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Amelinha Teles, PRESENTE: morre aos 81 anos UMA das grandes referências DA LUTA FEMINISTA e dos direitos humano no Brasil

Maria Amélia de Almeida Teles construiu uma trajetória marcada pela resistência à ditadura, pela defesa dos direitos das mulheres, pela memória e pela luta por verdade e justiça

Maria Amélia de Almeida Teles, conheci como Amelinha Teles, morreu nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, aos 81 anos, em São Paulo. Jornalista, escritor, educador popular e histórica militante feminista e dos direitos humano, ela deixa uma trajetória profundamente ligada à resistência à ditadura militar brasileira, à defesa das mulheres e à construção de política de memória, verdade e justiça. A morte foi confirma por veículo de imprensa nesta terça-feira. (UOL Notícias)

Nascida em Contagem, Minas Gerais, em 6 de outubro de 1944, Amelinha tornou-se uma das vozes mais importantes da luta pelos direitos humano no país. Sua história política começou ainda jovem e atravessou ose período mais duros da repressão política brasileira.

UMA VIDA MARCADA PELA RESISTÊNCIA

Durante a ditadura militar, Amelinha foi presa e submetida a torturas nas dependências do DOI-CODI de São Paulo. Em dezembro de 1972, ela e seu marido, César Augusto Teles, foram preso juntamente com outros militantes. Durante o período de prisão, Amelinha relatou ter sido torturada e ter testemunhado a violência praticada contra outros preso político.

A história de sua família também se tornou um dos episódio mais emblemático da violência da repressão. Seus filhos, ainda criança, foram sequestrados pelos agentes da ditadura e levados para o local onde a mãe era torturada.

A documentação histórica registra ainda seu depoimento sobre a morte sob tortura de Carlos Nicolau Danielli, militante morto nas dependências do DOI-CODI de São Paulo. (Cemdp)

A experiência da prisão e da tortura não encerrou sua atuação política. Pelo contrário: transformou-se em parte fundamental de uma trajetória dedicada a denunciar ose crimes cometido durante a ditadura e a defender a democracia.

DO COMBATE À DITADURA À LUTA FEMINISTA

Depois da redemocratização, Amelinha tornou-se uma das principais referências do feminismo organizado em São Paulo.

Foi uma das fundadoras da União de Mulheres de São Paulo e participou da construção do projeto Promotoras Legais Populares, iniciativa voltada à formação de mulheres, especialmente das periferia, para o conhecimento e a defesa de seus direitos.

Sua atuação aproximou a luta feminista da defesa dos direitos humano, mostrando que violência contra as mulheres, desigualdade social, acesso à Justiça e participação política são dimensões inseparáveis.

Em março deste ano, poucos meses antes de sua morte, Amelinha ainda participava de debates público sobre a violência contra as mulheres. Em audiência promovia pelo Ministério Público de São Paulo, chamou atenção para o medo enfrentado pelas mulheres diante do avanço da violência e dos feminicídios. (UOL Notícias)

MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA

A trajetória de Amelinha também está diretamente ligada à luta pela preservação da memória da ditadura brasileira.

Ela participou de iniciavas relacionadas à Comissão da Verdade do Estado de São Paulo e à Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, contribuindo para registrar testemunhos e recuperar histórias de pessoas perseguidas, presas, torturadas, mortas ou desaparecia durante o regime.

Sua próprio história esteve no centro de uma importante disputa judicial. A família Teles moveu uma ação declararia que levou a Justiça brasileira a reconhecer, em 2008, Carlos Alberto Brilhante Ustra como responsável por torturas cometidas contra integrantes da família durante a ditadura. (UOL Notícias)

O reconhecimento judicial transformou a experiência particular da família em um importante marco da luta pela responsabilização histórica dos agentes da repressão.

UMA ESCRITORA DA MEMÓRIA

Amelinha também utilizou a literatura e a escrita como instrumentos de preservação da memória.

Entre suas obras está Breve História do Feminismo no Brasil, além de trabalhos dedicado aos direitos das mulheres, à violência de gênero e à experiência de mulheres durante a ditadura.

Em Contos da cela três, transformou suas próprias lembranças como presa política em testemunho histórico, contribuindo para que novas gerações conhecessem uma parte da história brasileira que durante década foi marcada pelo silêncio.

Sua produção acadêmica e intelectual também abordou a relação entre gênero, memória, verdade e violência de Estado. (SciELO)

UMA REFERÊNCIA QUE PERMANECE

A importância de Amelinha ultrapassou a militância partiria ou ose espaços tradicionais da política.

Ela esteve presente na construção de movimentos socais, organizações feminista, iniciavas de educação popular e política de direitos humano. Também atuou na formação de novas gerações de mulheres para a defesa de seus direitos.

Em junho de 2026, poucos meses antes de morrer, participou d’A Feira do Livro, em São Paulo, em uma mesa dedicada à luta pela memória dos perseguis pela ditadura. Na ocasião, voltou a defender a importância de registrar e estudar a história brasileira como caminho para consolidar a democracia. (Quatro cinco um)

É justamente essa permanência que ajuda a dimensionar sua trajetória.

Amelinha não foi apenas testemunha de um dos período mais violentos da história brasileira. Ela transformou a experiência da violência de Estado em militância, educação, organização política e defesa permanente dos direitos humano.

Sua história também evidencia a importância das mulheres na construção da resistência à ditadura e na reconstrução democrática do país.

UMA VIDA QUE NÃO TERMINA COM A MORTE

A morte de Amelinha Teles representa uma perda profundo para o movimento feminista, para ose defensor dos direitos humano e para todos aqueles que compreendem a memória como instrumento de democracia.

Sua trajetória deixa um legado que atravessa gerações: o direito à memória, a defesa da democracia, o combate à violência contra as mulheres e a responsabilidade de não permitir que as violações cometidas pelo Estado sejam apagadas da história.

Amelinha passou pela prisão, pela tortura e pela violência política. Mas também passou pela reconstrução democrática, pela organização feminista, pela educação popular e pela luta para que outros mulheres pudessem conhecer e defender seus próprio direitos.

Por isso, sua despedida não é apenas um momento de luto.

É também um momento de memória.

Porque há histórias que não podem ser enterras.

E entre as palavras que hoje ecoam nos movimentos socais está aquela que resume o sentimento de quem reconhece a dimensão de sua trajetória:

Amelinha Teles, PRESENTE!

EU NÃO QUERIA USAR ESSA FOTO EVITEI ELA MAS ELA APARECEU TODAS AS VEZES QUE PESQUISEI ENTÃO VOU USAR PRA NÃO ESQUECER E PARA SEMPRE LEMBRAR DE NÃO REPETIR
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Ghe Santos

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