A cantora e compositora Catarina Zenaro estreia, neste 26 de junho, o EP I Want The Love I See In Movies. Formada apenas por canções autorais em inglês, a obra chega pela gravadora canadense The Citadel House e se dedica a narrar histórias sobre relacionamentos vividos pela autora, bem como suas consequentes elaborações, apresentando ao ouvinte cinco faixas cujo percurso quase sempre desemboca na mesma questão: a de encontrar ou perder um amor de cinema, seja ele romântico ou não. Ouça aqui.
O processo de gravação do EP foi marcado por uma construção colaborativa entre Zenaro e o produtor Rique Di Azevedo. Juntos, os dois apostaram em uma sonoridade orgânica, baseada na dinâmica de banda, combinando bateria, baixo, guitarras e teclados com discretos elementos eletrônicos. A atenção aos detalhes também guiou as sessões, da escolha dos instrumentos à construção das harmonias vocais, um dos aspectos mais marcantes do trabalho. “A Catarina é uma contadora de histórias, que apoia esses discursos muito verdadeiros e que fazem parte da vida dela nos arranjos. É um prazer trabalhar com ela e tê-la em todo o processo criativo, sugerindo. Este EP é um trabalho feito em conjunto”, diz Rique.
Gravado em São Paulo entre 2024 e 2025, o projeto tem como carro-chefe Bella, uma balada marcada pela melancolia e pela reflexão. Na canção, Zenaro revisita lembranças de pessoas que um dia foram muito próximas, mas que, com o passar do tempo, tornaram-se estranhas. Ainda assim, a letra preserva o afeto por essas relações e a ternura das memórias compartilhadas. É também a única faixa do trabalho que foge de uma estrutura mais convencional, dispensando um refrão claramente definido — escolha que reforça seu caráter intimista.
Na sequência, o ouvinte encontra House Party, faixa que mergulha em sentimentos de decepção, traição e ruptura da amizade. Zenaro reflete sobre o momento em que a confiança é quebrada e surge a necessidade de se afastar para seguir em frente. A composição nasceu de forma espontânea, durante uma madrugada de inspiração. “Aqui, eu canto sobre a tristeza causada por alguém em quem você confiava muito, mas de quem precisa igualmente se desvencilhar para conseguir seguir adiante. Escrevi essa música de madrugada, quando a inspiração simplesmente apareceu”, conta a artista, em uma reflexão que naturalmente nos direciona ao capítulo seguinte, Twenty Two.
Nesta etapa, Zenaro aborda os vestígios deixados por pessoas que já não fazem mais parte de sua rotina — algo que também remete à passagem natural do tempo, percepção igualmente expressa na identidade visual concebida por Thiago Dalleck. A canção nasce do entendimento de que certos vínculos permanecem conosco mesmo após o afastamento, seja por meio das memórias, dos aprendizados ou das marcas que ajudaram a moldar quem nos tornamos.
No single mais recente, Lie Lie Lie, estamos diante de um relacionamento marcado por mentiras e frustrações. Trata-se de um retrato dessa honestidade lírica que não só a caracteriza, mas também evoca o trabalho de ídolos como Taylor Swift e Lizzy McAlpine. Em voo solo, a artista explora o momento de amadurecimento em que compreende não ser possível mudar o outro, mas sim transformar a forma como se reage às suas atitudes.
Encerrando o EP, Never Take That Back se debruça sobre a idealização do amor e a esperança de um final feliz, mesmo quando este ainda não foi vivido. Na faixa, Zenaro reflete sobre as expectativas construídas a partir dos romances do cinema e sobre o desejo de experimentar um amor tão intenso e duradouro quanto aqueles retratados na ficção — sem medo de verbalizá-lo. Após uma série de altos e baixos emocionais, a artista transforma esse anseio em um manifesto de sinceridade. A composição, inclusive, surgiu durante uma viagem ao litoral de São Paulo, de maneira quase acidental. “Sou muito grata ao Airbnb que aluguei por ter um violão disponível. Eu não tinha levado o meu e, sem aquele instrumento, essa música provavelmente nunca teria existido”, relembra.
Ao fim do caminho traçado pelas cinco faixas, Catarina Zenaro conclui um processo alquímico de transformar experiências pessoais em canções. A partir das múltiplas perspectivas reveladas por sua escrita confessional, o novo EP busca reafirmá-la como uma voz sensível de sua geração, capaz de encontrar beleza e significado mesmo nas relações que o tempo transforma. Sem receio de expor suas vulnerabilidades, a artista propõe agora um trabalho emocionalmente transparente, capaz de abraçar os sentimentos em toda a sua complexidade e convidar o ouvinte a se reconhecer em cada história.
A cantora e compositora Catarina Zenaro mantém uma forte relação com a música desde a infância. Aos 6 anos, foi matriculada pelos pais em aulas de violão — porta de entrada para o canto e para a composição, que viriam pouco tempo depois. Aos 12, gravou sua primeira música em estúdio, dando o pontapé inicial em sua trajetória como artista.
Da proximidade com o produtor Rique Di Azevedo, responsável por trabalhos com nomes como Clara Valverde, surgiu seu primeiro single, Crazy Enough. Com forte influência da música pop, Zenaro lançou em seguida o EP DEAR YOU, mixado por João Milliet. Duas vezes vencedor do Grammy Latino, o produtor já trabalhou com artistas amplamente respeitadas na cena nacional, como Sandy, IZA, Manu Gavassi e Liniker.
Aos 21 anos, cantando em português e inglês, Catarina Zenaro já passou por palcos importantes, entre eles os teatros Santander, Renault e Viradalata, além do Boca Cultural. Atualmente, realiza os últimos ajustes para a estreia de seu novo EP, previsto para junho.
Munida de seu violão, Catarina Zenaro vem lançando singles e EPs que evidenciam seu apreço pela música autoral. Admiradora de ícones como Taylor Swift, a cantora vem lapidando uma escrita honesta e pessoal, que transforma experiências íntimas em canções que transitam entre a força do pop e a intensidade emocional de suas histórias. Seu lançamento mais recente é o single Lie, Lie, Lie, disponível em todos os tocadores.
