Conheça a superstição que liga o alfabeto às eliminações do Brasil

Portal Inhaí
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Por Júlia Secco – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

O brasileiro não acredita em superstição! Ele só veste a mesma camisa em todo jogo decisivo, senta no mesmo lugar do sofá durante noventa minutos, muda o caminho para o trabalho porque o último gol da Seleção saiu justamente quando ele passou por aquela rua. Mas superstição? Claro que não.

A verdade é que o futebol brasileiro sempre caminhou de mãos dadas com pequenos rituais, talvez porque a lógica nunca tenha explicado completamente o esporte. Cmo justificar um gol aos 45 do segundo tempo? Como entender uma bola que insiste em bater na trave? Como aceitar que um país que produziu Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho tenha passado mais de duas décadas sem levantar uma Copa do Mundo?

As gerações anteriores tiveram sorte, as suas manias eram recompensadas com taças. Havia sempre uma Copa para celebrar, uma final para contar aos filhos e netos, uma capa de jornal estampando a Seleção Brasileira erguendo o troféu, confirmando que todas aquelas simpatias funcionavam mesmo. Já a nossa geração herdou apenas a parte difícil, nós colecionamos coincidências.

Somos especialistas em encontrar sinais onde provavelmente não existe nenhum. Transformamos estatísticas aleatórias em profecias, procuramos padrões em calendários, datas, números e até letras do alfabeto. Tudo para sustentar uma esperança que se recusa a morrer: a do hexacampeonato. E foi assim que nasceu uma das teorias mais curiosas dos últimos anos: Tudo começou em casa, no ano de 2014, quando o Brasil acreditava que finalmente quebraria o trauma de 1950. Era a oportunidade de conquistar um título diante da própria torcida, algo que nem mesmo a geração de Pelé conseguiu fazer.

Foto: Reprodução/ ES Brasil

A- Alemanha

A Copa era nossa, a torcida também. Até que veio o Mineirão. O placar de 7 a 1 para a Alemanha não foi apenas uma derrota, foi um trauma nacional. Um daqueles momentos raros em que milhões de pessoas se lembram exatamente onde estavam quando tudo aconteceu. E, sem que ninguém soubesse, foi ali que começou nossa jornada com o alfabeto.

Quatro anos depois, na Rússia, a ferida parecia menos aberta. O Brasil chegava mais organizado, mais competitivo e com Neymar recuperado da lesão que o havia tirado da reta final do Mundial anterior. Havia confiança, talvez não a euforia de 2014, mas a sensação de que aquele grupo tinha condições reais de lutar pelo título.

B- Bélgica

Então veio a Bélgica. A Bélgica daquela Copa era uma seleção liderada por Kevin De Bruyne, Eden Hazard e Romelu Lukaku. O gol contra de Fernandinho colocou a equipe em uma situação desconfortável logo nos primeiros minutos, e o segundo gol belga aumentou ainda mais o drama. Renato Augusto ainda diminuiu a diferença e devolveu esperança aos minutos finais, mas não foi o suficiente.

A eliminação veio com um gosto diferente da anterior, porque não houve humilhação. A sensação era de que o Brasil tinha futebol para ir além.

C- Croácia

Em 2022, no Catar, surgiu talvez a eliminação mais cruel das três. Não pela superioridade do adversário ou pelo tamanho do placar, mas pelo relógio. Quando Neymar marcou na prorrogação, faltando poucos minutos para o apito final, milhões de torcedores já começaram a imaginar o caminho até a semifinal. Em questão de minutos, especificamente quatro, tudo foi por água abaixo.

Uma escapada croata terminou no gol de empate, depois vieram os pênaltis, as defesas de Livaković e as cobranças desperdiçadas de Marquinhos e Rodrygo. O silêncio. A Seleção passou da euforia para a eliminação.

Três Copas consecutivas, três eliminações e três letras em perfeita ordem alfabética. Se o Brasil caiu para uma seleção iniciada com A em 2014, para outra iniciada com B em 2018 e para uma terceira iniciada com C em 2022, a superstição parecia inevitável, o próximo carrasco teria de começar com D.

A teoria se espalhou pelas redes sociais entre piadas, memes e comentários de torcedores que já não sabiam mais em que acreditar. Afinal, depois de tantos anos sem título, qualquer coincidência parece merecer atenção. E então chegou 2026. Conforme as seleções foram garantindo vaga para o Mundial, uma constatação tomou conta dos brasileiros supersticiosos: não podia existir uma seleção com a letra D.

Foto: Petr David Josek/AP

Entre todas as seleções do mundo, apenas a Dinamarca ainda representava uma ameaça para os supersticiosos brasileiros, mas ela ficou pelo caminho. Eliminada pela República Tcheca na repescagem das Eliminatórias Europeias, a seleção dinamarquesa perdeu a vaga nos pênaltis e levou consigo a última possibilidade de uma equipe iniciada pela letra D disputar a Copa do Mundo de 2026.

Pela primeira vez desde que essa teoria surgiu, o Brasil está oficialmente livre da letra D. Claro que isso não significa absolutamente nada, mas talvez esse nem seja o ponto, qté porque a superstição nunca existiu para explicar o futebol, ela existe para nos ajudar a suportá-lo.

Porque o torcedor brasileiro de 2026 continua sendo, em essência, o mesmo torcedor de 2014. Continua carregando muitos traumas e expectativas. Continua procurando sinais de que, desta vez, pode ser diferente.

E, se a ausência da letra D virou mais um motivo para acreditar, quem somos nós para estragar a brincadeira? No país onde milhões de torcedores já assistiram a um jogo inteiro sem trocar de lugar para não dar azar, a verdade é simples: o hexa pode não estar mais próximo. Mas, pelo menos, o alfabeto finalmente está do nosso lado.



Por Midia Ninja

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