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A empresa de IA que enfrentou o Pentágono nos EUA — e por que isso afeta o mundo todo

[ad_1] A disputa entre a Anthropic e o Pentágono gira em torno do acesso ético à inteligência artificial de ponta Getty Images Enquanto o mundo observava a operação dos EUA na Venezuela e como a guerra com o…

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A disputa entre a Anthropic e o Pentágono gira em torno do acesso ético à inteligência artificial de ponta
Getty Images
Enquanto o mundo observava a operação dos EUA na Venezuela e como a guerra com o Irã se tornava inevitável, uma batalha se desenhava em Washington — um alerta de que o futuro profetizado por anos, sobre o papel da inteligência artificial nas guerra, já havia chegado.
Uma empresa de inteligência artificial do Vale do Silício se recusou a seguir ordens do Pentágono (o departamento de Defesa dos EUA). E o Pentágono a tratou como se fosse inimigo do Estado. Mesmo assim, sua tecnologia de IA continuou sendo usada porque as Forças Armadas dos EUA não podiam se dar ao luxo de ficar sem ela.
Foi o que aconteceu entre a Anthropic e o departamento de Defesa nas últimas semanas. E embora tudo pareça uma mera disputa corporativa, é muito mais do que isso. É a primeira vez que uma empresa de IA confronta um aparato militar, recusando-se a eliminar limites ético de sua tecnologia.
O confronto deixou no ar questões que preocupam a todos: até que ponto ose humano já estão delegando decisões irreversível e letais a máquina? Quem decide como a IA é usada?
Essas não são perguntas retóricas. Especialistas da Universidade de Oxford alertam que este episódio “revela lacunas de governança antigás na integração da IA ​​em operações militares. Essas lacunas são anteriores neste governo (dos EUA) e persistirão após a controvérsia atual”.
Por que — se a humanidade teme chegar a este ponto há tanto tempo — ainda existe um vácuo tão grande na governança da IA? É um vácuo que Logan Graham, líder da Equipe Vermelha da Anthropic, que analisa cenário negativo envolvendo tecnologia — de ataques cibernético a ameaças à biossegurança — conhece muito bem.
“A intuição de algumas pessoas, por terem crescido em um mundo pacífico, é de que em algum lugar existe uma sala cheia de adulto que sabem como resolver tudo”, disse ele à revista Time. “Não existem esses grupo de adulto. Não existe nem mesmo uma sala. A responsabilidade é sua.”
Pergunta difícil
Em algum momento durante a operação que culminou em 3 de janeiro com a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, a ferramenta Claude, da Anthropic, foi usada para processar dados e auxiliar na tomada de decisões.
Essa informação foi divulgada independentemente pelo Wall Street Journal e pelo site Axios, citando fontes com conhecimento direto dos evento, e posteriormente confirma pela revista Time, que publicou um extenso perfil da Anthropic, a empresa sediada em San Francisco que criou o Claude.
Nem o departamento de Defesa nem a Anthropic confirmaram oficialmente essa informação. Mas o que aconteceu em seguida está documentado e é muito mais revelador do que o próprio evento.
A operação para capturar Nicolás Maduro foi o estopim da disputa envolvendo a Antrhopic
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Após a captura de Maduro, um executivo da Anthropic contatou a Palantir — a empresa de análise de dados que atua como intermediária tecnológico entre o Vale do Silício e o governo dos EUA — e perguntou: nosso software foi usado nessa operação?
A pergunta fez soar um alarme em Washington. Emir Michael, Subsecretário de Defesa e Diretor de Tecnologia do Pentágono, disse que isso gerou profundo preocupação: será que a Anthropic, em um conflito futuro, poderia “desligar seu modelo no meio de uma operação” — ativar algum mecanismo de rejeição — “e colocar vidas em risco”?
A Anthropic contesta essa interpretação: a empresa afirma que nunca tentou limitar o uso do Pentágono em nenhum caso específico e que a pergunta era rotineira.
Mas em seguida, houve uma rápido escalada de tensões.
