Kinoforum 2026 reúne 260 curtas de 58 países em programação gratuita em São Paulo

Portal Inhaí
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O 37º Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo acontece entre os dias 20 e 30 de agosto de 2026, reunindo 260 filmes de 58 países em uma programação gratuita espalhada por diferentes espaços culturais da capital paulista. A abertura oficial será realizada no dia 19 de agosto, no CineSesc. Ao longo de 11 dias, o público poderá conferir 127 filmes nacionais e 133 estrangeiros, incluindo produções premiadas em importantes festivais internacionais, estreias brasileiras e trabalhos de novos realizadores.

A programação ocupa uma ampla rede de espaços culturais, com sessões na Cinemateca Brasileira, CineSesc, Circuito Spcine, Museu da Imagem e do Som (MIS), Espaço Petrobras de Cinema, Cinusp, Cinusp Maria Antônia e Cinema na Comunidade. A seleção reúne obras que passaram por festivais como Cannes, Berlinale, Sundance, Locarno, Clermont-Ferrand e Palm Springs, criando um panorama da produção contemporânea de curtas-metragens marcado pela diversidade de geografias, linguagens e perspectivas.

Entre os principais destaques da edição está a estreia brasileira de “Para os Oponentes”, do argentino Federico Luis, vencedor da Palma de Ouro de Melhor Curta-Metragem no Festival de Cannes 2026. Coprodução entre México, Chile, França e Reino Unido, o filme acompanha um jovem boxeador dentro e fora do ringue, explorando as fronteiras entre realidade e ficção. O diretor já é conhecido do público do Kinoforum, onde apresentou três curtas na edição de 2024.

A Mostra Internacional reúne 57 filmes de 38 países e marca também um recorde histórico de participação feminina entre os cineastas selecionados. Dos 62 realizadores presentes na seleção, 32 são mulheres. Entre as obras estão “Koki, Tchau”, de Quenton Miller, vencedor do Prêmio Cupra na Berlinale, que transforma a história de uma cacatua que acompanhou o Marechal Tito, comandante da Iugoslávia durante a Guerra Fria, em uma reflexão sobre memória e legado; “Boa Sorte a Todos”, do canadense Cordell Barker, que investiga com humor a relação da humanidade com as tecnologias que cria; e “The Blessing”, de Caroline Poggi e Jonathan Vinel, que teve sua estreia mundial no Festival de Locarno.

Na Mostra Latino-Americana, a seleção reúne produções recentes de 12 países da região e transita entre questões políticas e íntimas, memórias, identidades e transformações sociais. Além de “Para os Oponentes”, fazem parte da programação “Ensino Primário”, das cubanas Aria Sánchez e Marina Meira, vencedor do prêmio de Melhor Direção na competição Pardi di Domani, do Festival de Locarno; “Um Aparelho para Detectar Fantasmas”, da Colômbia, que revisita de maneira alegórica os fantasmas da juventude de Medellín; e “Todos os Nomes Começam com M”, da argentina Carla Scolari, premiado pelo júri e pelo público no Festival de Rosario.

A produção brasileira ganha espaço em uma seleção que reúne filmes atravessados por temas como culturas periféricas, povos indígenas, diáspora amazônica, luta pela terra, dissidências de gênero, Cinema Def e animação. Entre os destaques estão “Trivakra”, de Angst Sofia, que estreou na competição do Festival de Rotterdam em 2026, e “Samba Infinito”, de Leonardo Martinelli, que teve sua estreia na Semana da Crítica do Festival de Cannes em 2025 e passou pelo Festival de Clermont-Ferrand em 2026. O curta conta ainda com Gilberto Gil e Camila Pitanga no elenco.

A programação brasileira inclui também “Pique-Pega”, de Mia Lima Rocha, com Malu Galli e Carol Duarte; “DIU”, de Camila Schincaglia, protagonizado por Bella Camero; “Brasa”, de Diane Maia, com Bárbara Colen; “Party Princess”, com Caco Ciocler; “Adrenalina”, de Pedro Goifman, que traz Jean-Claude Bernardet no elenco; e “Barulho”, de Karen Suzano, estrelado por Carlos Francisco.

A edição de 2026 também inaugura o Prêmio Zita Carvalhosa, criado em homenagem à fundadora do Kinoforum e uma das principais referências na valorização do curta-metragem brasileiro. Destinado a obras nacionais que estreiam no festival, o prêmio concederá R$ 20 mil ao filme selecionado. Ao todo, 22 filmes brasileiros farão sua estreia no Kinoforum neste ano.

A homenagem busca manter vivo o legado de Zita Carvalhosa e reforçar o compromisso do festival com a produção nacional, o incentivo a novos talentos e a valorização do curta-metragem como espaço de experimentação e formação de realizadores.

