HeartBot foi desenvolvido para ampliar o acesso das mulheres a informações sobre sintomas e prevenção de doenças cardíacas
Reconhecer um infarto nem sempre é simples, especialmente quando os sintomas não correspondem à imagem mais conhecida do problema. Para ajudar mulheres a identificar possíveis sinais de alerta e entender os fatores que afetam a saúde do coração, pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), nos Estados Unidos, desenvolveram o HeartBot, um assistente de inteligência artificial voltado à educação em saúde cardiovascular.
A ferramenta permite conversar sobre sintomas, prevenção e fatores de risco, com respostas elaboradas a partir de informações científicas organizadas pela equipe responsável pelo projeto. A proposta é oferecer orientações em linguagem acessível e ajudar as usuárias a reconhecer situações que exigem atenção médica.
HeartBot responde a perguntas sobre doenças cardiovasculares (Crédito: Noah Berger)
Sintomas podem aparecer de formas diferentes
A dor no peito é um dos sinais mais conhecidos de infarto e pode ocorrer tanto em mulheres quanto em homens. No entanto, mulheres também têm maior probabilidade de apresentar manifestações como falta de ar, náusea, vômitos e dores nas costas ou na mandíbula.
Por serem menos associadas popularmente a um problema cardíaco, essas manifestações podem ser confundidas com outras condições. Essa dificuldade de reconhecimento pode atrasar a procura por atendimento, justamente em uma situação na qual o tempo é determinante.
O HeartBot foi pensado para responder a dúvidas comuns sobre essas diferenças. Entre as perguntas que recebe estão como distinguir uma possível emergência cardíaca de uma azia e quais sintomas merecem atenção especial.
Como funciona o assistente de inteligência artificial
O projeto foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar liderada pela pesquisadora Yoshimi Fukuoka, professora da Escola de Enfermagem da UCSF. A primeira versão do HeartBot foi lançada em 2021, com base em um trabalho que reuniu especialistas em enfermagem cardiovascular, comunicação, linguística, computação e estatística.
Para construir a base de conhecimento, os pesquisadores reuniram quase 600 perguntas que poderiam ser feitas pelas usuárias e prepararam respostas fundamentadas em pesquisas. A equipe também trabalhou na linguagem e no formato das conversas para que a interação fosse mais natural e fácil de compreender.
A versão atual, chamada HeartBot II, recebeu melhorias em 2025. O sistema passou a funcionar como aplicativo, com apoio de um modelo de linguagem, e incorporou módulos educativos sobre doenças cardíacas, sintomas de infarto, fatores de risco e prevenção.
Um dos cuidados do projeto é limitar as respostas ao conteúdo organizado pelos pesquisadores. Dessa forma, a equipe procura reduzir a possibilidade de a inteligência artificial apresentar informações médicas falsas ou enganosas.
Estudo acompanha 201 mulheres
A equipe está avaliando se o acesso ao assistente realmente contribui para que as mulheres aprendam e se lembrem das informações recebidas. Para isso, conduz um estudo clínico randomizado de seis meses com 201 pacientes do sistema de saúde da UCSF.
As participantes foram divididas em dois grupos. Uma parte recebe acesso imediato às atividades educativas do HeartBot II, enquanto a outra integra o grupo de controle e terá acesso à ferramenta posteriormente.
Ao longo do acompanhamento, os pesquisadores vão comparar o conhecimento adquirido e a capacidade de reconhecer sinais de doenças cardíacas. O objetivo é descobrir se as conversas com o assistente podem influenciar a decisão de procurar ajuda médica diante de sintomas potencialmente graves.
O HeartBot ainda está em fase de avaliação e não substitui consultas, exames ou serviços de emergência. A expectativa dos pesquisadores é verificar se a tecnologia pode funcionar como uma aliada na educação em saúde e ajudar mais mulheres a reconhecer quando é necessário agir rapidamente.
Bruna Valle
jornalista
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Fonte: Antena 1.