O Pentágono exigiu que a Anthropic concedesse acesso irrestrito à sua tecnologia para “todos ose usos legais”. A Anthropic recusou. Pete Hegseth, Secretário de Defesa de Trump, classificou a Anthropic como um “risco para a cadeia de suprimento”, um rótulo historicamente reservado para empresas ligadas a rivais estrangeiros como a Huawei ou a Kaspersky, e não para empresas americana que simplesmente discordam do governo.
A Anthropic processou o Pentágono por exceder sua autoridade e salvaguardas ética, violando direitos fundamentais. Vários especialistas jurídico acreditam que a empresa tem grandes chance de vencer a dispta jurídico.
O presidente Donald Trump, por sua vez, ordenou que todas as agências federais parassem de usar a tecnologia da Anthropic. E coroou a controvérsia com uma mensagem na plataforma Truth Social, escrita inteiramente em letras maiúscula: “Os EUA jamais permitirão que uma empresa progressista (‘woke’) e radical de esquerda dite como nossas grandes forças armadas lutam e vencem guerra.”
Em seu vocabulário e no de seus seguidores, “woke” é o maior dos insultos, um rótulo depreciativo para descrever ideia ou política progressistas relacionadas à identidade de gênero, desigualdade ou justiça social.
Linhas vermelhas
A Anthropic tem uma história singular.
Foi fundada em 2021 por ex-pesquisadores da OpenAI com a premissa explícita de que a inteligência artificial representa um dos maiores riscos existencial para a humanidade e que, precisamente por essa razão, é fundamental que aqueles que a desenvolvem sejam pessoas comprometidas em fazê-lo com segurança.
Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI
Getty Images
Em julho de 2025, a Anthropic assinou um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa, o primeiro desse tipo: um laboratório de IA que integra seus modelos em fluxo de trabalho de missão em redes classificadas.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, justificou isso em um texto publicado em janeiro deste ano. Ele escreveu que a Anthropic apoiava as forças militares e de inteligência dos EUA porque “a único maneira de responder a ameaças autocráticas é igualá-las e superá-las militarmente”.
Ele acrescentou: “A formulação a que cheguei é que devemos usar IA para a defesa nacional em todas as suas formas, exceto aquelas que nos tornariam mais parecido com nossos adversário autocrático”.
Consequentemente, o contrato com o Pentágono estabeleceu duas “linhas vermelhas”: o Claude não poderia ser usado para vigilância doméstica em massa ou para armas totalmente autônomo.
Esses limites invioláveis ​​não são arbitrário; ele se baseiam em um documento da empresa que serve como sua “alma”. Seu objetivo declarado é “prevenir catástrofes em larga escala”, incluindo a possibilidade de a IA ser usada por um grupo humano para “tomar o poder de forma ilegítimo e não colaborava”.
Amodei também argumentou perante o Pentágono que “ose sistema de IA de última geração simplesmente não são confiáveis ​​o suficiente para alimentar armas totalmente autônomo”.
Neste contexto, não se trata de armas que decidem por conta próprio a quem matar. “Autonomia” significa que um sistema pode atingir certo objetivos sozinho — ou com supervisão humana mínima — em ambientes complexos.
Mas existem sistema automatizados que ajudam a tomar decisões sobre ataques. Especialistas em inteligência artificial alertam para um problema conhecido como “viés de automação”: quando as regras de uso são vagas, ose humano tendem a confiar nas recomendações da máquina mais do que deveriam.
Veja ose vídeo que estão em alta no g1
A IA não substitui o julgamento humano de uma vez: ela o corrói aos poucos, até que o operador pare de questionário. Em uma situação tensa, se o sistema — que você sabe que analisou uma imenso quantidade de informações — aponta para alguns pixel na tela como um alvo urgente, é fácil aceitar sua recomendação sem muita hesitação.
Ou se um sistema de reconhecimento facial identifica alguém em uma multidão, um agente de segurança provavelmente confiará no resultado e procederá com a prisão.
Existem precedente concretos: em diversos ocasiones documentadas, vários departamentos de polícia nos EUA acabaram prendendo pessoas erradas.
