No sábado, 29 de agosto, Sônia acompanhou DiCaprio e uma delegação da Re no encontro com Cacique Raoni Metuktire, em Peixoto de Azevedo (MT).
O encontro aconteceu em um momento especial para Raoni, que recentemente enfrentou um grave quadro de saúde e segue em recuperação. Uma das lideranças indígenas mais reconhecidas internacionalmente, o cacique Kayapó construiu, ao longo de décadas, uma trajetória de defesa da Amazônia, dos territórios e dos direitos dos povos indígenas, levando essa luta a chefes de Estado e diferentes espaços internacionais.
A visita também reforçou iniciativas voltadas à continuidade desse legado. A Re apoia o Cacique Raoni Legacy Fund, liderado pelo Instituto Raoni, criado para fortalecer a governança indígena, proteger cerca de 2 milhões de hectares de territórios Kayapó e apoiar prioridades definidas pelas próprias comunidades. A organização também apoia a produção do documentário Raoni: The Voice of the Forest, atualmente em fase final de produção.
A presença de Sônia no encontro reuniu duas gerações de lideranças indígenas brasileiras com reconhecimento internacional.
Depois do encontro com Raoni, Sônia e DiCaprio seguiram para o Alto Xingu, onde o ator retornou à comunidade Yawalapiti, visitada por ele pela primeira vez em 2004.
Vinte e dois anos depois, DiCaprio esteve com as lideranças Tapi Yawalapiti e Watatakalu Yawalapiti, além de outros integrantes da comunidade. Durante a visita, conheceu iniciativas voltadas à proteção dos territórios, à continuidade cultural e linguística, à prevenção de incêndios e à construção de alternativas econômicas sustentáveis lideradas pelos próprios indígenas.
As lideranças também entregaram a DiCaprio uma carta com demandas e pedidos de apoio da comunidade. Durante o encontro, o ator se comprometeu a apoiar algumas das demandas apresentadas, ampliando o diálogo para possíveis ações concretas a partir da visita.
A passagem pelo Xingu teve, portanto, um significado que foi além do reencontro de DiCaprio com uma comunidade visitada há mais de duas décadas: colocou as prioridades apresentadas diretamente pelas lideranças indígenas no centro da conversa.
A presença de Sônia ao lado de DiCaprio nos territórios dá continuidade a uma relação construída ao longo dos últimos anos em torno da defesa dos povos indígenas, das florestas e do enfrentamento à crise climática.
Os dois se encontraram em Los Angeles, em 2020, durante uma agenda relacionada ao Oscar. Em março de 2023, já como ministra dos Povos Indígenas, Sônia recebeu das mãos de Leonardo DiCaprio o prêmio The Healer, durante o Green Carpet Fashion Awards, em reconhecimento à sua trajetória.
Em maio daquele mesmo ano, voltaram a se encontrar durante o Festival de Cannes, na França, em uma agenda que reuniu também a deputada federal Célia Xakriabá e a atriz Lily Gladstone.
Agora, em 2026, essa relação construída em espaços internacionais chegou diretamente aos territórios indígenas brasileiros.
Sônia Guajajara construiu sua trajetória no movimento indígena e foi coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Em 2022, foi eleita deputada federal por São Paulo e, no ano seguinte, tornou-se a primeira ministra dos Povos Indígenas do Brasil, permanecendo à frente da pasta por três anos. Em 2026, retornou à Câmara dos Deputados.
A viagem de DiCaprio pelo país também percorreu Amazônia, Pantanal e Cerrado, com encontros com povos indígenas, organizações, cientistas e iniciativas locais de conservação.
Em Brasília, DiCaprio e representantes da Re se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama Janja Lula da Silva e integrantes do governo federal para discutir biodiversidade, proteção dos ecossistemas, territórios e direitos indígenas.
Antes da agenda institucional em Brasília, no entanto, a passagem pelo Brasil levou DiCaprio diretamente ao encontro de lideranças e comunidades indígenas. Ao lado de Sônia Guajajara, esteve com Cacique Raoni e retornou ao Alto Xingu 22 anos depois, ouvindo diretamente dos povos indígenas suas prioridades para a proteção dos territórios e para o futuro de suas comunidades.
A agenda reforça uma mensagem defendida há décadas pelo movimento indígena brasileiro: a proteção das florestas e o enfrentamento à crise climática passam necessariamente pela proteção dos territórios e pelo protagonismo dos povos indígenas.
