O Black Pantera vive um dos momentos mais intensos da carreira. Só no primeiro semestre de 2026, o trio mineiro foi anunciado, pela terceira vez, como atração do Rock in Rio; pela segunda vez, no Primavera Sound; abriu o show do Korn no Allianz Parque; lançou seu primeiro audiovisual e faturou, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio da Música Brasileira na categoria “Melhor Artista de Rock”. Agora, a banda se prepara para lançar “Continental”, seu quinto álbum de estúdio, previsto para 21 de agosto pela gravadora Deck.
O título já indica o conceito do trabalho: um disco que fala do Brasil e que, ao mesmo tempo, transita por diferentes estilos a partir do rock, essência da banda. As letras e a sonoridade bebem das vivências de Chaene da Gama (baixo e vocal), Charles Gama (guitarra e vocal) e Rodrigo “Pancho” (bateria), além de questões ancestrais que acompanham o grupo desde o início.

Um videogame como porta de entrada
O álbum já ganhou dois cartões de visita: os singles “Hórus” e “Start The Game”, este último lançado no Dia Mundial do Rock, com um clipe de animação assinado por Pedro Hensen que passeia por referências de jogos como GTA, Tomb Raider, Mortal Kombat, The Legend of Zelda e Guitar Hero, entre outros. Em entrevista, a banda explicou por que a música venceu a fila para abrir os caminhos do disco: “a gente também queria trazer essa influência de videogame” e reforçou que a faixa “mostrava que vai ser um álbum pesado”, puxando um rifão que remete a “bandas anos 90, Biohazard que eu gosto muito”.
A escolha não é só estética. Para eles, unir a estética divertida dos games a uma mensagem de crítica social é algo que já faz parte do DNA da banda há anos: “a gente sempre colocou isso dentro do alicerce da banda”. Uma das cenas do clipe traz ainda um jogo genuinamente brasileiro, ainda inédito: “a questão do jogo do Saci nessas imagens”, batizado de “Saci Filho do Vento”, uma forma, segundo ele, de “valorizar também o nosso país dentro dessa questão dos videogames”.
Entre a raiva e a fragilidade
Perguntado sobre o que diferencia “Continental” dos trabalhos anteriores, a banda foi direta: “O Black Pantera nunca gosta de fazer o mesmo álbum”. Segundo ele, a banda mantém o lado “feroz” e de protesto que sempre a definiu, mas aprofunda um caminho já aberto pelo álbum anterior, “Perpétuo”, de explorar as próprias emoções nas letras. “A gente realmente colocou mais uma vez as emoções, até mais que no ‘Perpétuo’, nesse lançamento do Continental”, resume.
Essa mistura de fúria e vulnerabilidade aparece também quando o assunto é o papel político da música em um momento de crises sobrepostas. Para o vocalista, fazer rock de protesto nunca deixou de ser necessário: “é por isso que o Black Pantera existe, para fazer a diferença para várias pessoas”. Ele reforça que a banda acredita no poder transformador da música para alcançar lugares que o debate público muitas vezes não alcança, já que ela “consegue atravessar esse muro da complexidade” dos temas que a sociedade enfrenta.
Além da sonoridade que mistura nu metal e rock dos anos 90, “Continental” celebra a diversidade musical brasileira com participações de peso: a rapper Duquesa, a “rainha do soul brasileiro” Sandra Sá e Derrick Green, vocalista do Sepultura. O álbum é inspirado em tudo o que tem raiz na música africana e homenageia mulheres que fizeram história na música nacional — um projeto que, nas palavras da banda Black Pantera, fala “desses vários gêneros, de vários Brasis”.
Sobre o que ainda está por vir, além do que já foi apresentado, o músico prefere não entregar tudo, mas garante variedade. “Os fãs podem esperar de tudo um pouco”, com “essas pitadas” de experimentação “que permeiam por todo o álbum”, ao lado de faixas “muito pesadas”. Ele resume o resultado como “uma salada musical que o Black Pantera produz” — capaz de agradar tanto o público mais old school da banda quanto ouvintes que vão conhecer um lado novo do grupo.
Com um pé fincado na crítica social e outro na cultura pop que marcou a infância dos próprios integrantes, o Black Pantera chega a “Continental” reafirmando o que resumem como a essência do grupo desde sempre: “experimentos, liberdade criativa, busca por novos sons, novas caminhadas sonoras”. O álbum completo chega às plataformas em 21 de agosto, pela Deck.