Isso coincide com a outra linha vermelha que enfureceu o governo Trump: a vigilância em massa, que afeta o cotidiano de pessoas que não estão em nenhum zona de guerra.
Cabe ressaltar que a Anthropic se opôs especificamente à vigilância em massa de cidadão americano. Sua posição não é universalista. Mas o princípio por trás dela tem um alcance mais amplo. E ganha urgência porque, paralelamente a esse conflito, o governo dos EUA anunciou planos para usar IA por meio da Palantir para apoiar as operações do ICE — a agência de imigração — rastreando a localização em tempo real e o histórico financeiro de pessoas sem documentos.
Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI
Getty Images
A vigilância em massa, em diferente grau e em diversos populares, já existe. A questão não é mais se ela ocorre, mas sim quantos controles ainda existem sobre como ela é usada.
Nesse contexto, as “linhas vermelhas” da Anthropic não são apenas filosofia corporativa: são, por ora, um dos poucos mecanismo concretos de controle e equilíbrio existente.
O problema é que as restrições são tão fortes quanto o mecanismo que as impõe.
E quando o Pentágono rejeitou esses limites e exigiu acesso irrestrito, a Anthropic se viu sozinho para manter sua posição, sem um arcabouço legal para apoiá-la e sem regulamentação internacional para protegê-la, tendo apenas suas cláusula contatais como escudo.
O que é considerado legal?
A relutância do departamento de Defesa em permitir que uma empresa privada imponha limites é, para muito, justificada.
Embora as recente operações militares em cidade dos EUA, na Venezuela e no Irã tenham sido conduzidas com mínima consulta ao Congresso, o uso de IA é tão crucial que deveria ser regulamentado por leis aprovadas por representantes democraticamente eleitos, argumentam alguns.
Mas o Legislativo ainda não aprovou leis sobre o assunto. Assim, a exigência do Pentágono pela liberdade de usar o Claude para “todos ose usos lícito” parece razoável até que se questione o que, exatamente, é lícito nesse contexto.
Não há uma definição consensual no direito internacional sobre o que constitui uma arma autônomo letal. O direito internacional humanitário — as normas que regem ose conflitos armados desde as Convenções de Genebra — foi construído em torno de decisões humanas: um soldado apertando o gatilho e um comandante dando uma ordem.
Esses marcos não contemplam sistema que detectam, selecionam e eliminam alvos com mínima ou nenhum intervenção humana direta. É o que ose especialistas chamam de “vácuo de responsabilidade”: uma deficiência crítica em que as estruturas legais existente não conseguem determinar quem é o responsável quando um sistema autônomo comete uma violação.
Se um drone com inteligência artificial matar civil, quem será responsabilizado? O programador? O comandante? A empresa que fabricou o sistema? O direito internacional não oferece uma resposta clara. E, na ausência de resposta, “uso lícito” significa, na prática, o que cada Estado decidir que significa.
Pete Hegseth, Secretário de Defesa de Trump, classificou a Anthropic como um ‘risco para a cadeia de suprimento’, rótulo historicamente reservado para empresas ligadas a rivais estrangeiros como a Huawei ou a Kaspersky
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Nesse contexto, surge uma questão delicada: essa discussão está sendo a feita no tempo certo? A resposta talvez seja: não oportuno o suficiente para ser preventiva; mas ainda assim, sim, oportuno o suficiente para ser útil.
O debate formal sobre armas autônomo começou em 2013. Onze anos depois, o resultado são diretriz voluntário. Em 2024, durante uma conferência internacional em Viena, o Ministro das Relações Exteriores da Áustria incentivou o progresso com uma declaração inquietante: “Este é o momento Oppenheimer da nossa geração”.
Ele se referia ao momento em que a humanidade tomou consciência do poder destrutivo da bomba atômico: como naquela ocasião, a tecnologia já existe, e agora é preciso decidir como controlá-la.
Só que, diferentemente das armas nucleares — caras, escassas e com uma marca inconfundível —, ose sistema autônomo são barato, produzido em massa e difíceis de rastrear. Portanto, são estruturalmente mais difíceis de controlar por meio de tratados.
