Cine Ninja Indica: 7 filmes para repensar o Dia da Independência

Portal Inhaí
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Por Pedro Lima

Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I, num ato de ilustre rebeldia, proclamou a independência do Brasil e o rompimento político com Portugal. “Independência ou morte!”, bradou o príncipe regente às margens do Rio Ipiranga, enquanto os mais nobres soldados do Exército Brasileiro realizavam sua escolta. Cavalos da realeza, armaduras lustrosas e proeminentes, um sonho de liberdade. Por muito tempo, essa foi a narrativa mais legítima e digna de integrar os livros de história.

Poucos anos depois, talvez dias, o Brasil continuou a sustentar uma economia frágil e primordialmente agrária, a manter um regime escravocrata que desumanizava milhões de indivíduos negros e a perpetuar uma estrutura social marcada pela exploração, pela violência e pela desigualdade.

Ainda que o 7 de Setembro tenha sido um evento de suma importância histórica, ele não deixou de descortinar uma infinidade de problemas e contradições que permeavam a realidade brasileira desde os primórdios da colonização. Ele não trouxe de volta à vida os povos originários exterminados durante a invasão portuguesa. Ele não reparou um sistema político fundamentado nas lógicas coloniais de exploração. Ele não libertou a população negra das amarras da escravatura.

Por essa razão, o Cine Ninja Indica deste 7 de Setembro selecionou sete filmes que lançam um olhar crítico sobre a própria ideia de identidade nacional e sobre a idealização de um Brasil que, certamente, só encontra espaço nas “narrativas oficiais”.

“Iracema – Uma Transa Amazônica” (1975)

Direção: Jorge Bodanzky e Orlando Senna

Onde assistir: Netflix

Sinopse: Em meio à construção da Transamazônica, uma jovem indígena percorre a região ao lado de um caminhoneiro. Entre exploração, prostituição e pobreza, o filme confronta o discurso de progresso e integração nacional com as contradições da ocupação da Amazônia.

“Abolição” (1988)

Direção: Zózimo Bulbul

Onde assistir: YouTube

Sinopse: No centenário da Lei Áurea, Zózimo Bulbul revisita a história da escravidão brasileira a partir das vozes e experiências da população negra. O documentário questiona a ideia de uma abolição plena ao evidenciar a permanência das desigualdades produzidas pelo regime escravocrata.

“Carlota Joaquina, Princesa do Brasil” (1995)

Direção: Carla Camurati

Onde assistir: Netflix

Sinopse: Com a fuga da família real portuguesa para o Brasil diante das invasões napoleônicas, a Corte se instala no Rio de Janeiro e transforma os rumos da colônia. Em tom satírico, Carla Camurati revisita os acontecimentos que antecederam a Independência e ironiza a construção de seus personagens históricos.

“Quanto Vale ou É por Quilo?” (2005)

Direção: Sérgio Bianchi

Onde assistir: YouTube

Sinopse: A partir de episódios da escravidão e de situações contemporâneas, Sérgio Bianchi estabelece um paralelo entre as relações de exploração do passado e as desigualdades do presente. O filme questiona a permanência de estruturas sociais e econômicas herdadas do período escravocrata.

“Martírio” (2016)

Direção: Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tatiana Almeida

Onde assistir: Prime Video (aluguel)

Sinopse: Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tatiana Almeida acompanham a luta dos Guarani Kaiowá pela retomada de seus territórios no Mato Grosso do Sul. Ao reconstruir décadas de violência e expulsões, o documentário relaciona a questão indígena à formação histórica do Estado e da sociedade brasileira.

“Joaquim” (2017)

Direção: Marcelo Gomes

Onde assistir: Prime Video (aluguel)

Sinopse: Antes de se tornar o célebre Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier é apresentado como um homem inserido nas tensões sociais e econômicas da sociedade colonial. Marcelo Gomes desconstrói a imagem do herói nacional e revisita as contradições que cercaram a Inconfidência Mineira.

“A Viagem de Pedro” (2021)

Direção: Laís Bodanzky

Onde assistir: Globoplay e Claro TV+ (aluguel)

Sinopse: Após abdicar do trono brasileiro, D. Pedro embarca rumo a Portugal em uma travessia marcada pela fragilidade física e emocional. Laís Bodanzky revisita os últimos momentos do primeiro imperador do Brasil e desmonta a imagem monumental construída em torno do personagem histórico.



Por Midia Ninja

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