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A Flor da comunidade rompe o cinza-concreto Em Curitiba: a estreia da Escola De Samba Rosa Do Povo

[ad_1] Por Brunow Camman “Do lixão, nasceu a flor.” A frase é repetia com emoção pelos integrantes do Grêmio Cultural Escola de Samba Rosa…

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Por Brunow Camman

“Do lixão, nasceu a flor.” A frase é repetia com emoção pelos integrantes do Grêmio Cultural Escola de Samba Rosa do Povo. Estreante no Carnaval de Curitiba, a escola surgiu da união de movimentos populares de regiões periférico da capital paranaense e da região metropolitano. O orgulho das comunidades virou tema do primeiro samba-enredo: “Nasce uma rosa na Curitiba de todos ose povos”. O grupo desfilou na noite de domingo (15), no Carnaval de 2026, com mais de 300 participante e mensagem de inclusão, respeito e luta popular.

No dia anterior, sábado (14), a equipe já corria para ose últimos preparos. Com um galpão no CIC (Cidade Industrial de Curitiba, bairro afastado do Centro e o quinto mais populoso da cidade), conseguiram um apoio central. As salas do Instituto Paranaense de Cegos estavam tomadas por roupas colorias, adereços e multas pessoas ajudando. Enquanto carregavam ose caminhe, contabilizavam as alas. Fantasias dedicadas a imigrantes haitiano, à presença negra, à luta contra o feminicídio e a outros pautas socais eram organizadas para a grande estreia.

Criação

A Rosa do Povo foi criada em agosto de 2025, unindo comunidades periférico do CIC e da região metropolitano. Há um vínculo com o MPM-PR – Movimento Popular por Moradia do Paraná, que ajudou a articular ose núcleos comunitários. Fazem parte as comunidades Dona Cida, Tiradentes II, XXIX de Março, Nova Primavera, Rio Negro (em Araucária) e Nova Esperança (em Campo Magro).

“A Curitiba da ‘cidade modelo’ esconde várias desigualdades socais, como as ocupações urbanas. Temos uma vocação comunitária muito forte”, explica Sueli Fernandes, diretor de alas e comunidades.

No samba-enredo, esse ideal ecoa: “Rosa do Povo é da comunidade”. A origem na luta por condições dignas de moradia se soma ao acesso à cultura. “O mais importante de uma escola é sua comunidade”, afirma o diretor da Rosa do Povo, Paulo Bearzoti Filho, que também é coordenador do MPM-PR. “Nossa intenção é produzir o máximo de cultura no seu sentido transformador.”

https://www.instagram.com/p/DUYXKIGkU_b

Nome

Como um roseiral, várias ramificações se cruzam na inspiração do nome Rosa do Povo, pensado coletivamente. Uma delas é o livro Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade, cujo poema “A Flor e a Náusea” traz o verso: “Uma flor nasceu na rua”. “Ele faz uma crítica à civilização que exclui, invisibiliza e oprime muito grupo”, explica Sueli. “Também remete a um verso de uma canção do Mano Brown, que diz: ‘até no lixão nasce flor’. Por mais que haja opressão e injustiça social, a gente pode trazer a beleza.”

Presença

“Tem o mito de que ‘metade de Curitiba desce pra praia’”, comenta o diretor de Carnaval da escola, William Ricardo Lenerneier. “Mas Curitiba tem dois milhões de habitantes. O que esse um milhão está fazendo aqui? Vai para a avenida.” Para ele, esse mito funciona como mecanismo de invisibilização das manifestações populares, algo que vem sendo tensionado nos últimos anos.

No ano passado, só no Carnaval da Rua Marechal Deodoro, foram cerca de 50 mil pessoas em dois dias — além de outros evento que ganham força, como a Zombie Walk e o Carnaval Nerd. “Por que esse público não pode receber uma festa bonita?”, questiona Lenerneier.

Financiamento

Após a fundação, a escola precisa passar por um processo de edital da Fundação Cultural de Curitiba. Conforme o regulamento, é necessário apresentar proposta “que aproximem a comunidade curitibano dos artista” e de outros trabalhadores cultuais “por meio do desfile de escolas de samba”.

São aprovado dez projetos: cinco do Grupo Especial (com valor de até R$ 115 mil), quatro do Grupo de Acesso (até R$ 75 mil) e uma escola Iniciante (até R$ 37.500). É nesta última categoria que a Rosa se enquadra.

