Agricultor é preso com maçarico e alega ter 'ouvido vozes' para provocar incêndios na França

Portal Inhaí
6 Min Read




Incêndio de proporções excepcionais atinge floresta histórica na França
Um trabalhador rural de 45 anos foi condenado nesta terça-feira (11) a três anos de prisão, dos quais dois em regime fechado, por provocar 11 focos de incêndio no oeste da França entre o fim de julho e o início de agosto. Em audiência, ele alegou ter ouvido “vozes” que o incentivavam a atear fogo.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Preso após ser flagrado com um maçarico de cozinha nas proximidades de uma nova ocorrência, ele admitiu os fatos, mas afirmou não saber explicar o motivo dos ataques. O caso reacendeu o debate sobre saúde mental e incêndios criminosos.
A sentença foi proferida pelo Tribunal de Niort em um “julgamento acelerado”, procedimento utilizado em casos nos quais o réu é levado rapidamente a julgamento após a prisão.
Além da pena, os magistrados determinaram um acompanhamento “sociojudicial” por quatro anos. Durante esse período, o condenado será obrigado a seguir tratamento médico e psicológico sob supervisão das autoridades.
Os investigadores atribuíram ao homem 11 focos de incêndio ocorridos entre 25 de julho e 7 de agosto. Segundo a Promotoria, todas as ocorrências foram deliberadas.
Embora os incêndios tenham sido controlados antes de se transformarem em grandes tragédias, a sucessão de casos colocou sob forte pressão os serviços locais de combate ao fogo em um momento particularmente sensível do verão europeu, quando altas temperaturas e vegetação ressecada aumentam os riscos de propagação das chamas.
A prisão
Turistas observam um incêndio florestal em meio ao agravamento da seca após uma onda de calor e escassez de água em grande parte da França, 24 de julho de 2026
Stephane Mahe/REUTERS
O suspeito foi detido na sexta-feira (7), quando policiais o surpreenderam nas proximidades de um novo foco de incêndio. Ele estava em seu veículo e carregava um maçarico de cozinha, instrumento que teria sido utilizado para iniciar as queimadas.
Ao longo da audiência, o trabalhador rural reconheceu integralmente os atos atribuídos a ele. Questionado pelo presidente do tribunal sobre suas motivações, afirmou não conseguir apresentar uma justificativa clara para os incêndios.
“Não tenho explicação alguma. Estava saturado de várias coisas. Não compreendo”, declarou.
Em outro momento do julgamento, porém, acrescentou que teria vivido episódios de perturbação mental antes dos crimes.
Segundo o relato, ele teve “visões” e ouviu “vozes” que o incentivavam a atear fogo. Apesar dessas declarações, uma avaliação psiquiátrica realizada durante a investigação concluiu que o réu possuía discernimento suficiente para responder criminalmente pelos atos.
A promotora Dorothée Dietz afirmou que o homem apresenta um quadro depressivo importante e uma personalidade considerada preocupante, mas ressaltou que os especialistas não identificaram elementos que permitissem afastar sua responsabilidade penal.
Discussão sobre perfil psicológico
A condição mental do acusado foi um dos pontos centrais do processo. A acusação descreveu o condenado como um incendiário que agiu conscientemente, ainda que em meio a um contexto de fragilidade psicológica.
A defesa, por sua vez, sustentou que o sofrimento mental do trabalhador rural não recebeu o devido peso na análise do caso.
O advogado Olivier Martinez argumentou que o comportamento do cliente não correspondia ao de alguém movido por objetivos concretos, como vingança, interesses financeiros ou motivação política.
“Um incendiário tem normalmente um objetivo específico, seja político, econômico ou de vingança. Já o piromaníaco coloca fogo sem realmente saber por quê. Meu cliente, quando lhe fazem essa pergunta, não sabe responder. Ele vive um mal-estar que o leva a fazer algo que lhe traz uma forma de alívio, daí os incêndios”, afirmou o defensor a Franceinfo.
A tese, contudo, não convenceu o tribunal a reduzir a pena pedida pelo Ministério Público. Os juízes acompanharam integralmente a recomendação da Promotoria, tanto na definição da pena quanto nas medidas de acompanhamento médico obrigatório.
Sequência de ocorrências
Bombeiros descansam em um caminhão de bombeiros enquanto combatem um incêndio florestal na França, em 1º de agosto de 2026
Florion Goga/REUTERS
Os onze incêndios provocaram preocupação entre autoridades locais devido à frequência com que ocorreram e ao esforço operacional exigido para combatê-los.
O Serviço Departamental de Incêndio e Resgate de Deux-Sèvres participou do processo como parte interessada, argumentando que a sucessão de ocorrências consumiu recursos importantes do sistema de emergência.
Segundo o coronel Sébastien Roux, diretor do órgão, os focos surgiam em períodos muito próximos uns dos outros, exigindo a mobilização simultânea de equipes, veículos e equipamentos.
“Os incêndios ocorreram em intervalos de tempo muito concentrados. Quando se trata de ações voluntárias, isso mobiliza muito mais recursos do que o habitual”, afirmou.
Embora os bombeiros tenham conseguido controlar rapidamente cada ocorrência, as autoridades destacaram que a repetição dos ataques aumentava os riscos para moradores, trabalhadores rurais e áreas de vegetação da região.
Ao justificar a severidade da sentença, a Promotoria ressaltou justamente esse potencial de agravamento.
Segundo os investigadores, a rápida atuação das equipes de emergência evitou que os incêndios assumissem proporções maiores durante um período de condições climáticas favoráveis à propagação do fogo.
VÍDEOS: agora no g1
Agora no g1



G1

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *