- Laudo descreve hematomas em diferentes partes do corpo
- Cabelos soltos foram encontrados na roupa de Larissa
- Exame confirma tiro que atravessou a cabeça
- Arma do policial foi encontrada sob o corpo
- Laudo não encontrou sinais de tortura ou asfixia
- Marido afirma que encontrou Larissa caída no banheiro
- Justiça determinou prisão temporária por 30 dias
- Defesa nega crime e família contesta versão de suicídio
Exame necroscópico identificou marcas nas mãos, nos pés, nos joelhos e na perna da técnica em radiologia, mas não determinou quando nem como as lesões foram provocadas; Polícia Civil investiga possível feminicídio.
O laudo necroscópico de Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, identificou pelo menos 14 equimoses arroxeadas distribuídas pelas mãos, pelos pés, pelos joelhos e pela perna esquerda da vítima. A técnica em radiologia foi encontrada morta com um tiro na cabeça no banheiro da casa onde vivia com o marido, o soldado da Polícia Militar Vinícius Costa Silva, de 26 anos, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.
O policial militar está preso temporariamente enquanto a Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte. A principal hipótese considerada pelos investigadores é a de feminicídio, mas a apuração ainda não foi concluída.
Vinícius nega envolvimento no crime e afirma que Larissa tirou a própria vida. A defesa sustenta que os depoimentos, documentos e laudos periciais deverão demonstrar que o policial não praticou qualquer ato de violência contra a esposa.
Laudo descreve hematomas em diferentes partes do corpo
Segundo o exame necroscópico, Larissa apresentava uma equimose de quatro centímetros por dois centímetros na lateral da mão esquerda, próxima ao dedo mínimo. Outra lesão, com aproximadamente um centímetro, foi localizada no dorso da mão direita.
Nos pés, os legistas registraram duas marcas, medindo cerca de três centímetros por dois centímetros e 2,4 centímetros. O documento também aponta três equimoses no joelho direito e duas no joelho esquerdo.
Outras cinco lesões, com tamanhos entre um e 1,5 centímetro, foram encontradas na perna esquerda. Ao todo, o documento descreve pelo menos 14 marcas semelhantes a hematomas.
Apesar da quantidade de lesões, o laudo não informa quando nem de que maneira elas foram produzidas. O documento, isoladamente, não permite concluir se as equimoses decorreram de agressões, de uma queda ou de outra circunstância.
A coloração arroxeada das marcas também não é suficiente para estabelecer com precisão a data dos ferimentos. A origem das lesões deverá ser analisada em conjunto com os demais elementos da investigação, como depoimentos, imagens, exames complementares e a reconstituição da dinâmica dos fatos.
Cabelos soltos foram encontrados na roupa de Larissa
O laudo também registra a presença de diversos fios de cabelo soltos grudados na calça de Larissa. De acordo com o documento, não havia vestígios de sangue nos fios.
O exame não identifica a quem pertenciam os cabelos e não explica como eles foram parar na roupa da vítima. Esse material poderá ser submetido a análises complementares caso os investigadores considerem que ele possui relevância para a apuração.
A simples presença dos fios, sem informações adicionais, não permite estabelecer se houve luta corporal ou agressão. A Polícia Civil deverá avaliar esse vestígio em conjunto com as demais provas recolhidas na residência.
Exame confirma tiro que atravessou a cabeça
A causa da morte foi definida como traumatismo craniano provocado por ferimento de arma de fogo. Segundo o laudo, Larissa foi atingida por um único projétil.
A bala entrou pela região temporal esquerda do crânio e saiu pela área temporoparietal direita. O trajeto ocorreu de trás para frente e da esquerda para a direita.
Informações preliminares da perícia indicam que o disparo atingiu a região localizada acima da orelha esquerda, na parte posterior da cabeça. Como Larissa era destra, os investigadores avaliam que a posição e a trajetória do tiro seriam pouco compatíveis com a hipótese de que ela própria tenha efetuado o disparo.
