Candidatas do RN sofrem ameaças de morte e estupro às vésperas das eleições

Portal Inhaí
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Duas candidatas do Partido dos Trabalhadores (PT) foram alvo de ameaças de morte e violência sexual no Rio Grande do Norte esta semana. A atual vereadora de Natal e candidata a deputada federal Brisa Bracchi recebeu mensagens com ameaças de morte e estupro na terça-feira (1º). Quatro dias depois, a deputada federal Natália Bonavides denunciou ter recebido um e-mail com ameaças de violência sexual e esquartejamento.

No caso de Brisa, as mensagens foram enviadas para endereços pessoais e institucionais e expuseram informações sigilosas de familiares. O conteúdo apresentava ataques relacionados à orientação sexual da parlamentar e à sua atuação como mulher na política. De acordo com a denúncia, o remetente utilizou um codinome associado a um grupo neonazista. Os integrantes da organização foram presos recentemente por envolvimento em crimes violentos.

As ameaças contra a vereadora não eram genéricas. As mensagens descreviam como as agressões seriam realizadas, indicavam uma data para o suposto ataque e apresentavam simulações da violência. A equipe jurídica de Bracchi preservou os arquivos e encaminhou as provas às autoridades. A Polícia Civil do Rio Grande do Norte e a Polícia Federal investigam o caso.

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) também foi acionado por meio da Ouvidoria da Mulher. Mesmo diante das ameaças, Brisa afirmou que continuará suas atividades parlamentares e eleitorais. “Brisa está em segurança e todas as medidas necessárias estão sendo adotadas. Não recuaremos diante de ameaças!”, afirmou o mandato em nota publicada neste sábado (5).

No mesmo dia, Natália Bonavides denunciou ter recebido um e-mail com ameaças de estupro e violência explícita. A mensagem é assinada por um grupo de extrema direita brasileira que faz referência à Ku Klux Klan, organização supremacista criada nos Estados Unidos.

O texto relaciona as ameaças à atuação política da deputada e utiliza conteúdo machista e misógino. Além das descrições das violências, o e-mail reúne dados pessoais de Bonavides e de familiares, como CPFs e endereços. A parlamentar acionou as autoridades policiais e entregou o material para investigação.

Violência política de gênero que se repete a cada eleição

Não é coincidência. Os episódios de ameaça contra candidatas mulheres acontecem em períodos eleitorais. Em 2024, durante a campanha à Prefeitura de Natal, Bonavides recebeu uma ameaça de morte por meio de um áudio enviado pelo WhatsApp, no qual um homem afirmava saber quem contratar para matá-la e mencionava levá-la a um canavial. O caso foi investigado pela Polícia Federal e pela Polícia Civil.

No segundo turno, a campanha de seus adversários também intensificou os ataques virtuais contra a parlamentar, com a circulação de montagens, memes e informações manipuladas.

Para Bonavides, a sequência de ameaças é uma tentativa de intimidar mulheres que ocupam espaços de decisão em uma política historicamente dominada por homens.

 “Não vou recuar. Tenho muito trabalho pela frente”, afirmou a deputada, que disputa a reeleição neste ano.



Por Midia Ninja

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