Entre as mostras de destaque também está a Mostra Limite, que chega à sua oitava edição reunindo filmes brasileiros e estrangeiros dedicados à experimentação da linguagem cinematográfica. Inspirada no clássico “Limite”, de Mário Peixoto, a seleção aproxima obras de diferentes origens a partir de suas inquietações formais e narrativas. Entre os filmes estão “Quando o Segundo Sol Chegar (Um Cometa nos teus Olhos)”, último curta da trilogia de pesquisa da artista visual Janaina Wagner sobre a Transamazônica; “Replikka”, de Heloisa Passos e Piratá Waurá; e “Merrimundi”, animação de ficção científica musical dirigida pelo cineasta chileno-americano Niles Atallah.

O público infantil e adolescente também terá uma programação dedicada. A Mostra Infantojuvenil reúne filmes brasileiros e internacionais distribuídos em quatro programas, organizados de acordo com diferentes faixas etárias. O Kids 1 é indicado para crianças a partir de 2 anos, enquanto os programas Kids 2 e Kids 3 são voltados a maiores de 6 anos e apresentam histórias sobre amizade, coragem, descobertas e o direito de cada criança existir e sonhar. Já o programa Juvenil, recomendado para maiores de 10 anos, aborda temas como esporte, música e relações de amizade.

Os Programas Especiais ampliam os recortes da edição com seleções dedicadas a questões contemporâneas. Entre os destaques estão dois programas voltados às expressões das masculinidades e “Sol Eterno e Brando”, que aborda diferentes perspectivas sobre o envelhecimento. O festival também apresenta uma seleção da edição de 2026 do BAFICI – Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires, uma seleção do festival basco Humor en Corto e um programa dedicado ao cineasta haitiano Samuel Suffren, com uma trilogia que investiga temas como identidade, migração e pertencimento.

A programação inclui ainda um panorama dedicado às animadoras portuguesas e a tradicional seleção de cinema fantástico e de horror do programa Nocturnu. Outra novidade é a criação dos Diálogos Urbanos, seção que busca aproximar cinematografias de diferentes cidades. Na primeira edição, São Paulo e Recife entram em diálogo por meio de obras como “Recife Frio”, de Kleber Mendonça Filho, e “Viver a Vida”, de Tata Amaral. A iniciativa também contará com um debate promovido pela Conexão USP-Kinoforum.

O festival celebra ainda os 25 anos das Oficinas Kinoforum, projeto de formação audiovisual que tem contribuído para a criação de novos realizadores no Brasil. Para marcar a data, serão apresentados curtas produzidos por crianças e adolescentes durante as oficinas, além do longa-metragem “Sobre Olhares”, dirigido por Christian Saghaard e Zita Carvalhosa. A programação comemorativa inclui também o lançamento do novo site das Oficinas Kinoforum, reunindo e preservando a memória de um quarto de século de atividades.

Além das sessões de cinema, o Kinoforum mantém o Curta & Mercado, iniciativa realizada desde 2012 e voltada à formação, ao desenvolvimento de projetos e à articulação do mercado audiovisual. A programação reúne realizadores, produtores, curadores, pesquisadores, educadores e representantes do poder público em debates, painéis, masterclasses, pitchings e rodadas de conversa. Entre os temas estão “Conteúdo Brasileiro no Exterior: O Que Buscam os Curadores?” e “Licenciamento de Curtas: Mito ou Realidade?”.

Também fazem parte da programação os Kinoforum Labs, laboratórios de desenvolvimento de projetos de curta e longa-metragem conduzidos por profissionais da indústria audiovisual. O festival promove ainda encontros e debates sobre o cinema contemporâneo, atividades voltadas ao público infantojuvenil e a tradicional Noite de Kino, gincana audiovisual que reúne estudantes, coletivos e escolas de cinema para a produção de curtas inéditos em poucos dias.

A acessibilidade também é uma das prioridades da edição. Todas as sessões do festival terão Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE), ampliando o acesso de pessoas com deficiência auditiva às mostras e fortalecendo o compromisso do Kinoforum com uma experiência cinematográfica mais inclusiva.

Parte da programação também será disponibilizada gratuitamente no ambiente digital, por meio das plataformas Spcine Play, Porta Curtas, Itaú Cultural Play e Sesc Digital. A iniciativa amplia o alcance do festival para espectadores de diferentes regiões do país e contribui para a circulação do curta-metragem brasileiro e internacional.

O 37º Kinoforum acontece de 20 a 30 de agosto de 2026, com abertura oficial no dia 19 de agosto, no CineSesc. A entrada é gratuita e a programação ocupa a Cinemateca Brasileira, CineSesc, Circuito Spcine, Espaço Petrobras de Cinema, MIS, Cinusp, Cinusp Maria Antônia e Cinema na Comunidade. Mais informações estão disponíveis no site oficial do festival.



Por Midia Ninja

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