Essa avaliação, entretanto, integra uma investigação ainda em andamento. A trajetória do projétil é um dos elementos analisados pela polícia, mas a dinâmica completa da morte depende dos demais exames periciais.
Os peritos também informaram preliminarmente que o tiro não teria sido efetuado à queima-roupa. Outra indicação inicial é de que Larissa poderia estar em pé e de costas no momento em que foi atingida.
Arma do policial foi encontrada sob o corpo
A arma de Vinícius, uma pistola Taurus calibre .357, foi encontrada debaixo do corpo da vítima. O armamento foi apreendido e encaminhado para perícia.
Também foram recolhidos o coldre, o carregador, as munições e o estojo da munição utilizada. Os exames deverão verificar as condições da arma, a distância estimada do disparo e a existência de vestígios que possam ajudar a esclarecer quem a manuseou.
A análise do local do crime também deverá considerar a posição em que o corpo foi encontrado, a localização da pistola e possíveis marcas no banheiro.
O celular do policial militar foi apreendido, mas, conforme as informações da investigação, ele não forneceu a senha do aparelho. A Polícia Civil deverá buscar autorização e meios técnicos para acessar o conteúdo considerado relevante para o inquérito.
Laudo não encontrou sinais de tortura ou asfixia
O exame necroscópico respondeu negativamente ao questionamento sobre a presença de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio considerado insidioso ou cruel.
Essa conclusão não afasta a possibilidade de homicídio. A resposta significa somente que os legistas não identificaram, durante o exame, evidências dessas circunstâncias específicas.
A causa da morte continua sendo atribuída ao ferimento provocado pelo disparo de arma de fogo. O resultado do exame toxicológico ainda é aguardado e poderá indicar se havia álcool, medicamentos ou outras substâncias no organismo da vítima.
Marido afirma que encontrou Larissa caída no banheiro
Em depoimento, Vinícius declarou que havia conversado com a esposa sobre o fim do relacionamento. Segundo a versão apresentada pelo policial, ele disse que não a amava mais e que pretendia se separar.
O soldado afirmou que Larissa começou a chorar e que, depois da conversa, ele foi dormir no quarto. Ainda conforme o relato, ele acordou ao ouvir um barulho e encontrou a mulher caída no banheiro.
A irmã de Vinícius também estava na residência e disse ter ouvido o casal conversar sobre a separação. O filho de Larissa e do policial, de 2 anos, encontrava-se no imóvel no momento do disparo.
A Polícia Civil deverá confrontar os depoimentos com os resultados dos exames periciais e com a disposição dos objetos na residência.
Justiça determinou prisão temporária por 30 dias
Vinícius foi preso depois que a Justiça comum acolheu um pedido apresentado pela Polícia Civil. Ele foi levado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, onde deverá permanecer durante o cumprimento da prisão temporária.
A medida foi decretada pelo prazo de 30 dias. A prisão temporária não representa condenação e pode ser utilizada durante a investigação para evitar interferências na produção de provas ou para permitir a realização de diligências.
A Polícia Civil ainda aguarda outros laudos e pretende marcar uma data para a reprodução simulada dos fatos, procedimento usado para comparar as versões apresentadas com os vestígios encontrados no local.
Defesa nega crime e família contesta versão de suicídio
A defesa do policial afirma que Vinícius jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa. Os advogados sustentam que os exames periciais e os demais elementos do inquérito deverão esclarecer a dinâmica dos acontecimentos.
Segundo a defesa, existiriam conversas nas quais Larissa teria manifestado pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida caso o relacionamento terminasse. O conteúdo e o contexto dessas mensagens deverão ser avaliados pelos investigadores.
A família da técnica em radiologia contesta a versão apresentada pelo marido e afirma acreditar que Larissa foi vítima de feminicídio.
Enquanto os resultados das perícias não são concluídos, o caso permanece sob investigação. Os hematomas, a trajetória do tiro, a posição da arma e os depoimentos serão analisados conjuntamente para que a Polícia Civil tente reconstruir os momentos anteriores à morte.
