Diadema celebra, neste 15 de setembro, cinco anos do Ambulatório DiaTrans, serviço voltado ao atendimento da população trans do município e que se consolidou como uma importante política pública de saúde e cidadania.
A trajetória do DiaTrans também é marcada pela participação da sociedade civil. Desde a construção do serviço, a Associação Viva a Diversidade esteve envolvida em debates, diálogos e articulações pela implementação de uma política de saúde específica, humanizada e comprometida com a dignidade da população trans.
Ao completar cinco anos, o ambulatório chega à data com 635 pessoas vinculadas ao serviço. Somente em agosto de 2026, foram realizados aproximadamente 250 atendimentos individuais, números que ajudam a dimensionar a demanda e a importância da política pública para o município.
A estrutura atual conta com dois médicos, uma enfermeira exclusiva, uma vinculadora, um agente administrativo/recepcionista, assistente social, psicóloga, estagiária de Psicologia e coordenadora exclusiva, além do apoio da Psiquiatria.
COORDENADORIA DE CIDADANIA E DIVERSIDADES
O funcionamento e o fortalecimento do DiaTrans também estão relacionados ao trabalho desenvolvido pela Coordenadoria de Cidadania e Diversidades de Diadema, que atua em articulação com a equipe do ambulatório e com diferentes setores do poder público.
Essa articulação contribui para aproximar as políticas de diversidade das ações concretas de atendimento à população, especialmente em uma área fundamental como a saúde.
Em 2026, o município também instituiu, por meio da Lei Municipal nº 4.673, o dia 15 de setembro como Dia Municipal da Saúde da Pessoa Trans e reconheceu o DiaTrans como política pública essencial.
PARTICIPAÇÃO POPULAR NA CONSTRUÇÃO DA POLÍTICA
A história do Ambulatório DiaTrans demonstra que políticas públicas não surgem apenas dentro das estruturas governamentais. Elas também podem ser resultado da mobilização de usuários, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e profissionais que reivindicam respostas para demandas históricas.
Nesse processo, a Associação Viva a Diversidade destaca sua participação desde a construção inicial do serviço e afirma que a atuação da sociedade civil continua mesmo após a inauguração da política.
Recentemente, representantes da entidade estiveram reunidos com representantes do Ministério da Saúde para tratar da importância da habilitação do Ambulatório DiaTrans.

A discussão sobre a habilitação está inserida em uma agenda mais ampla de fortalecimento do serviço, envolvendo a continuidade da política pública, investimentos e condições para ampliar e qualificar o atendimento oferecido à população trans.
A busca por melhorias demonstra que a participação social não termina quando uma reivindicação é transformada em serviço público. Acompanhamento, fiscalização, diálogo e cobrança também fazem parte da construção permanente das políticas públicas.
UMA POLÍTICA QUE ATENDE PESSOAS
Os 635 vínculos atualmente registrados no DiaTrans representam histórias e trajetórias diferentes de pessoas que encontram no serviço um espaço de atendimento e acolhimento.
Em uma realidade marcada por situações de preconceito e barreiras de acesso à saúde enfrentadas pela população trans, a existência de uma política especializada representa uma mudança concreta na relação entre os serviços públicos e essa parcela da população.
Por isso, o aniversário de cinco anos também é marcado pelo reconhecimento aos profissionais que constroem o serviço diariamente e à Coordenadoria de Cidadania e Diversidades, cuja atuação contribui para a articulação das políticas voltadas à diversidade no município.
O aniversário do DiaTrans, portanto, não representa apenas a celebração de uma data. É também uma oportunidade para olhar para a trajetória de uma política pública construída a partir de demandas sociais e que, cinco anos depois, continua exigindo participação, acompanhamento e fortalecimento.
Porque uma política pública pode nascer de uma reivindicação, ser transformada em serviço e ganhar reconhecimento institucional. Mas sua continuidade depende da capacidade de uma cidade de compreender que direitos conquistados precisam ser cuidados e fortalecidos permanentemente.
Cinco anos depois, o Ambulatório DiaTrans faz parte da história de Diadema — uma história construída pela população, pela sociedade civil, pelos profissionais de saúde e pelo poder público.