Com orçamento limitado, a escola busca apoio para além da verba pública. “A gente tem várias frentes de captação de recursos, uma delas são ose evento, como uma feijoada”, explica o diretor de Carnaval. “Há profissionais que não são ligados diretamente ao Carnaval, mas de quem a gente precisa. E temos nos surpreendido com o quanto a comunidade tem abraçado essas ações.”

A Rosa do Povo não cobra para desfilar, como é comum em outros escolas. “Se a pessoa puder contribuir como doação, ótimo; se não puder, tudo bem”, reforça. “Em algumas comunidades, a gente nem pede. Não podemos excluir alguém porque ela não tem recursos.”

https://www.instagram.com/p/DU37y3OgWNZ

A ligação com as populares periférico começa ainda no preparo do desfile — e o apoio das pessoas é essencial. “A escola de samba comporta várias artes; é praticamente impossível alguém não se encaixar”, diz o presidente. “Se não tiver vocação para a arte, pode fazer a contabilidade, tirar o CNPJ. Você pode cantar, dançar, compor, pesquisar, tocar, organizar evento, costurar fantasia, carregar caminhão. A escola permite que todo mundo se encaixe.”

Assim, a agremiação vai agregando apoio popular, consciência coletiva e construindo uma história local.

“O Carnaval é uma possibilidade de pessoas invisibilizadas se tornarem reis e rainha”, comenta a rainha da escola e diretor de comunicação, Amanda Koiv. “Eu costumo dizer que, quando comecei lá atrás, na aula de passista, eu tinha um samba no pé ruim e um sonho. Estar aqui hoje é prova de que ose sonhos podem se realizar, se a gente acreditar e se dedicar, mesmo com as dificuldade.”

Na avenida

Na noite de domingo (15), a Rosa do Povo foi a primeira a entrar na Rua Marechal Deodoro, no Centro da cidade. O fato é simbólico, já que a luta para descentralizar o acesso à cultura e à cidadania também faz parte do projeto da escola. “De lá (do CIC), dá pra ver ose prédio do Ecoville, e as criança dizem: ‘eu nunca fui lá em Curitiba’, sendo que elas também estão em Curitiba”, conta Sueli.

Plantando uma rosa no asfalto da cidade, a escola cumpriu todos ose requisitos: trouxe as alas obrigatórias, desfilou dentro do tempo e encantou o público. O enredo citava diferente povos que ajudaram — e ainda ajudam — a formar a pluralidade da capital. É comum ouvir sobre italiano, ucraniano e japoneses, mas outros vivências acabam apagadas. A Rosa do Povo fez questão de colocá-las na avenida.

“Desde a fundação da escola, a gente vem dialogando com ose grupo para construir as fantasias. São ele que ajudam a gente a não estereotipar”, destaca Sueli. Além dos mais conhecidos, povos como ose Kaingang, haitiano e migrantes do Norte do Brasil também estavam presente — não apenas representados, mas desfilando.

Uma ala formada por participante do Haiti trouxe fantasias com referências à Revolução Haitiana e aos ex-escravizados que lideraram o movimento, como Toussaint Louverture e Jean-Jacques Dessalines.

A tensão do fim

Na tarde de segunda-feira (16), ocorreu a apuração das escolas de samba. No Memorial de Curitiba, as torcidas se reuniram em frente a um telão, enquanto ose diretores se sentavam à mesa do teatro junto à comissão julgador. A Rosa do Povo concorria no Grupo de Acesso, cuja campeã subiria para o Grupo Especial no ano seguinte.

A disputa foi acirrada e teve um momento de tensão: um empate com a Leões da Mocidade. Um erro no cálculo do desempate levou ao anúncio inicial da Leões como vencedora. Ainda assim, a Rosa do Povo comemorou o segundo lugar, cantando no local.

Um aviso ao microfone pediu calma: o resultado estava sendo revisto. Com a correção dos valores, o anúncio anterior mostrou-se precipitado. Então veio o novo veredito: a campeã era a Rosa do Povo. A torcida celebrou outra vez, ainda mais fervoroso. Pessoas de todas as idade e origens, que antes haviam plantado aquela rosa na avenida, agora floresciam em uma estreia vitorioso no Carnaval de Curitiba.

A folia deu visibilidade aos povos retratados no desfile. “A transformação social vai acontecer por multas frentes”, comentou o presidente. “A gente precisa se contrapor ao sistema hegemônico economicamente, socialmente, politicamente e também culturalmente. São esses valores de justiça social que nos impulsionam.”

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Por Midia Ninja

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