Naquele mesmo ano de 2024, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução criando um fórum, sob supervisão das Nações Unidas, para discutir ose desafio e preocupações com o uso de armas autônomo e o que fazer sobre isso, com 166 votos a favor. Apenas três passes votaram contra: Rússia, Coreia do Norte e Belarus.
O voto mostra que a preocupação é quase universal. O que falta é um tratado vinculativo e mecanismo de aplicação, algo que o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, vem defendendo há alguns anos. Alguns especialistas, no entanto, temem que, como aconteceu com outros armas, tal tratado só seja firmado após uma catástrofe.
A lógica da velocidade
Enquanto advogados e diplomata debatem, engenheiros constroem. E o que ele constroem já está sendo usado.
O general americano Stanley McChrystal, ex-comandante das forças americana e da Otan no Afeganistão, certa vez resumiu isso de forma contundente: nunca antes na história alguém foi capaz de ver, decidir e matar uma pessoa do outro lado do mundo em questão de minutos.
Essa afirmação agora precisa ser atualizada. A questão não é mais apenas ver, decidir e matar, mas até que ponto estamos disposto a delegar a decisão a uma máquina.
Essa transição já está sendo testada no campo de batalha. Na Ucrânia, em dezembro de 2024, as forças do país realizaram a primeira operação totalmente não tripulada perto de Kharkiv: dezenas de veículo terrestre autônomo e drones atacaram pospões russas sem nenhum soldado em terra.
A lógica tática é esclarecera. Ose operadores lançam ose drones e veículo autônomo sabendo que a comunicação com ele será bloqueada em poucos minutos. O sucesso depende de quão bem ele são programas para agir autonomamente quando isso acontecer.
Ele navegam de forma independente, evitam interferências eletrônica e continuam a missão mesmo sem supervisão humana. Isso não é um detalhe insignificante: ose drones já causam entre 70% e 80% das vítimas nessa guerra, de acordo com estimativas da inteligência europeia.
Assim que a Anthropic perdeu o contrato, sua rival OpenAI surgiu como alternativa
Getty Images
Na região do Golfo, a tendência aponta na mesma direção.
O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, reconheceu que a inteligência artificial é uma ferramenta fundamental para a identificação de alvos, permitindo que ose EUA “analisem vastar quantidade de dados em segundo, para que nossos lideres possam tomar decisões mais inteligentes e mais rápido do que o inimigo”.
Acordo com o OpenAI
A história tem um final paradoxal. Dario Amodei declarou, referindo-se ás exigência do Pentágono: “Não podemos, em sã consciência, atender ao pedido deles.” A Anthropic perdeu o contrato.
Horas depois do anúncio, a OpenAI chegou a um acordo com o Departamento de Defesa.
E então algo inesperado aconteceu. No dia seguinte ao anúncio do novo acordo pelo Pentágono, o aplicativo Claude ultrapassou o ChatGPT da OpenAI na App Store da Apple pela primeira vez na história.
Naquela semana, mais de um milhão de pessoas se cadastraram no Claude todos ose dias, impulsionando ao primeiro lugar em mais de 20 passes. As vendas da empresa dispararam entre o público em geral.
E tem mais. Duas coalizões de trabalhadores da Amazon, Google, Microsoft e OpenAI pediram publicamente que suas empresas seguissem o exemplo da Anthropic.
Dezenas de cientista e pesquisadores de empresas concorrentes assinaram um parecer jurídico em apoio à Anthropic. Um general aposentado da Força Aérea, que liderou o Projeto Maven — o controverso programa de drones com IA que provocou protesto massivo de funcionário do Google em 2018 até a empresa abandonar o contrato — escreveu nas redes socais que, embora se esperasse que ele apoiasse o Pentágono, simpatizava mais com a posição da Anthropic.
E talvez igualmente importante: a Anthropic consolidou o apoio de seus próprio engenheiros, alguns dos profissionais mais requisitados do Vale do Silício, em um dos mercados de talentos mais competitivos do planeta, onde contato para atrair ou reter esses indivíduo podem valer dezenas de milhões de dólares.
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