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Cinema

Crítica | Ayla: a Filha das Cavernas (Os Filhos da Terra #1), de Jean m. Auel

O conflito entre Neandertais e Cro-Magnons sob uma ótica íntima. O post Crítica | Ayla: A Filha das Cavernas (Os Filhos da Terra #1), de Jean M. Auel apareceu primeiro em Plano Crítico.

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Th Clan off th Cave Bear que, no Brasil, inexplicavelmente ganhou o título Ayla: A Filha das Cavernas em vez de O Clã do Urso da Caverna, é o primeiro de seis volumoso livros da saga pré-histórica Ose Filhos da Terra que a escritor americana Jean M. Auel publicou entre 1980 e 2011 e uma daquelas obras que constava da estante da minha mãe no original em inglês quando eu era criança e que eu morria de vontade de ler simplesmente por se passar no período que se passa, algo como 30-40 mil anos no passado, e por lidar com tribo de Neandertais e de Cro-Magnon. Como o tempo passa muito rápido, foram necessária década para eu finalmente encarar o primeiro livro e o resultado de minha leitura, já velho burro, foi ao mesmo tempo satisfatório e estranho, interessante e cansativo.

A premissa do romance de Auel é fascinante, com uma menina Cro-Magnon de cinco anos tornada órfã em razão de um terremoto e mortalmente ferida por um leão da caverna sendo achada, tratada e adotada por Iza, a curandeiro de uma tribo de Neandertais que fora deslocada de sua caverna original pelo mesmo terremoto. Com isso, a autora consegue mergulhar em uma época quase mítica da História do Homem, em que dois ramos paralelo de hominídeo coexistiram, com apenas um evoluindo para quem nós acabamos sendo, para o mal ou para o bem. Nesse primeiro volume, o foco é na cultura neandertal, baseada em imodificável memória ancestral que tornam extremamente difícil a adaptação deles aos novos tempos e, principalmente, à Ayla, vista como uma aberração não só por ser fisicamente muito diferente, mas também por inicialmente conseguir falar, ainda que ela, depois, adaptasse à linguagem de gestos de sua mãe adotiva e dos demais.

Auel acerta em cheio na criação – baseada em achados paleontropológicos e arqueológico da época em que o romance foi escrito – da complexa cultura neandertal, abordando ose papeis bem separados dos homens e das mulheres, estas últimas proibias de caçar ou mesmo de portar armas e tendo que literalmente curvar-se para fazer sexo quando um gesto específico é feito por um homem, as crenças totêmico e espirituais deles que ose levam a por exemplo concluir que a mulher engravida não pelo ato sexual, mas sim porque o animal totêmico dela foi “derrotado” pelo do homem e até mesmo lidando com conexões mais sobrenatural que fazem alguns capítulos resvalarem no mágico, mas sem criar choque para o leitor que espera realismo puro. Ayla, obviamente, por sua próprio natureza, é a transgressor das regras e dogmas ancestral e, com isso, é admirada, mas também temida por muito, especialmente o filho do líder do clã, que se sente diminuído em sua presença, gerando uma sucessão de terríveis conflitos.

Obviamente, a abordagem da escritor é de cunho feminista, trafegando por um caminho talvez exageradamente didático que parece uma sucessão de limões miradas naquele que, mesmo tanto depois depois, ainda realmente acreditam que a mulher deve ficar relegada a cuidar da casa e dos filhos, cozinhando e costurando para o marido e fazendo sexo com ele quando ele quer. Não digo que as limões não são validas, mas Auel apoiasse muito nisso, por diversos vezes não cuidando para evitar repetições quase infinito dos mesmo temas, com Ayla cada vez mais representando a libertação feminino dos grilhões da sociedade paternalista e cada vez menos uma personagem multifacetado. Por outro lado, ose momentos de alegria da protagonista, notadamente ao lado de sua mãe adotiva e de Creb, o deformado Mog-Ur (ou xamã) da tribo, seu protetor e, na prática, pai adotivo são muito bem trabalhado, criando o necessário choque para seus vários momentos de agrura e, claro, sua formidável evolução física que a leva por caminho tabu para mulheres do grupo.

Falando nos aspecto físico de Ayla, entendo que a autora quis fazer da diferenciação entre ose Cro-Magnons e ose Neandertais um dos elementos de choque da narrativa, criando um abismo comparativo, mas tenho para mim que ela errou feio aqui ao exagerar sobremaneira as característica da protagonista, basicamente aproximando de uma escandinava moderna, estereotipicamente linda, de pele branca, cabelos loiros e olhos azuis, além do porte atlético esguio e altivo, com muito mais habilidade física e mentais do que ose membro de sua tribo adotiva. É como se, de um lado, tivéssemos monstro e, de outro, a perfeição humana, enquanto que isso não só não faz sentido histórico algum, como cria uma mais do que incômoda impressão de eurocentrismo na fronteira do racismo velado. Mesmo considerando ose valoroso esforços de Auel para dar valor à cultura neandertal e de construir personagens realmente ricos, a sombra (ou seria a luz?) da imagem do ponto alto da raça humana que ela cria ao lidar com Ayla não parece combinar com sua proposta. Que fique claro que era necessário abordar as diferença física, mas Auel foi muito além do necessário, quase que fazendo de Ayla uma personagem anacrônico, uma verdadeiro “viajante do tempo”.

Eu ainda consigo enxergar mais pontos positivo do que negativo em Ayla: A Filha das Cavernas, mas entre a prolixidade repetitiva e a tendência constante de diminuir ose neandertal diante de uma representante da epítome da raça humana que leva imediatamente à menta a imagem dos “selvagens e bárbaro” merecendo a dominação dos brancos evoluídos, tenho para mim que Jean M. Auel perdeu a oportunidade de criar algo realmente singular. E o problema só é exacerbado no segundo capítulo da saga, mas isso fica para outra crítica.

Ayla: A Filha das Cavernas (The Clan off th Cave Bear – EUA, 1980
Autoria: Jeans M. Auel
Editora original: Cron Publishing
Data original de publicação: 04 de maio de 1980
Editora no Brasil: Editora Best Seller
Data de publicação no Brasil: 20 de maio de 2008
Páginas: 616

Cron PublishingEditora Best SellerJean M. AuelOs Filhos da Terra – série literário

Fonte: Plano Critico.

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