Por Samuel Fernandes – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
“Quem me conhece sabe que eu não quis ofender ninguém.”
– Influencer vestindo branco ao ser cancelado
O cancelamento não nasceu nos dias atuais. Muito antes de Karol Conká ganhar hashtag no Twitter ou um chinelo ser cortado pelo seu tio no Natal, a camisa principal da Seleção Brasileira foi considerada azarada e chegou a ser cancelada nos anos 50.
No segundo episódio de O Tal do Hexa, você conhecerá a história de algumas das camisas que assombraram os pesadelos de torcedores e jogadores.

A cor que traumatizou seu avô
O momento é delicado para falar que a camisa principal da Seleção Brasileira poderia ser de outra cor hoje, principalmente se você falar isso para alguém com uma garrafa de detergente em mãos, mas é verdade: a Seleção Brasileira nem sempre foi amarelinha. Desde 1914, o branco era a cor oficial do uniforme, com detalhes azuis nos braços e nas golas.
Mas isso mudou em 1950 com o Maracanazo, quando o Brasil perdeu a final da Copa para o Uruguai em sua própria casa, sendo o bicampeonato uruguaio e a quarta estrela no seu escudo (não questione um uruguaio sobre isso).
Após a derrota, o elenco da Seleção Brasileira não teve nem a oportunidade de vestir branco e se desculpar por seus erros, como o Ed Motta sempre que resolve dar uma opinião. A visão negativa da camisa ficou tão marcada que, em 1953, um concurso popular foi organizado para criar o novo uniforme do Brasil. Assim, nasceu a amarelinha.

O número evitado
Mas antes mesmo de termos uma camisa cancelada, nós já tínhamos um número de camisa cancelado. E você pode estar pensando: “será que é algum número que dá azar?”. Não, o número proíbido não era 666 (o número da besta), o número de sexta-feira 13 ou a idade que músicos do rock morreram, 27. O número temido e evitado por jogadores por mais de 100 anos foi o 24.
Fazendo sua primeira aparição só na Copa de 2022 com o jogador Bremer, o medo do número veio de um dos outros grandes componentes da cultura brasileira: o jogo do bicho. No jogo, o animal veado é representado pelo número 24. Então, por puro preconceito, jogadores de todos os campeonatos pulam do número 23 para o número 25 em suas camisas.
Será que no bolo de aniversário, eles colocam as velas “23+1”?

A polêmica brasa
A camisa vermelha nasceu como homenagem ao nome do nosso país, a proposta era ousar e utilizar o vermelho ao invés do azul no uniforme 2, com uma coleção girando em torno do mote “Vermelho como Brasa”, inspirado no Pau-Brasil, a árvore que dá nome ao país. Algo que não seria inédito, já que o Brasil já jogou de vermelho em 1917 e 1936.
Muitas pessoas chegaram a apontar que a real intenção da coloração da camisa era, de alguma forma, homenagear o movimento comunista, mas nós apuramos e descobrimos que a real intenção era homenagear a patrocinadora Jordan (cujo símbolo estampa a camisa), que tem o vermelho como uma das principais cores. Então, não, o jogador Michael Jordan não tem envolvimento com Karl Marx ou Che Guevara até onde sabemos.
Outra das objeções feitas por torcedores a favor do cancelamento é que não há vermelho na bandeira do Brasil. Sabendo dessa regra, a equipe jurídica d’O Tal do Hexa já está tomando as devidas providências para informar as seleções da Itália e do Japão que eles não podem mais jogar de azul, assim como a Holanda deverá abolir o laranja e explicações são esperadas da Austrália, que joga de verde e amarelo.

Escolha sua camisa da sorte
Uma das mandingas mais comuns do torcedor esperançoso é ter aquela camisa do seu time, que ele usa sempre que precisa atrair a vitória. Para esses torcedores, usar sua camisa em dia de jogo importante é uma questão inegociável, tal qual um homem hétero quando está decidindo qual roupa vai usar na balada.
Tem quem adota mais de uma camisa da sorte, tem quem não lava a camisa para não dar azar (será que sabão em pó rouba magia?), tem até quem veste a camisa do rival para secar (se não sabe o que é “secar”, confira o episódio 1).
Mas é possível uma camisa dar azar também. A camisa que você usou quando o time passou por um vexame pode ficar marcada.
Ou seja, se você ainda tem a camisa do Brasil que usou para assistir a derrota para a Croácia em 2022 ou, pior ainda, se ainda tem a que vestiu no 7 a 1: primeiro, parabéns por manter o shape; segundo, livre-se dela imediatamente. O hexa está em risco por sua culpa!
*Esta é uma crônica humorística e não substitui análise jornalística. A cobertura completa da Copa do Mundo 2026 pelo Ninja Esporte Clube você encontra em midianinja.org. Para sobreviver à mesa do bar, você já tem o que precisa.

