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As novas sufragistas do Brasil: o protagonismo das mulheres na vitória de Lula

Da luta contra o impeachment de Dilma ao #EleNão e às sementes de Marielle, mulheres brasileiras consolidaram uma força política que ultrapassa as urnas. O post As novas sufragistas do Brasil: o protagonismo das mulheres na vitória de Lula apareceu primeiro em Mídia NINJA.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2026 não pode ser compreendida apenas a partir dos números das urnas. Ela também precisa ser observada nas ruas, nas periferias, nas universidades, nos movimentos sociais e nas redes digitais, onde milhares de mulheres participaram da construção de uma mobilização política decisiva para enfrentar a extrema direita.

Em um país onde as mulheres representam aproximadamente 53% do eleitorado, a participação feminina voltou a ocupar o centro da disputa política. Mas não se trata apenas de uma questão numérica. A eleição revelou a força de uma geração de feministas que articula a defesa da democracia com as lutas por direitos reprodutivos, igualdade racial, justiça social, combate à violência de gênero e maior representação política.

São as novas sufragistas do Brasil. Mulheres que não reivindicam apenas o direito de votar, conquistado há quase um século, mas o direito de disputar o poder, transformar instituições e decidir os rumos do país.

Das sufragistas ao #EleNão: uma história de mobilização

A participação das mulheres na política brasileira é resultado de uma trajetória de organização coletiva. Desde a conquista do sufrágio feminino, em 1932, diferentes gerações ampliaram o significado da cidadania política e enfrentaram as estruturas que historicamente excluíram as mulheres dos espaços de decisão.

Nas últimas décadas, essa mobilização ganhou novas formas.

Durante o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, movimentos feministas denunciaram a violência política de gênero e os ataques dirigidos à primeira mulher a ocupar a Presidência da República.

Em 2018, o movimento #EleNão transformou a resistência ao bolsonarismo em uma das maiores mobilizações lideradas por mulheres da história recente do Brasil. A articulação começou nas redes sociais e ganhou as ruas, reunindo diferentes gerações, identidades e organizações em defesa da democracia.

Naquele mesmo ano, o assassinato da vereadora Marielle Franco evidenciou a violência enfrentada por mulheres negras que ocupam a política institucional. Sua trajetória, entretanto, também impulsionou novas candidaturas e formas de organização coletiva.

As chamadas sementes de Marielle passaram a representar uma geração de mulheres negras, periféricas e LGBTQIA+ que reivindica espaço nas instituições sem abandonar suas origens nos movimentos sociais.

Uma nova geração disputa o poder

A mobilização feminista também se expressa na ampliação da presença de mulheres que desafiam os padrões tradicionais da política brasileira.

Lideranças como Erika Hilton, Duda Salabert e Ana Elisa representam diferentes trajetórias dessa transformação, conectando a atuação parlamentar às demandas dos movimentos feministas, LGBTQIA+ e de defesa dos direitos humanos.

A presença dessas mulheres nos espaços institucionais não elimina as desigualdades de representação, mas evidencia uma mudança na disputa política: grupos historicamente excluídos passaram a ocupar posições de visibilidade e a confrontar diretamente agendas conservadoras.

Essa articulação não se limita às candidaturas. Ela envolve comunicadoras, estudantes, artistas, trabalhadoras, lideranças comunitárias e ativistas que constroem campanhas, organizam manifestações, enfrentam a desinformação e mobilizam eleitoras.

Nas eleições de 2026, essa capacidade de organização ganhou especial importância durante o segundo turno presidencial.

A força das mulheres na virada eleitoral

A disputa entre Lula e a extrema direita mobilizou diferentes setores da sociedade brasileira. Entre eles, movimentos de mulheres tiveram papel relevante na construção de campanhas públicas, manifestações e iniciativas de comunicação em defesa dos direitos e da democracia.

A mobilização feminista não pode ser reduzida a uma transferência automática de votos. As mulheres brasileiras constituem um eleitorado diverso, atravessado por diferenças de classe, raça, religião, território e posicionamento político.

Ainda assim, a atuação organizada de coletivos e lideranças feministas ajudou a ampliar o debate sobre o que estava em jogo na eleição.

Direitos reprodutivos, enfrentamento ao feminicídio, políticas de cuidado, desigualdade salarial, proteção social e participação política passaram a integrar a disputa sobre os projetos de país.

Nas ruas e nas redes, mulheres transformaram pautas frequentemente tratadas como secundárias em questões centrais para a democracia brasileira.

A eleição terminou. A disputa pelos direitos, não.

A vitória presidencial de Lula ocorreu em um cenário marcado pelo fortalecimento de setores conservadores no Congresso Nacional.

Isso significa que a mobilização feminista enfrenta agora um novo desafio: transformar a força demonstrada durante as eleições em capacidade permanente de articulação, pressão social e defesa de políticas públicas.

A composição do Legislativo será decisiva para debates sobre direitos sexuais e reprodutivos, enfrentamento à violência contra as mulheres, igualdade de gênero, direitos LGBTQIA+ e políticas sociais.

A presença de parlamentares feministas, negras, indígenas e LGBTQIA+ amplia a diversidade de vozes no Congresso, mas também as coloca diante de disputas intensas com setores que defendem agendas restritivas.

Nesse contexto, a organização dos movimentos sociais continua sendo fundamental para sustentar conquistas e impedir retrocessos.

As novas sufragistas e o futuro da democracia

As sufragistas do século passado lutaram para que as mulheres fossem reconhecidas como sujeitos políticos. As novas sufragistas brasileiras ampliam essa reivindicação: não basta participar das eleições, é preciso transformar as relações de poder.

Elas estão nas instituições, mas também nas periferias, nos territórios indígenas, nos quilombos, nas universidades, nas organizações populares e nos espaços digitais.

São mulheres que articulam feminismos, antirracismo, justiça climática, direitos trabalhistas e defesa da democracia em uma mesma construção política.

A eleição de 2026 demonstrou a capacidade de mobilização dessas redes. O desafio agora é fazer com que essa potência permaneça ativa para além das campanhas eleitorais.

Fonte: Mídia Ninja.

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