácidas à religião e ao sistema, destaca-se a figura irônica de Bruce Smith (Paul Linke). Na pele do xerife errante da cidade, ele personifica a ineficiência local até que, em um momento crucial, assume o papel de herói para tentar salvar os incautos da carnificina promovida pelos donos do estabelecimento. Entre momentos de nudez gratuita e uma estética de exploração, a obra se consolida como uma parada obrigatória, e indigesta, na estrada do horror. O desfecho dessa dinâmica familiar revela uma rede de insanidade que transforma o Motel Hello em um símbolo de perversidade, onde a linha entre o entretenimento bizarro e o tédio existencial é constantemente testada ao longo de sua metragem.

Não é ruim, mas não chega a ser efetivamente bom, ficando no meio do caminho, tal como o motel que nomeia a narrativa, situado na estrada.

Motel Diabólico (Motel Hell, Estados Unidos – 1980)
Direção: Kevin Connor
Roteiro: Robert Jaffe, Steven-Charles Jaffe
Elenco: John Ratzenberger, Rosanne Katon, Monique St. Pierre, Nina Axelrod, Rory Calhoun, Elaine Joyce
Duração: 101 minutos

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Fonte: Plano Critico.

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